Stranger Things 5x06 – Chapter Six: Escape from Camazotz

“I was wrong. I was terribly catastrophically wrong”

EU AMEI A REVIRAVOLTA QUE TIVEMOS AQUI. “Escape from Camazotz” é o sexto episódio da quinta e última temporada de “Stranger Things” e embora seja em parte sobre a fuga de Holly e de Max de “Camazotz”, também tivemos outras coisas acontecendo simultaneamente, como a Eleven tentando resgatar a mente de Will Byers de onde ele está preso desde que acessara voluntariamente a mente coletiva para utilizar o poder de Vecna contra ele mesmo, ou o Dustin fazendo uma descoberta interessante que parece redefinir tudo o que sabíamos sobre o Mundo Invertido… é verdade que pitadas de ficção científica sempre fizeram parte de “Stranger Things” e que buracos de minhoca não são um conceito novo na série, mas eu ADOREI como ele foi utilizado.

No fim do episódio passado, quando Jonathan e Nancy encontraram o que podia ser “o gerador de energia do muro criado por Vecna em torno do Mundo Invertido” ou qualquer coisa assim, Dustin tentou avisá-los que estava errado e que não era nada disso, no fim das contas… e que era importantíssimo que, de modo algum, Nancy tentasse destruir esse “gerador de energia” – porque ele e todos os demais estavam errados sobre o Mundo Invertido: o muro não foi feito pelo Vecna, ele não está do outro lado do muro, assim como a Holly não está, nem nenhuma das crianças… do outro lado só existe o vazio, o nada, a morte, porque o Mundo Invertido não é uma outra dimensão, nem um outro mundo nem nada assim: O MUNDO INVERTIDO É UM BURACO DE MINHOCA.

Particularmente, eu achei isso fantástico! É muito bacana ver “Stranger Things” se convertendo inteiramente em ficção científica, e gosto de com a série explica de uma maneira muito simples e fácil de entender – além de acreditar que é uma representação visualmente impecável de um buraco de minhoca! Agora o “misterioso muro” faz perfeito sentido, e é eletrizante o momento em que, depois de o Dustin explicar em detalhes para o Steve, a câmera nos mostra um desenho tradicional de buraco de minhoca no quadro, antes de abrir para uma visão “externa” do Mundo Invertido e, consequentemente, do buraco de minhoca que ele é… essa ponte entre o nosso mundo, que parte de Hawkins, até seja lá qual for o mundo que existe do outro lado, que Henry quer trazer para a Terra.

O conceito é lançado, explicado e, eventualmente, deixado de lado por ora – mas deve retornar em breve, porque vai ser importante para a conclusão da história. Enquanto isso, o pessoal no Mundo Invertido tem mais com que se preocupar, como o fato de Steve e Dustin precisarem resgatar Nancy e Jonathan, e eles compartilham uma cena LINDA na qual Dustin impede o Steve de arriscar a própria vida e, naquele momento, ele desaba: ele diz ao Steve que não quer que “isso aconteça de novo”, “não com ele”, e ele parece a criança de temporadas anteriores quando se permite chorar abraçado ao Steve, externando toda a sua dor e deixando evidente como ele ama o Steve, como ele precisa dele… e o Steve o abraça e o acolhe, e deve ser o momento mais importante dos dois na temporada.

A cena é perfeita em todos seus detalhes.

Em paralelo, Nancy e Jonathan também compartilham uma cena muito importante, com um quê de “Titanic”, depois de eles terem tentado arrombar uma porta, terem gritado por socorro e se refugiarem em cima de uma mesa enquanto a realidade ao redor deles parece estar derretendo… é, talvez, o momento de maior sinceridade entre eles quando eles fazem algumas “confissões” e quando eles percebem que o que os uniu foi um trauma compartilhado, e eles se amam profundamente, mas ao mesmo tempo em que eles parecem seguros na relação deles, eles também parecem sufocados. Então, Jonathan faz um “não-pedido-de-casamento” que é aceito por Nancy, em uma cena que pode ser entendida como um término e, assim, se torna o término mais lindo da história.

Outra cena lindíssima.

Will Byers, por sua vez, está desacordado de volta em Hawkins – está preso no Mundo Invertido, no lugar em que tudo começou, e Vecna está ali com ele, falando sobre as crianças como receptáculos e o mundo novo que ele quer construir… e sobre usar o Will como “espião” uma última vez. Enquanto isso, o retorno de Eleven a Hawkins é uma esperança para salvar Will: ela pode tentar resgatar o amigo. “I will find him. I will bring him home”. O retorno de El traz alguns confrontos de Kali com Mike e Hopper, e Eleven fala sobre quererem usar o seu sangue para fazerem mais “monstros” como o Henry, mas nesse momento o que importa é resgatar o Will, e ela o encontra e o desperta no Mundo Invertido… mas o seu despertar traz a eles uma notícia não muito boa.

Max está correndo perigo.

Gosto demais de como as coisas se intercalam, se complementam e se encaixam. Toda a trajetória de Robin e Lucas do lado de fora combina com a de Max e de Holly do lado de dentro e constroem uma mesma história eletrizante. Robin é quem começa a entender a grandiosidade do que está acontecendo com base no que Will vira antes de tudo dar errado… e se ele estiver certo sobre Holly e Max estarem em algum lugar juntas? O que há em comum entre Holly, Max e Will é justamente que todos estão desacordados… então, ela explica sua teoria de maneira muito visual, usando discos, e isso me encanta, porque gosto de como “Stranger Things” se faz acessível, mesmo tendo elementos complexos, e sua explicação sobre o transe com consciência compartilhada é excelente!

