Chosen Home – Episódio 9

Às vezes, é preciso dar um passo atrás.

Estamos prestes a encerrar “Chosen Home”, a série que se consolida a cada episódio como um dos meus BLs favoritos de 2025, e esse penúltimo episódio começa a fechar algumas tramas e a encerrar a história de alguns personagens. Vemos o desprezível Jin Ichigaya dar um passo decente, talvez o primeiro em toda sua vida; vemos Yoshida buscar algo que dê sentido à sua vida, enquanto ele tenta seguir em frente; vemos Tomoe retornando para casa, para descobrir que nem tudo vai ser tão simples quanto ela gostaria que fosse; vemos Hatano sugerir algo inesperado a Sakuta no planejamento que eles têm de seu futuro; e vemos Hotaru tomar decisões concretas em relação ao que ela quer fazer, desde que descobrira que queria fazer violões.

Yoshida é um personagem secundário de “Chosen Home” que contou boas histórias de maneira tímida e presente. O fim do seu relacionamento com Sakuta e a tentativa de voltar atrás quando já era tarde demais e ele estava com Hatano talvez o tenham feito se perguntar sobre o que ele queria de fato… ele segue conselhos como observar animais para se sentir melhor, e acaba inscrito em uma espécie de concurso de desenho no qual ele faz um autorretrato, e o desenho que ele faz acaba revelando algo sobre ele em que ele nunca tinha parado para pensar: ele não quer mais usar aquela aliança falsa. A aliança é uma maneira de se esconder, de se proteger de perguntas, mas também é uma máscara. Assim como Sakuta tem com Hatano, ele quer ter algo real.

“Ter algo real” Hatano e Sakuta já têm, e por mais que isso pareça óbvio para qualquer um observando do lado de fora, eles talvez só se deem conta disso agora, nesse episódio… eles estão há algum tempo pensando em comprar uma casa juntos, mas eles não estão conseguindo encontrar uma que atenda às especificações desejadas por eles e que também esteja dentro do orçamento que eles podem pagar – isso quer dizer que eles terão que fazer concessões, e não é exatamente o que eles desejam se estão mesmo comprando uma casa na qual morarão para o resto da vida. Aos poucos, então, Genichi Hatano começa a pensar se comprar uma casa é algo realmente essencial nesse momento ou se é algo que pode ficar para sempre… eles não precisam mais de um “grampo”.

Toda a ideia da casa surgiu de uma conversa que falava sobre “grampos” em uma relação, algo que os mantivesse juntos e que representasse a união deles ou algo assim, mas Hatano percebe que eles ficaram tão fixados na ideia de “uma casa como um grampo” que não se deram conta de tudo o que eles têm que já representa a relação deles e os mantêm unidos, como a casa na qual moram atualmente, a união oficial que conseguiram na prefeitura e, é claro, Hotaru. Acho bonita e madura a decisão de adiar a decisão de comprar uma casa: eles ainda farão isso, mas um dia, em algum momento do futuro, quando as condições se fizerem possíveis… no momento, eles têm motivos de sobra para estar felizes e acho que isso é extremamente saudável para a relação.

Enquanto isso, Jin Ichigaya segue andando pela cidade agarrado à mala com o dinheiro que fora desviado por Tomoe, sua ex-esposa, e que foi deixada aos cuidados de Hotaru – como se ele tivesse algum direito sobre aquele dinheiro. Eu sei que a série tende a uma “redenção” ou, ao menos, a um recomeço para Jin, mas ele é o personagem que eu mais detesto em “Chosen Home”, tanto por seu abandono parental quanto por sua homofobia escancarada, e ele “estraga” cenas importantes de Hatano e Sakuta enquanto eles estão na imobiliária, com seus comentários inoportunos. No fim das contas, ele é convidado a repensar o motivo pelo qual quer tanto aquele dinheiro e tem a chance de fazer algo certo: devolver o dinheiro para que Tomoe possa entregar à polícia e não ser presa.

Tomoe, por sua vez, retorna “sem realizar o seu sonho de coletar a coleção completa de chaveiros”, mas Hatano a incentiva a voltar pela filha e ela o faz. A cena entre Tomoe e Hotaru é bastante bonita, porque Hotaru recebe a mãe por a querer por perto, mas diz também que não a perdoou – é uma situação nebulosa e Hotaru está aceitando Tomoe novamente como mãe, mas não quer dizer que não doa tudo o que ela fez… o período de abandono, o sumiço sem dar notícias, o medo que ela sentiu ficando sozinha até que fosse amparada por Hatano há pouco tempo. Gosto muito da simbologia da cena de Hotaru levando Jin, Tomoe e Hatano como “seus responsáveis” à reunião na escola com Sakuta, na qual ela anuncia a sua decisão para o futuro…

Ela vai embora, ser artesã, fazer violões… ela tem um plano, enfim.

 

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