Peach Lover – Ep. 1
Sensualidade e segredos.
Eu não vou
negar que o que me trouxe aqui foi tesão…
não sou hipócrita a esse ponto. A premissa e os vídeos de divulgação de “Peach Lover” são realmente excitantes e
chamam a atenção. Depois de assistir ao primeiro episódio, no entanto, eu
estou… surpreso. Quer dizer, não me
entenda mal: o episódio de estreia é intensamente sensual e despertou muitas
sensações, mas eu noto alguma promessa ainda sob a superfície que talvez eu não
estivesse esperando. Não sei quais são os rumos que a série tomará, mas gostei
muito do “segredo” do “Peach Lover”, e acredito que existe mais no Po do que
ele deixa transparecer em um primeiro momento… aguardemos. E caso a série só
entregue a sensualidade e o erotismo… bem,
também não é motivo de reclamação.
A premissa
de “Peach Lover” é inusitadíssima: Po
é um jovem artista que faz ilustrações principalmente para capas de livros
sensuais e alivia a tensão assistindo
a vídeos na internet… e ele é surpreendido com um novo vídeo do seu criador de
conteúdo favorito, talvez o maior nome gay de uma plataforma no estilo “Only
Fans”: Peach Lover está procurando um novo parceiro sexual para a gravação de
seus próximos vídeos. Depois de algum tempo sumido por ter terminado com o seu
companheiro que chamava de “Peach”, Peach Lover quer voltar à ativa e… bem, é uma oportunidade que Po não quer perder,
não é? Então, ele preenche uma espécie de ficha de inscrição naquele momento
mesmo, e reza para ser escolhido como o novo Peach do criador de conteúdo!
E ele
consegue uma “entrevista”.
Peach Lover
é uma alcunha misteriosa de um homem extremamente bonito e gostoso que aparece sempre de máscara em seus vídeos
sexuais… e é assim que ele aparece para conversar com Po, o candidato a novo
Peach, quando Po vai até o seu apartamento – e se o Po já parecia estar explodindo de tesão apenas com a
expectativa de ver pessoalmente o seu ídolo, a perspectiva de um “teste” o
deixa realmente na altura… e a sensualidade de toda a sequência é de uma beleza
estonteante! As cores, a trilha sonora, os beijos, os closes nas línguas que
exploram com vontade e cadência o corpo alheio e, é claro, o áudio… é a
respiração ofegante e o gemido ocasional que fazem o principal trabalho para
tornar aquilo o mais próximo possível da
realidade.
Como
prometido: é excitante.
Toda a
experiência é sensual e quase romântica… mas há também curiosidade. Tanta que
Po acaba tirando a máscara de Peach e isso revela um rosto conhecido: o famoso ator Sasom. Aqui, eu confesso
que abafei uma risadinha: quer dizer, Sasom é um ator conhecidíssimo, que
estrelou um monte de séries no país, ganhou prêmios, tem fotos publicadas em
revistas, eu outdoors e em suas redes sociais, inclusive sem camisa, e ninguém nunca descobriu o seu “canal secreto”
como “Peach Lover” por causa daquela máscara? Quer dizer, é menos crível do que
a coisa de Clark Kent/Superman, porque a série ignora a obsessão de fãs de
atores famosos que parecem conhecer cada
pintinha do corpo do ídolo e certamente já o teriam descoberto. Eu teria descoberto pela pintinha no braço,
por exemplo.
Mas ok, eu
acho que a série espera que relevemos isso… mas eu me pergunto: e se não for o caso? E se o Po estiver
nos manipulando no fim das contas? E se ele sabia algo que não sabemos que ele
sabia e havia malícia na retirada da máscara e na aproximação posterior? A
última cena do episódio sugere algo
que ainda não conseguimos entender… de todo modo, esse “teste” com Sasom/Peach
Lover habita a mente de Po pelos dias seguintes, e demanda um trabalho sempre que relembrada – e não
dá para julgá-lo. É com evidente e esperada surpresa que Po recebe Sasom na sua
casa sem ser convidado, aparentemente ainda com a proposta em pé para que ele
“seja seu novo Peach”. E eu tenho certeza
de que não era a única coisa em pé naquele encontro.
Gosto da
conversa dos dois, ainda que não a leve a sério… me divirto com como a série
talvez brinque com uma profundidade que não necessariamente tem, pelo menos não
ainda, e como trata as decisões de ambos como “resistência” ou algo assim. A
revelação de Sasom de que ele vive uma vida que escolheram para ele como astro
de TV e o seu canal como Peach Lover é o seu ato de liberdade, o lugar onde ele
pode ser ele mesmo e fazer o que bem entende é no mínimo inusitado, porque
sabemos o quanto esses canais são performáticos
na maioria dos casos. E Po devolve um entendimento similar de seu canal falando
sobre como ele o ajudou a sentir que “ele não estava sozinho” depois de se sentir
errado por sua sexualidade durante muito tempo ou algo assim…
Ser o seu
“Novo Peach” tem a ver com essa descoberta e com essa liberdade.
E com o
tesão, mas ele não diz isso.
É diferente,
então, o sexo que Sasom e Po fazem mais tarde, na casa de Po, sem máscara e sem
câmera. É de reconhecimento, de desejo mútuo, de promessas… e é tão bonito e
tão excitante quanto as cenas anteriores. Gosto muito de ver a mão de Po
explorando o corpo de Sasom até entrar na sua cueca, gosto da voz de Sasom
pedindo que ele a tire, e gosto de ver o Sasom, logo depois, prometendo que
“vai fazer com que ele se sinta melhor” e cumprindo a sua promessa – se o Po é mesmo virgem como ele diz ser, ali ele
foi ao céu e voltou… enquanto a boca de Sasom o engolia, ele conheceu uma sensação…
mágica. Qual o futuro de “Peach Lover”? Imagino romance, muito
sexo e, quiçá, alguns segredos e traumas a serem explorados. Curiosamente, é
muito promissora!
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