Moonlight Chicken – Chapter 4: The Midnight of Lifetime

“There’s no life that is forever happy and perfect”

Uma verdadeira OBRA DE ARTE. Senti a necessidade, em toda review de “Moonlight Chicken” até o momento, de elogiar toda a parte técnica da série (que tem uma fotografia belíssima e uma direção sincera e poderosa), bem como o seu texto e as atuações, mas também gosto de ressaltar a riqueza da trama e do desenvolvimento da série: cada episódio é uma obra de arte completa, com direito a variadas emoções, tudo construído de maneira tão genuína e orgânica que sentimos o quanto a série conversa conosco sem que ela precise forçar isso… o equilíbrio cuidadoso entre o que é leve, o que é bonito, o que é dramático e o que é triste – às vezes a mesma situação mesclando mais de uma dessas características, de maneira a construir algo mais palpável e complexo.

“The Midnight of Lifetime”, o quarto episódio de “Moonlight Chicken”, é um episódio excelente – eu não digo que é “o melhor até aqui” porque eu realmente não consigo mais comparar os episódios… o que quer dizer que “Moonlight Chicken” está construindo uma história fluída e que se completa e se intensifica a cada episódio, então tudo é parte de uma história maior e incrível. Temos, aqui, um avanço importante para a história de Wen e Jim, quando podemos explorar a natureza da relação de Wen e Alan, o cara com quem ele ainda mora, e isso traz surpresas e confusões quase inesperadas… mas, de certa maneira, o destaque aqui fica para Heart e Li Ming, cuja relação se consolida de maneira genuína e bela em cada cena que compartilham, além de trazer uma discussão interessante sobre a pessoa surda.

É com Li Ming e Heart, que passaram a noite juntos dividindo a mesma cama em segredo, que o episódio começa, e toda a sequência me deixou com um sorriso sincero no rosto e uma sensação boa difícil de explicar – mas, enquanto eu assistia àqueles dois, é como se todo o resto fosse embora da minha mente e eu me senti tão bem que ficaria ali para sempre… a perfeição da simplicidade de um acordando e olhando para o outro, mas sem querer deixar que o outro veja, a fofura de Heart fingindo que está dormindo, aquela conversa matinal sobre como Heart gosta dos olhos de Li Ming, a brincadeira dos dedos que é uma das coisas mais belas e mais significativas que vimos entre eles, e a maneira como as pernas deles se encontram e se conectam.

Tudo é perfeito.

A conexão entre as tramas também funciona muito bem… como já comentei, um dos plots principais de “Moonlight Chicken” está relacionado ao desejo de Li Ming de ir para os Estados Unidos e a preocupação que Jim tem com ele, na condição de tio e responsável. Li Ming e Jim compartilham a cena mais intensa de todo o episódio quando Li Ming chega em casa na manhã seguinte e encontra o tio mexendo nas suas coisas, e os dois protagonizam uma discussão que fala sobre confiança e sobre sonhos, e Li Ming diz coisas fortíssimas, sobre como não pediu para nascer e como o tio deveria parar de tentar empurrar seu sonho para ele – e, como comentei em outro episódio, é interessante como nós entendemos ambos os lados da história, e nenhum dos dois está errado, nem 100% certo.

Como uma relação familiar, as coisas entre Jim e Li Ming são, sim, complicadas – mas o sentimento que existe entre eles, apesar de toda a complicação, não é. E eu gosto de como isso fica claro, de uma maneira que aproxima “Moonlight Chicken”, para mim, da realidade, porque não é exagerado ou descabido: só é uma relação real – problemática, mas não tão problemática assim. Quando Li Ming levanta a voz e Jim chama a sua atenção, ele se interrompe imediatamente, até porque no fundo ele sabe que o tio só quer o melhor para ele e está preocupado com o seu futuro, e isso quer dizer que ele o ama. Tanto que, na cena do aniversário de Jim, é Li Ming quem traz o bolo para ele e, meio sem jeito, ele pede desculpas… para mim, uma das cenas mais lindas da série até aqui.

