[Series Finale] Stranger Things 5x08 – Chapter Eight: The Rightside Up – Part 1: Climbing into the Abyss
“I need you
to believe in me”
PARTE 1:
SUBINDO ATÉ O ABISMO. Falar sobre a conclusão de “Stranger Things” parece uma responsabilidade gigantesca…
especialmente comigo mesmo e com meus sentimentos: essa série estreou em 2016 e
eu a acompanho desde a estreia, vibrando a cada temporada, me apaixonando por
personagens, temendo pela morte de meu personagem favorito – vulgo Steve
Harrington – e fazendo teorias. Eu vivi cada época dessa série, e agora me
despeço de “Stranger Things” com um
sorriso no rosto, mas também com lágrimas nos olhos… é um ciclo que se fecha
com um episódio bonito e feito com todo o coração: é emocionante, é sincero,
tem pitadas deliberadas de nostalgia, tem espaço para interpretação e
contestação e vai ser comentado por muito tempo ainda.
Antes de
mais nada, e eu quero deixar isso muito claro antes de tudo o que eu tenho a
dizer (e é tanta coisa que eu dividirei em três postagens): EU AMEI. É
diferente do que algumas pessoas pensaram, descarta teorias que teriam, sim,
rendido boas tramas, mas tem o coração no lugar certo – e acho que muita gente
tem que aprender a não se basear nas próprias expectativas que acabam por gerar
frustração. “Stranger Things” pode até não terminar de maneira chocante e/ou
inesperada, mas o clichê não é um problema por si só, desde que bem executado. E foi lindamente executado. “Stranger Things” é sobre mais do que os
acontecimentos que envolvem o Mundo Invertido, o Abismo, o Vecna, o Devorador
de Mentes… é sobre aqueles personagens de
Hawkins que amamos.
Foi bom
estar com eles uma última vez.
Desse modo, “The Rightside Up” encerra ciclos e
permite que nos despeçamos. O último episódio, que foi exibido no dia 31 de
dezembro de 2025, tem pouco mais de duas horas de duração – e eu, que detesto
episódios longos, não queria que terminasse de jeito nenhum. Eu vibrei em
vários momentos, me surpreendi em alguns, me emocionei em muitos outros… foi
uma experiência completa que começa com o plano de Steve sendo colocado em ação
com o grupo rumo ao Abismo em busca das crianças que foram levadas por Vecna e
nos apresenta toda a batalha contra o Vecna e contra o Devorador de Mentes, com
bons momentos para diferentes personagens, e culmina em um epílogo emocionante
que nos lembra, uma última vez, como
amamos esses personagens.
O plano que
eles estão seguindo foi sugerido por Steve no episódio anterior, e pode até não
ser o plano perfeito, mas é o que
eles têm e, quiçá, o mais viável: eles esperarão que o plano de Vecna entre em
ação e o “outro mundo” comece a descer pelo Mundo Invertido/buraco de minhoca
rumo a Hawkins, até que o Abismo fique acessível à altura do pico da torre de
rádio… esse é o tempo que Eleven tem para deter Vecna dentro de sua mente, com
a ajuda de Kali e de Max, para que os outros façam o resto. Naturalmente, as
coisas não saem exatamente como eles
esperavam, e eu gosto da ideia de uma série de imprevistos que exige novos
planos, tal qual acontece na vida real – ou, ainda, em uma campanha de RPG
bem-escrita. Então, como não amar?!
Durante a
subida da torre do rádio, ganhamos alguns bons momentos, como a conversa de
Will e Mike – e sentimos que eles precisavam
de uma conversa que fosse apenas dos dois depois de tudo o que Will dissera no
episódio passado… depois de ele ter tirado o medo de suas costas ao se assumir
para todos. Mike sempre foi o seu melhor amigo, e ele pretende continuar sendo,
e ainda que isso tenha ficado claro anteriormente, nós queremos ouvi-lo dizer
isso, nós queremos que o Will tenha certeza que nada vai mudar entre ele e o
Mike. E eu fico imensamente feliz por ele e por como tudo acontece. A ideia de
haver lugar para “pausas” durante a escalada permite que os personagens tenham
conversas como a que Will e Mike tem, no meio de toda a ação de um episódio eletrizante.