A resposta que eles procuram pode estar ali, com Max: ela pode ter descoberto muita coisa em todo o tempo que passou desacordada e não em um coma como eles pensavam… por isso, eles precisam ir até a Max! Assim que chegam ao hospital, no entanto, o caminho de Lucas e de Robin se separa… Lucas vai atrás da namorada, mas Robin é detida pela própria namorada, já que Vickie fala sobre como os policiais estão atrás dela por causa do roubo de drogas – e Vickie acredita que Robin usava drogas e, agora, está tendo uma crise de abstinência que a está fazendo ter todo tipo de alucinação… contar toda a verdade, enfim, não ajuda muito a Robin, porque é justamente esse tipo de história que faz com que a Vickie acredite que ela está tendo alucinações.

Bem… até que ela veja com seus próprios olhos.

Quando Eleven encontrou Will, ele falara sobre “ter tentado impedir o Vecna e não ter conseguido”, e o Vecna de fato o usou como espião uma última vez e agora sabe onde Max está – então, ele manda Demodogs ao hospital atrás de Max, e isso inicia uma corrida contra o tempo para salvar a sua vida! E, de quebra, ainda salva o relacionamento de Vickie e Robin, porque não tem como ela não acreditar na namorada agora… ela até ajuda com o alto-falante para que Robin passe uma mensagem ao Lucas, e as cenas se desenvolvem de maneira muito legal, com os quatro precisando fugir e recebendo uma ajuda quase inesperada – mas não tanto, porque a Sra. Wheeler já se mostrou disposta a enfrentar um Demogorgon para salvar a vida da própria filha.

Aqui, ela os enfrenta novamente.

Vecna está tentando cumprir uma promessa que fizera no início do episódio, quando perseguira Holly e Max e elas se refugiaram na caverna na qual ele não entra de jeito nenhum – ele dissera para Holly que ele tinha outras maneiras de fazer a Max sofrer e, quando isso acontecesse, Holly poderia voltar e se juntar às outras crianças ou podia assistir à sua amiga morrer. Max acha, ou quer achar, que ele está blefando, e agora acredita que um resgate está vindo, mas felizmente temos a Holly determinada o suficiente a não ficar parada aguardando: ela quer explorar o deserto ao redor e, quem sabe, descobrir alguma coisa… afinal de contas, se as teorias de Max estiverem certas sobre “Camazotz”, aquela também é uma memória de Henry e, a julgar por suas reações, esconde algo traumático…

Uma memória traumática pode levar a uma saída, não?

A responsabilidade que o roteiro colocou sobre Holly Wheeler a tornou uma personagem fascinante e importantíssima para a temporada. E ela estava certa, é claro… de fato há algo a ser descoberto no imenso deserto ao redor da caverna, e elas encontrando uma espécie de alçapão que leva a túneis subterrâneos e, como esperado, a uma memória traumática de Henry… um Henry Creel ainda criança, que foi atacado quando ofereceu a mão para ajudar, e que matou um homem a pedradas em um momento confuso e angustiante que Holly gostaria de entender. Mas elas não têm tempo para isso… enquanto o caos se instala do lado de fora, no hospital em Hawkins, Holly e Max tentam retirar uma série de pedras da entrada da caverna que pode levá-las à saída.

E as leva.

Por um momento, no entanto, Max diz que a Holly não poderá ir com ela, porque essa saída é dela e leva ao seu corpo, e ela precisará encontrar uma saída que seja dela, através de algo que a conecte ao mundo real – algo que não precisa necessariamente ser música, mas algo que tenha significado, algo que tenha história, que faça com que ela se sinta segura… algo como o totem de Holly, a Heroica, que lhe foi dado por Mike. A cena causa nervosismo porque ficamos o tempo todo temendo que a saída se feche, mas é muito bonito que Max não abandone a Holly depois de tudo o que Holly fizera, e as coisas que ela diz são lindíssimas, porque Holly não acredita em si mesma, não se vê como “Holly, a Heroica”, e Max a ajuda a ver que ela é… que ela foi extremamente corajosa repetidas vezes e que a salvou.

“You saved me, Holly Wheeler. You saved me”

Nesse momento, alguma coisa muda – o totem que simboliza Holly, a Heroica deixa de ser visto por Holly como um “brinquedo sem significado”, porque ela passa a entender que o irmão tinha razão, assim como a Max tem razão agora, e ela é realmente uma heroína… ela é Holly, a Heroica, e isso é algo poderoso o suficiente para conectá-la ao mundo real. Então, uma nova saída se abre, uma saída para Holly, e tanto ela quanto Max se preparam para “retornar”. A jornada de Holly ainda é longa, no entanto: ela despertará em algum lugar no Mundo Invertido, mas Max a instrui a encontrar a sua casa no Mundo Invertido e se esconder lá, que ela e os demais irão buscá-la… então, elas se despedem, prometem se ver “do outro lado” e fazem o que resta fazer…

Elas correm… para fora de Camazotz.

 

Para mais postagens de Stranger Things, clique aqui.

 

Comentários