Falando no aniversário de Jim, destaque para o Wen tentando conseguir alguma coisa – e, bem… você pode culpá-lo? Depois de ter organizado a surpresa, Wen pergunta se pode passar a noite ali, e Jim arruma um lugar para ele dormir no chão, ao lado da cama, sabendo que não é lá que Wen quer dormir. A cena tem um quê de ousadia e diversão com o Wen presenteando Jim com uma camiseta que ele mesmo fizera, e o fazendo provar na mesma hora, tudo para poder ver o Jim tirar a camisa, sem nem mesmo disfarçar que ele quer olhá-lo um pouco… depois, direto, Wen pergunta a Jim se “ele não gosta dele mesmo”, e aproxima-se para um beijo que não acontece, enquanto Jim relembra cenas com seu ex-namorado e fica claro que ele ainda não superou esse trauma.

Ao menos não parece que Jim vai ter que lidar com a informação bombástica de que Wen está traindo o namorado com ele – o que, é claro, não quer dizer que as coisas serão simples e livres de drama, porque não serão. Mas quando temos uma cena completa de Wen com Alan, finalmente, entendemos que o que quer que tenha existido entre eles já não existe mais. Infelizmente, esse episódio de “Moonlight Chicken” ainda não traz realmente as respostas que esperávamos, porque Wen parece muito certo do seu término com Alan, mas Alan parece ainda não ter aceitado o fim do relacionamento por completo e, por algum motivo, eles continuam dividindo a mesma casa… e a mesma cama. De um modo ou de outro, a relação entre eles acabou.

E Wen faz questão de sempre deixar isso muito claro.

No fim das contas, então, acho que não houve traição de Wen – apesar de tudo o que acreditamos até então. Ainda assim, como a história com Alan não está completamente finalizada (como o próprio Gong comenta, dizendo a Wen que, se ele quer “começar um capítulo novo”, ele deve “encerrar o capítulo anterior antes”), nem tudo será simples… e quando Alan descobre o lugar onde Jim trabalha, graças a uma coincidência irônica do destino (já que ele é quem o atende no banco quando ele vai pedir um empréstimo), ele acaba indo até o Moonlight Chicken para “tirar satisfações”, o que se torna uma briga violenta que termina com o Wen levemente machucado e o Jim pedindo que os dois saiam… agora, ele tem muita informação para processar.

De volta a Heart e Li Ming, outra cena lindíssima que eles compartilham acontece pouco depois da briga de Li Ming com o Tio Jim. Ele está muito sério e chateado quando vai trabalhar naquele dia, e Heart faz de tudo para fazê-lo sorrir, escancarando um cuidado mútuo lindo e emocionante… e Heart sabe exatamente como tirar de Li Ming o sorriso mais fofo e sincero do mundo. Inicialmente, Li Ming parece mais resistente às provocações divertidas e inocentes de Heart, mas os dois acabam brincando com a mangueira enquanto deviam estar regando as flores, em uma cena tão pura que, assim como a primeira cena do episódio, coloca um sorriso no nosso rosto e nos faz um bem danado. Certamente está sendo uma maravilha poder acompanhá-los.

Seguindo aquela cumplicidade que os une e que faz bem a ambos, Li Ming e Heart escapam durante a noite para andar pela cidade e comer alguma coisa – e é muito bom ver o Heart fora de casa e tudo o que Li Ming está fazendo por ele. Então, Li Ming o leva para uma igreja na qual está acontecendo um encontro e uma missa para pessoas surdas, o que traz cenas muito bonitas para Heart e uma conversa esclarecedora e importantíssima entre Li Ming e o padre, que é uma grande discussão consciente a respeito da inclusão da pessoa surda e o que é felicidade. As cenas da igreja são LINDÍSSIMAS, e tudo aqui é repleto de importância e de significado, como o fato de Li Ming ter procurado a respeito do evento para o Heart, e como ele quer ser parte de sua vida e busca saber como é a melhor maneira.

A cena da caixa de som com Li Ming levando Heart para sentir as vibrações.

QUANTA COISA LINDA JUNTA. Episódio lindíssimo.

 

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