[Series Finale] Stranger Things 5x08 – Chapter Eight: The Rightside Up – Part 3: Epilogue
Classe de 1989.
PARTE 3:
EPÍLOGO, 18 MESES DEPOIS. Ainda que todo o episódio e, talvez, toda a temporada
tenha tido um clima notório de despedida,
nada se compara aos últimos minutos de “The
Rightside Up”, que é o grande epílogo de “Stranger Things”. 18 meses se passaram desde a vitória sobre Vecna
e o Devorador de Mentes, a destruição do Mundo Invertido e a morte ou o sumiço
de Eleven, e estamos novamente em Hawkins, onde muitos dos personagens estão tentando levar a vida normalmente… os
adolescentes estão prestes a se formar como a turma de 1989, os jovens
“recomeçaram” a vida, em Hawkins ou em outros lugares, Hopper planeja ir embora
com Joyce, e cada um precisa tomar a decisão de seguir em frente ou ficar preso
ao que aconteceu…
O que
perderam, o que nunca mais recuperarão…
É sobre
acreditar, sobre ter esperança, sobre continuar vivendo.
Fico muito contente por o episódio ter um
epílogo tão longo, ainda que não seja do agrado de todos. Eu não queria uma
nova batalha contra o Devorador de Mentes porque, como eu comentei
anteriormente, “Stranger Things” é
sobre mais do que isso, e a grande vitória da série é o fato de ela fazer com
que nos importemos com seus personagens.
Por isso um epílogo no qual podemos ver mais deles depois de toda a ação é bem-vindo, porque queremos saber que eles
estão bem, queremos ter uma ideia de como a vida deles está e seguirá… e,
também como já disse anteriormente, o clichê por si só não é um problema. Há
algo de novelesco na conclusão de “Stranger Things”, é verdade, mas me
parece a melhor maneira de encerrar uma série tão querida pelo público depois
de quase 10 anos.
Precisa de
emoção, de lágrimas, de despedidas formais!
Retornamos
com “Rockin’ Robin” na rádio, e é ela quem nos apresenta um pouco de como estão
as coisas – novamente depois de um salto temporal de 18 meses. Sua voz, no
entanto, está claramente embargada e emotiva. Steve está trabalhando como
professor de Educação Sexual e como treinador de beisebol na escola, tendo
ficado em Hawkins, e eu adoro vê-lo ali com as crianças, inclusive com o Derek
sendo uma das crianças treinadas por ele. Os outros adolescentes, por sua vez,
estão se preparando para a formatura da Classe de 1989… Lucas vai buscar Max em
casa, vestido com a beca meio que cedo
demais; Dustin está deixando a mãe cheia de orgulho, porque ele será o orador
da turma; Jonathan está filmando Will, também cheio de orgulho…
Mike, no
entanto, não parece disposto a aparecer na cerimônia. Mesmo 18 meses depois da
morte de El, ele não consegue parar de pensar nela. Naquele dia tão importante,
ele “desaparece” e é o Hopper quem sabe onde encontrá-lo: em frente ao
memorial, e eles compartilham uma das conversas mais bonitas de todo o episódio. É uma conversa emotiva e triste,
mas Hop é a melhor pessoa para conversar com ele, porque ele era o pai de Eleven, e El não é a
primeira filha que ele perde. Ele diz a Mike que a culpa não é dele, que Eleven
fez a sua escolha, e agora ele tem dois caminhos a seguir: ele pode se culpar e
sofrer eternamente ou aceitar a decisão dela, o que não quer dizer entender ou
concordar com ela, mas aceitar que ela a tomou…
Ele já tomou
o primeiro caminho antes… e não recomenda.