A ação se
divide. Temos 1) o pessoal que está subindo a torre do rádio; 2) Eleven e Kali
invadindo o laboratório no Mundo Invertido, com a ajuda de Hopper, para usar o
tanque, compartilhar a mente com Max e acessar a mente de Vecna, para chegar
até as crianças e guiá-las para fora. Eu gosto de ver a Max sendo a líder de
uma parte da missão quando é ela quem melhor
conhece a mente de Vecna/Henry e, consequentemente, conhecendo os caminhos
longos e os atalhos para chegar até onde elas precisam… e a sincronia disso com
o grupo na torre e a pressão que causa é maravilhosa. Max guia El e Kali pela
escola de Hawkins em 1959 e à peça de Henry, que é o caminho mais curto até a Casa dos Creel, e o
batuque dos bastidores da peça deixam tudo muito mais tenso.
Enquanto
esperam que Max consiga levar Eleven até o Henry para detê-lo, o “outro mundo”
chega ao topo da torre do rádio, e de um lado vemos El finalmente chegando à
casa dos Creel e atacando Henry, interrompendo a “descida”, ao mesmo tempo em
que o Steve quase cai do alto da torre… e não importa se a minha parte racional
estava dizendo que não era possível que o
Steve fosse morrer ali, porque o que nos comandou naquele momento era a
tensão e o medo que temos há anos de
que algo ruim aconteça a Steve, nosso amado Steve – por isso, gritei, sim,
prendi a respiração e acabei rindo do sadismo de prolongar a cena com a
aparente queda de Steve e uma tela preta demorada antes da revelação bem-vinda
de que ele estava bem… ele tinha sido
salvo…
Por ninguém menos que JONATHAN BYERS.
Acho muito,
muito bonito e muito significativo que quem segurou a mão de Steve e o puxou de
volta à segurança foi o Jonathan, e gosto demais do destaque dado às reações
das duas pessoas mais próximas de Steve naquele momento: a Robin e o Dustin. A
ação de Jonathan acaba dando abertura para uma das cenas mais bonitas do
episódio, que é a conversa dele e do Steve já no Abismo, um pouco mais tarde,
quando eles falam sobre gostar ou não gostar um do outro, e sabemos o quanto
eles passaram a significar na vida do outro… eles estão absolutamente fofos
como possíveis amigos – destaque para a Robin os chamando de “pombinhos”, o que
faz o nosso coração pular! –, e eu gosto de como a cena é repleta de
sinceridade e de sentimento, o que a torna muito bonita.
Há uma
celebração merecida à vida de Steve Harrington, mas as coisas dentro da mente
de Henry seguem tensas… o ataque inesperado de Eleven liberta as crianças do
transe no qual elas estavam, e Max corre para abraçar a Holly – muito bonita a
emoção de Holly ao perceber que ela voltou por ela. A questão, agora, é fazer
com que as outras crianças acreditem que Max não é “um monstro”, como o “Sr.
Quequeé” tentou convencê-las de que ela era, e eles fazem isso de uma maneira
muito interessante… Henry confronta El, perguntando onde estão as crianças, e ela diz que “elas estão a salvo com Max”,
e a verdade é que ainda estão todas ali, escondidas por uma ilusão gerada por
Kali, assistindo enquanto Henry prova que ele
não é quem ele dizia ser…
Que Holly estava certa sobre tudo o que
dissera sobre ele.
A mão de
Henry se torna a mão do Vecna contra Eleven e Max diz às crianças que, assim
como Holly dissera, ele quer destruir o mundo, mas ele não pode fazer isso sem
eles e, por isso, eles precisam fugir agora.
