Além do Tempo – O túmulo de Bernardo Castellini

“Seu pai não está aqui e nunca esteve. Meu Deus! Bernardo está vivo!”

Durante anos, Emília Diffiori lamentou a morte do grande amor de sua vida, Bernardo Castellini, e escolheu ficar em Campobello, onde eles se conheceram e viveram o seu amor, para que estivesse “perto dele” e pudesse visitar o seu túmulo sempre que quisesse… disposta a começar uma nova vida ao lado da filha em outro lugar, ela decide se despedir daquele lugar, embora vá levar Bernardo dentro de seu coração para sempre. A visita à casinha na qual ela, conhecida como Allegra, vivera com Bernardo no passado, no entanto, traz uma certeza para Emília: Bernardo ainda está vivo. Quem mais conhecia o esconderijo dentro da árvore no qual ele sempre deixava uma rosa vermelha para que ela encontrasse? Agora, ela não quer mais ir embora.

Lívia está, inicialmente, relutante com toda a ideia e acha que a mãe está fantasiando coisas. Até o momento em que se convence ela mesma de que o pai está mesmo vivo. Isso porque Emília “responde” à rosa deixando lá a cruz que sempre carregou no pescoço, e Lívia vê essa cruz pendurada na mão de um homem que a assusta quando ela está visitando o túmulo do pai à noite. Ela tem certeza de que é a cruz da mãe e nada lhe tira isso da cabeça: a cruz que a mãe deixara “para Bernardo”, porque sabia que ele a pegaria. Lívia não consegue parar de pensar nisso, e quando ela finalmente consegue recuperar a cruz, deixada pelo andarilho misterioso para ela sobre o túmulo, ela não tem dúvida nenhuma… “É o senhor, meu pai?”, ela pergunta.

Agora, Lívia sabe que a mãe estava certa e que, de alguma maneira, BERNARDO CASTELLINI ESTÁ MESMO VIVO. Quando ela fala sobre isso com o padre, no entanto, ele parece afetado… talvez afetado demais? Afinal de contas, eu entenderia a sua preocupação com a saúde mental de Emília e de Lívia se fosse apenas isso, mas ele chega a proibir Lívia de voltar a falar sobre isso, e parece quase ameaçador quando diz que é melhor que ela não diga nada para Emília e tudo o mais. Ele parece tão decidido a tirar essa ideia da cabeça de Lívia que eu fico me perguntando se ele sabe da verdade. Afinal de contas, a Condessa Vitória sabe que o filho não está morto e que o velório foi apenas de fachada, e talvez o padre tenha sido um cúmplice nisso tudo?

Ou segredo de confissão?

De todo modo, Lívia resolve contar a verdade para Emília, depois de se debater em indecisão por algum tempo. Ela devolve para a mãe a cruz que ela deixara na árvore da casinha e explica que a cruz foi encontrada no túmulo do seu pai, e então Emília decide o que fazer para provar para todo mundo que Bernardo está, sim, vivo: “Para calar a boca dos incrédulos, nós vamos abrir o túmulo do seu pai”. Lívia e Gema parecem achar um absurdo e um crime a ideia, mas não há nada que faça Emília voltar atrás… é um esforço hercúleo, e quando Emília comenta que elas “precisam da ajuda de um homem”, Ariel aparece disposto a ajudar: ela vai fazer isso de qualquer maneira, e ele quer mesmo que ela descubra, de uma vez por todas, que ele está vivo.

Então, eles abrem o túmulo, retiram o caixão e o abrem para encontrá-lo sem nenhum corpo, apenas com pedras… Bernardo não está ali e nunca esteve. Visivelmente mexida e emocionada, Emília diz a Lívia que aquele homem que estendeu a mão para ela naquela noite era o seu pai. E tudo muito novo, muito intenso e todos ainda têm que processar essa informação… o túmulo, deixado aberto, será consertado mais tarde por Ariel. Antes de ele ter a chance de fazer isso, no entanto, uma “excursão” de Rita e Felícia até a mata as leva até o túmulo de Bernardo, e elas se desesperam em uma cena hilária: “Rita do céu! O morto escapou da tumba, Rita!”. O problema é que elas contam para a Condessa… e agora ela saberá que alguém sabe seu segredo.

Também vemos o Bernardo pela primeira vez fora dos flashbacks de anos antes. Enquanto Emília, Gema e Lívia estão no túmulo, Ariel trilha um caminho pelas pedras até um lugar alto onde Bernardo tem vivido, cuidando das mais belas rosas vermelhas, amparado pela presença de um anjo. Ariel gostaria de levar Bernardo de volta para a sua esposa e para a sua filha, mas ele ainda não pode, porque Bernardo não está em suas melhores condições – ele ainda precisa de tempo. De todo modo, Ariel o visita regularmente, e é de lá que ele pede mudas de rosas para levar para Raul, por exemplo, que está voltando a trabalhar na casa da Condessa Vitória Castellini contra a sua vontade. Bernardo tem mãos abençoadas… ninguém cuida de rosas como ele.

 

Para mais postagens de “Além do Tempo”, clique aqui.
Visite, também, “Teledramaturgia Brasileira” em nossa página.

 

Comentários