A conversa
de Mike e Hopper, bem como o sacrifício de Eleven, confere peso à conclusão da
série, e é muito emocionante ver o Mike aparecendo de beca para a cerimônia de
formatura, com a mãe toda orgulhosa por ver o filho ali. Não é fácil estar ali,
e não quer dizer que não doa, mas ele
tomou uma decisão… e ele precisava estar ali para ver O GRANDE MOMENTO DO
DUSTIN! Dustin, como orador da turma, faz algo que deixaria o Eddie orgulhoso…
ele fala sobre “Dungeons & Dragons”,
ele fala sobre os amigos, sobre as experiências, sobre o caos, e ele fala
coisas muito bonitas, inclusive sobre como tudo o que aconteceu ali fez com que
amizades “inesperadas” se formassem, e é bonito ver o orgulho do Steve ou ver
que Holly e Derek seguiram amigos…
Várias
pessoas estão chorando – talvez eu, enquanto audiência, também esteja –, e é
muito a cara de Dustin reverter aquilo de maneira tão caótica e tão
MARAVILHOSA. Ele realiza o sonho de Eddie ao se virar contra o diretor e falar
sobre como ele infelizmente “tentará implantar a ordem novamente” ou qualquer
coisa assim, então ele tira a própria beca, revelando uma camiseta que diz que
“HELLFIRE AINDA VIVE”, mostra o dedo para o diretor, e Erica ajuda com os
confetes na hora certa, enquanto todos estão gritando e festejando porque o
Dustin não apenas os representou lindamente naquele momento e disse o que todo
mundo queria dizer… ele ainda garantiu que a formatura deles fosse
inesquecível. É ótimo como a cena é inusitadamente bonita.
Também gosto
muito da conversa no terraço de Steve, Jonathan, Nancy e Robin… é triste que
eles tenham se separado e que a vida tenda a continuar os separando conforme os
anos passam, mas, naquele momento, eles estão inteiramente ali – eles
compartilham experiências do presente, memórias do passado, planos para o
futuro… eles estão rindo, mas eles também estão com vontade de chorar. Eles
querem seguir em frente, mas eles
também sentem saudade. Toda a cena é
construída de maneira muito bonita para que todo o paradoxo desses sentimentos
fique evidente. Robin é quem melhor coloca isso em palavra, falando sobre como
às vezes ela só sente falta daquilo,
e Steve olha para o outro lado para tentar esconder as lágrimas, mas ele não
consegue…
No fim,
aquela é uma cena que nos divide, porque nos emociona, mas também nos machuca.
Eu sinto que entendo bem o que eles estão dizendo: não é que eles não gostem de
suas novas vidas, nem que eles não gostem de seus novos amigos, mas não é a
mesma coisa, e a verdade é que nunca vai
ser… há tanta coisa que eles compartilharam que será eternamente só deles,
só fará sentido para eles. É por isso que eles planejam se encontrar novamente
uma vez por mês, para manter esse vínculo – os mais céticos dirão que isso
nunca vai acontecer, e nossa experiência como adultos nos diz que a
probabilidade realmente é muito pequena,
mas, naquele momento, todos prometem e, naquele momento, é sincero. E por que
eles não poderiam conseguir?
Lágrimas, um
brinde, beleza.
O episódio
nos conduz, então, para outro momento absurdamente bonito e emocionante, que me
levou às lágrimas mais uma vez: UMA
ÚLTIMA CAMPANHA DE MIKE COM TODOS. É um aceno à primeira temporada, lá em 2016,
onde tudo começou… e é possivelmente a melhor maneira de encerrar a série. Mike
é o mestre de uma mesa com Will, Dustin, Lucas e Max, e a beleza da cena está na
simplicidade dela: é apenas uma partida de RPG entre amigos, despreocupada, com
destaque para as reações de Dustin, para o surto de Max com uma aparente
derrota, com o Mike sendo o vampiro prestes a vencer o grupo até que eles
encontrem uma saída. É uma cena tão simbólica e tão significativa, cheia de
conexão, de diversão, de amizade, de memória…
E eles
celebram intensamente a vitória que vem.
