[Series Finale] Stranger Things 5x08 – Chapter Eight: The Rightside Up – Part 2: Killing Vecna and the Mind Flayer

“Suck it, Armstrong”

PARTE 2: MATANDO VECNA E O DEVORADOR DE MENTES. Com a chegada ao Abismo, o grupo que partira de Hawkins não se tornou apenas viajantes espaciais, mas, como eles definem, viajantes espaciais interdimensionais – o que não é para qualquer um! E é bom que seja um grupo grande, uma vez que o plano não está exatamente saindo como o esperado… a missão deles era, principalmente, resgatar as crianças que tinham sido sequestradas anteriormente por Vecna, mas eles esperavam que Eleven tivesse conseguido derrotá-lo dentro de sua própria mente, e não foi isso o que aconteceu. E é mais ou menos aí que começam alguns grandes momentos para Will Byers, o personagem com o qual “Stranger Things” começou e que ganhou grande desenvolvimento na última temporada!

Will consegue ver que Henry ainda está vivo. Conectado à mente coletiva, ele cai ao chão no Abismo e, enquanto o restante do grupo se reúne ao seu redor, ele fala sobre o que ele está vendo: Henry está vivo e ele entrou na caverna atrás das crianças… então, Will manda que os demais continuem, para resgatar as crianças, enquanto ele tenta deter o Vecna ou pelo menos atrasá-lo. Henry está enfrentando o seu próprio medo: entrar na caverna atrás das crianças depois do “resgate” de Holly vai contra o que ele definiu para si mesmo e lhe causa dor física, mas ele enfrenta isso e a dor fica mais tolerável a cada passo, e as crianças seguem correndo por suas vidas – dessa vez, para o deserto do outro lado da caverna, onde Holly sabe que existe uma saída.

Holly Wheeler é uma das grandes protagonistas da última temporada de “Stranger Things”, incontestavelmente. É ela quem guia as crianças através da caverna de uma memória dolorosa de Henry, é ela quem manda que eles não olhem e não acreditem em nada do que veem lá, porque “é só uma memória e não pode machucá-los” – “Eyes on me, Derek!” – , e é ela quem tenta enfrentar o Henry quando ele também desce àquele lugar, para a memória que ele nunca quis ver novamente… infelizmente, o ataque de Holly não afeta Henry, mas talvez o desperte para a memória que ele podia tentar ignorar, mas não consegue: e a cena de como a memória o afeta é uma das minhas favoritas desse episódio final, até porque são três “pessoas” reagindo à cena…

O Henry criança da memória, o Henry adulto/Vecna e o Will no Abismo.

E Will sabe que ele está assustado, muito assustado… Henry ecoa gestos de seu eu criança reagindo à memória, e quando a maleta é aberta, entendemos que aquele é o momento em que ele “se conectou” ao Devorador de Mentes – ou o momento em que ele se tornou seu escravo. Naquele momento, ainda, Henry era uma criança assustada, e aos poucos o Devorador de Mentes consumiu tudo: consumiu quem ele era, quem ele podia ser… o grito quando os dois se fundem vem novamente dos três – o Henry criança, adulto e o Will –, e é muito forte, com direito a excelentes atuações aqui. A maneira como os olhos de Henry estão cheios de lágrimas mexe conosco de uma maneira estranha, porque o que ele está sentindo, mesmo naquele momento, é muito confuso.

Inclusive para ele.

Então, Will tenta falar com ele, o que também se transforma em um grande momento para o Will. Ele diz a Henry que a culpa não foi dele, nunca foi dele, e é por isso que o Devorador de Mentes não queria que ele entrasse na caverna, porque não queria que ele descobrisse que, na verdade, ele foi usado… a montagem da cena e as atuações de Jamie Campbell Bower e Noah Schnapp causam arrepios, os dois estão excelentes! Will conversa com um Henry surpreendentemente em lágrimas quando diz que ele era só uma criança e ele foi usado… ele foi um receptáculo para o Devorador de Mentes e seu plano, que não era de Vecna, no fim das contas – Will tenta apelar a Henry, tenta mostrar o quanto eles são parecidos, e tenta pedir sua ajuda para que ele não deixe o Devorador de Mentes vencer

Mas é tarde demais para Henry Creel.