Henry entra na mente de Eleven, vê Kali e entende rapidamente a parte da
ilusão, mas as crianças já escaparam, com a ajuda de Max… então, quando El e
Kali atacam Henry, ele escapa, e sabemos que ele vai atacar de outro lugar. Enquanto isso, as crianças correm floresta
adentro, e Eleven e Kali os mandam continuar correndo, porque ele vai voltar.
Eventualmente, as crianças estão sozinhas, porque Vecna consegue manipular o
Hopper e fazer com que ele tire Eleven de sua mente (!), mas felizmente elas
têm uma boa líder a ser seguida: Holly, a Heroica.
Gosto DEMAIS
de ver a personagem que a Holly se tornou! E é ela quem guia as crianças para a
caverna na qual Henry tem medo de entrar, e quando ela percebe que o Derek ficou para trás, ela retorna
para ajudá-lo e, naquele momento, um salva a vida do outro, em uma das melhores cenas do episódio. O Henry
aparece através de um portal, e então eles correm o mais rápido que podem, e
quando Vecna estica o seu braço para segurar Holly, Derek faz o mesmo que Holly
acabara de fazer e salva a sua vida.
É UMA PEQUENA E SIGNIFICATIVA VITÓRIA! A maneira como o Henry parece frustrado
e como o Derek solta um “Suck my fat
one!” e mostra o dedo para ele e as crianças, pelo menos por alguns
minutos, podem respirar aliviadas… porque
elas estão bem…
Até que o Henry enfrente o próprio medo e
entre na caverna.
A forma
encontrada por Vecna para se livrar de El em sua mente e, com ela, de Kali e de
Max, é mexendo com a mente de Hopper… ele começa o desestabilizando mostrando
para ele a conversa de El com Kali sobre o plano que a 008 tem: ela acredita
que não existe final feliz para elas e que a única coisa que elas podem fazer,
para acabar com isso tudo de uma vez por todas, é ficar no Mundo Invertido e
morrer quando tudo for explodido. É transtornado com essa ideia que Hopper fica
vulnerável às manipulações de Vecna e tenta atirar nele, até que Vecna o faça
acreditar que ele atirou em El. Para
tentar resgatar a filha baleada, Hopper quebra o tanque com as próprias mãos e
tira Eleven lá de dentro, tirando com ela todas as ajudas que as crianças
tinham.
Na verdade,
ainda que tenha dado um segundo de susto, sabíamos que Hopper não havia atirado
em Eleven, e não demora para isso ser resolvido… mas agora não tem mais o que
ela possa fazer remotamente, e ela
ainda tem que lidar com o Hopper que quer ter uma conversa sobre o plano que ela tem com Kali – ele diz que
só detona todo o Mundo Invertido quando souber que ela está em segurança em
Hawkins, e Kali aponta uma arma para a cabeça dele. A cena de Hop e El, no
entanto, é bonita, emotiva e sincera e faz com que Kali perceba que, diferente
dela, a Eleven/Jane tem uma família… ele realmente a quer bem, a quer feliz, a
quer em segurança, quer que ela tenha o direito de sonhar com um futuro, que
possa sonhar. Então, Kali abaixa a arma.
E talvez,
ali, ela tenha mudado de ideia sobre o que era “o melhor plano”.
Se mudou
mesmo, jamais saberemos.
Kali leva um
tiro e Hopper tenta salvar a sua vida, mas não consegue… ela morre, mas morre
conformada porque, como ela diz para Eleven, esse era o plano de todo modo –
sua vida acabaria ali no Mundo Invertido de qualquer maneira, ela tinha tomado
a sua decisão. Deixando Kali para trás, morta ou viva por tempo o suficiente
para gerar uma última ilusão, Eleven se prepara para subir ao Abismo: seu
treinamento a preparou para os saltos que ela precisará dar agora, e ela
precisa que o Hopper entenda que algumas coisas são decisões suas… existe muita
emoção na conversa, na recordação de tudo o que Hop fez por ela desde que ela
aparecera em Hawkins, e ela pede que ele acredite nela para que ela tome a
decisão certa… ela precisa que ele
acredite.
Então, ela sobe.
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