Glee 4x20 – Lights Out

“I intend to hold you for the longest time”

Exibido originalmente em 25 de abril de 2013, “Lights Out” é o vigésimo episódio da quarta temporada de “Glee”, e é um episódio bom com a sua parcela de decepções… acho que a ideia toda de “a escola ficar sem luz por dias”, apesar de absurda, rende uma boa lição para o New Directions, e Ryder e Kitty protagonizam cenas surpreendentemente fortes, com um assunto sério sobre o qual precisamos falar, ainda mais em uma produção para o público jovem, embora traga também comentários absurdos de Artie e de Sam que não sinto que foram rebatidos como deveriam. Além disso, o episódio começa a mostrar o caminho de volta de Sue Sylvester às Cheerios do McKingley High, bem como Kurt, Santana e Rachel no New York City Ballet Gala.

Ryder segue tentando descobrir quem é Katie, a garota misteriosa com quem tem trocado mensagens há algum tempo e cuja identidade ele desconhece porque descobriu que foi enganado, e Jake fala sobre ele começar a conversar com pessoas de verdade. É esse chacoalhão de Jake que faz com que Ryder, depois da emotiva “Everybody Hurts”, resolva compartilhar com os seus companheiros no glee club uma história sobre como ele foi tocado pela babá quando ele tinha 11 anos de idade e estava tomando banho. O seu relato é doloroso, e eu fico profundamente incomodado assistindo à cena porque pessoas como o Artie e o Sam acham um “máximo” e agem como tremendos babacas que não reconhecem que o seu relato é de ABUSO.

O único contraponto ofertado pelo episódio vem, surpreendentemente, de Kitty… depois de se colocar em uma posição de vulnerabilidade e ser sincero com algo que lhe causa vergonha e problemas nas suas relações atuais e se sentir pior ainda por como foi recebido, Ryder poderia se fechar para sempre, e Kitty é quem garante que isso não acontecerá porque ela entende a sua dor e compartilha a sua sinceridade. Os dois vão juntos ao Breadstix e Kitty conta a sua própria história – é horrível de se ouvir. Ela fala sobre como foi abusada pelo irmão de sua melhor amiga e, depois, como ela foi desacreditada quando finalmente teve coragem de falar sobre isso, depois de muito tempo. É pesado, e é provavelmente o mais humano que tanto Ryder quanto Kitty já foram.

São assuntos sobre os quais se precisa falar. Falas de Sam e Artie são problemáticas demais!

Todas as demais histórias do episódio são absurdamente mais leves. A trama da falta de luz no McKingley High começa justamente quando, assustado com Frida Romero, Will Schuester decide fazer coisas grandiosas no New Directions – e é providencial, porque a falta de luz o faz perceber que o melhor instrumento que eles têm são suas vozes e que eles precisam confiar nisso e voltar ao básico, essa é a lição da semana. A falta de luz nos entrega uma versão acústica de “You’ve Lost That Lovin’ Feelin’” pelo Sam, acompanhado por Ryder e os demais do glee club; a clássica “We Will Rock You”, com objetos do cotidiano sendo transformados em instrumentos musicais; e a deliciosa “The Longest Time” que é uma delícia e tem uma energia incrível.

E o molejo do Jake.

Blaine, por sua vez, acaba em uma aula pesada – mas que conta com um gostoso de companhia e uma troca de olhares significativa – com Sue Sylvester, que se tornou personal trainer e se diz satisfeitíssima com sua nova realidade, porque enfim está sendo levada a sério… ele está ali para falar sore Roz e sobre como as Cheerios precisam dela, e por mais que Sue diga que está melhor desde que deixou a escola, a verdade é que ela sente falta daquilo tudo – a cena de “Little Girls”, com Becky e as garotas nas arquibancadas do McKingley High, não a deixa mentir. E ela deve estar de volta em breve… afinal de contas, Becky encontra uma maneira de ir para a sala da direção (!) para conversar com o Diretor Figgins… ela tem algo a contar.

Nova York, por sua vez, traz uma trama sobre como “Santana está sem propósito”, mas eu acho que há, também, muita pressão sobre ela – ela está “desperdiçando a sua vida” ou ela só é diferente de Kurt e Rachel? Quando Isabelle Wright convida Kurt para trabalhar no New York City Ballet Gala, um grande evento da cidade, e diz que ele pode levar amigos se quiser, Santana é convidada a se reconectar com a parte sua que adora dança! Gosto muitíssimo da cena de “At the Ballet”, uma das melhores músicas de “A Chorus Line”, e de como ela foi utilizada em “Glee”… tudo lembra o musical e a história original ganha significado pelo que vimos antes de Kurt e Santana e os flashbacks de ambos: Kurt criança no balé ou Santana se apaixonando pela dança.

É uma cena surpreendentemente longa, já que as músicas tendem a ser cortadas para a sua versão final no episódio, e eu gosto de como cada segundo dela faz com que ela se torne mais emocionalmente significativa. E Isabelle é muito importante para a Santana no fim das contas, falando sobre como Santana precisa encontrar algo que ela ame e que não precisa ser NYADA ou a Broadway, e que “está tudo bem dar um passo de cada vez”. Então, Santana toma uma decisão e se junta a um programa de extensão de dança em NYADA no qual ela se reconecta com uma parte sua que não quer deixar ir embora. Lindíssima a cena da mini-Santana pedindo que ela não a esqueça novamente e a Santana prometendo que não fará isso. Desejamos todo o sucesso para ela!

 

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