“It needs me. And I need it. We… are… one”

O Devorador de Mentes estava razoavelmente “dormente” até então, como se esperasse por essa decisão de Henry, e então ele se levanta – e eu gostei muito da sua representação como aquela criatura monstruosa e gigantesca que funciona perfeitamente como um vilão final de uma campanha de RPG. Visualmente, a luta contra um monstro gigante em outro mundo tem elementos tanto de ficção científica quanto de RPG, que é a ALMA de “Stranger Things” desde sempre, e é por isso que eu gostei, e eles se dividem para vencer a criatura, utilizando o conceito de mente coletiva: El entra para enfrentar Vecna, mas os demais ficam do lado de fora, com ataques que não são o suficiente para derrotar o Devorador de Mentes, mas pode enfraquecer a mente coletiva.

E, consequentemente, o Vecna.

Assim, é um trabalho em equipe – um ataque coordenado que funciona enquanto todo o grupo “joga” junto. E, felizmente, TEMOS UM GRANDE MOMENTO PARA O WILL TAMBÉM!!! Vecna estende a mão em direção a Eleven quando algo o detém, e antes mesmo de vermos, nós sabemos quem é, e eu confesso que dei um gritinho de emoção: é o Will, do lado de fora, agindo como ele agira ao matar três Demogorgons ou ao falar com Max através de Vecna – “I’m not afraid anymore.we’re not afraid of you”. É a força conquistada pela ausência de medo, enfim, que faz com que ele consiga atacar Vecna de maneira tão direta, e a sua participação na vitória é inegável, mas TODOS têm sua participação na queda tanto do Vecna quanto do Devorador de Mentes.

Com o Devorador de Mentes morto (ou ferido e adormecido?), o grupo de Hawkins se une a Eleven e a um Vecna moribundo do lado de dentro para fazer o que vieram fazer desde o começo: resgatar as crianças. E é um momento emocionante e catártico, com destaque para o abraço de Holly e Nancy e o Steve sendo absolutamente fofo acordando o Derek e limpando os seus óculos para ele, antes de o Derek se virar para ele e o abraçar. Então, Joyce termina de matar o Vecna de uma vez por todas, com uma série de machadadas que, a cada golpe, resgata flashes, traumas e histórias de cada um dos personagens nas temporadas anteriores… um toque de nostalgia com um quê de horror até que a cabeça do Vecna se separe do corpo – derrotado enfim.

Então, eles começam o caminho de volta. Do Abismo ao Mundo Invertido, onde ativarão a bomba para acabar com o buraco de minhoca que conecta os dois mundos e retornar em segurança para Hawkins. É um clima antecipado de vitória que precisa ser interrompido no momento em que eles atravessam o portal de volta para o lado de cá e se deparam com um grupo imenso de militares esperando por eles – afinal de contas, a Dra. Kay quer o sangue de Eleven para criar novas crianças como ela. No meio do desespero e dos gritos, não vimos o momento em que Eleven “desaparece” e se separa do grupo, mas quando a vemos novamente, ela está parada dentro do portal, do lado de lá, pronta para morrer junto com a explosão do Mundo Invertido, como Kali sugerira.

Mike tenta correr até ela, mas então ele é detido por militares e por ela mesma, que o leva para o Vazio para que eles possam conversar dentro da mente dela antes de sua possível morte. E é uma das cenas MAIS DOLOROSAS da história de “Stranger Things”, porque Mike torna a sua dor, ecoando a audiência, profundamente real. Ela pede que ele “ajude os demais a entenderem a sua decisão”, embora nem ele mesmo a entenda e a aceite, e, chorando, Mike a beija, a abraça e pede que ela não o deixe, mas ela finaliza com um “Goodbye, Mike”, e então ele está de volta do lado de fora, e todos assistem enquanto o Mundo Invertido explode, conforme o planejado, mas leva com ele uma pessoa que eles amavam… o grito de Mike é tão cheio de dor e de realidade…

Uma ferida que talvez nunca se feche.

Antes de partirmos para o “epílogo” do episódio, então, ganhamos esse momento de pura melancolia. As expressões de todos que viram Eleven desaparecer no meio da explosão inclui, além da dor natural, choque e incredulidade. Eu assisti com o mesmo pavor nos olhos, com a mesma sensação de que “aquilo não podia ser real”, e quando o Mundo Invertido desaparece e o portal se fecha, não há mais nada em seu lugar – não mais um buraco de minhoca que ligue Hawkins ao Abismo, mas também não existe mais a Eleven. O vazio causado pela sequência é intensificado pela trilha sonora e pelas expressões de cada um dos personagens. Sobre a possível dualidade do roteiro e sobre a “teoria” narrada por Mike Wheeler, eu deixarei para falar no meu texto sobre o epílogo…

 

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