Mike nos
emociona quando é desafiado por Max a ir além de prometer “conforto e
felicidade” a todos os personagens da campanha e prova que é um grande contador
de histórias: ele conta o “final feliz” dos “personagens”, que é mais ou menos
os votos dele para cada um dos amigos, é o que ele espera para a vida de cada
um, e nós temos a possibilidade de ver flashes
dessa vida que eles ainda encontrarão pela frente. E depois que ele termina,
todos eles guardam suas pastas na estante em tom de despedida, com lágrimas que
parecem ir muito além dos personagens e ecoar o sentimento dos personagens.
Curiosamente, eu chorei muito mais no
momento em que Holly desce com os amigos para jogar, alheios a todo o resto, e
Mike fica olhando para eles antes de ir embora e fechar a porta.
Aquele
momento é, quiçá, o momento mais lindo de todo o episódio. Há tanto que não
precisa ser dito, mas é sentido, na maneira como Holly assume o lugar do irmão,
com seus próprios amigos, e como isso representa que a vida segue… as lágrimas
de Mike são uma despedida – cheias de memórias, de alegrias e suas eventuais
dores, e ele carregará um pouco de tudo isso consigo para sempre. É a melhor
maneira possível de encerrar “Stranger Things”, e eu não concordo com
ninguém que diga o contrário: toda a sequência que começa com a campanha de RPG
do Mike e termina com ele fechando a porta é brilhante, PURA ARTE. Cheguei aos
créditos, ao som de “Heroes”, ainda
chorando, e os créditos também foram construídos para trazer memórias e mais
lágrimas…
Precisamos,
é claro, falar ainda sobre Eleven. Ela morreu de fato ao se sacrificar na
explosão do Mundo Invertido ou toda aquela história que o Mike contou sobre
como ela pode ter sobrevivido é
verdadeira? Não existe uma resposta correta, e essa é a magia desse final,
magia essa que foi propositalmente ignorada
por muitas pessoas que querem ditar “certo” e “errado” na interpretação de algo
que não foi feito para ter “certo” e “errado”. Existe como acreditar tanto em
uma possibilidade quanto em outra e encontrar evidências que prove sua teoria,
seja ela qual for – talvez Kali tenha morrido mesmo e não pudesse sustentar
aquela ilusão e isso tenha sido uma história criada por Mike para lidar com a
morte de El, mas também como El usaria os poderes para falar com ele com a
kriptonita ligada?
Cada
evidência que indica a morte de Eleven pode ser rebatida com uma evidência que
indica que ela pode, sim, ter escapado e estar vivendo em algum lugar distante,
porque não podia ficar em Hawkins com a sua família e com os seus amigos sem
que a Dra. Kay viesse atrás dela e colocasse todo mundo em perigo. Mas a gente
não precisa de uma resposta definitiva, “Stranger
Things” não propõe isso. Mike escolheu acreditar nessa possibilidade porque
isso o ajuda a seguir em frente, como o Hopper o aconselhou a fazer, e ele
compartilhou essa história com os demais de maneira emocionante no fim de um
jogo de RPG para que cada um acreditasse no que bem entendesse… qualquer
possibilidade é válida e, particularmente, eu não quero escolher.
A primeira
temporada de “Stranger Things”
estreou em 2016, fez bastante barulho na época, mas eu não sei se tinha noção
de tudo o que ela se tornaria, de como ela passaria quase 10 anos fazendo parte
de nossas vidas. Pela primeira vez em muito tempo, terminamos uma temporada e
não estamos esperando pela estreia de outra, embora spin-offs certamente surgirão e eu estarei aqui para assisti-los e
comentá-los… talvez não tenha sido o fim que algumas pessoas esperavam, mas eu
sinto que foi o fim que “Stranger Things”
precisava: não é surpreendente, revolucionário e transgressor, ela optou por um final seguro que, além de
boa ação e de tensão, também trouxe muita emoção.
Um final com um coração imenso que nos fez sorrir, nos fez chorar e nos
permitiu estar ao lado desses personagens uma última vez, porque a série sempre
foi sobre eles. Sentirei saudades.
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