Além do Tempo – A rosa na árvore e a certeza de Emília
“Foi seu pai que deixou pra mim essa rosa”
Existe um
túmulo com a foto de Bernardo Castellini, em um lugar que Emília Diffiori adora
visitar para se sentir mais perto do amor da sua vida, e que as crianças de
Campobello chamam de “túmulo mal-assombrado” – e elas têm mesmo motivo para
pensar dessa maneira! Quando Lívia resolveu visitar o túmulo do seu pai depois
de descobrir que ela mesma era uma Castellini, por exemplo, ela estava sendo
observada por uma figura misteriosa que fugiu para não ser visto… quando Rita e
as crianças acabam ali por perto, também, elas escutam barulhos que os fazem
pensar que existe alguém ali. Gosto de como “Além
do Tempo” não guarda tudo para depois, como tantas novelas fazem: Lívia já
descobriu que é uma Castellini e nós, espectadores, já descobrimos que Bernardo está vivo.
Portanto, é
ele o “fantasma” que ronda o “túmulo mal-assombrado”.
A Condessa
Vitória Castellini encenou um velório e um funeral para o seu próprio filho com
o único intuito perverso de fazer com que Allegra sofresse, e Emília passou
esses anos todos acreditando que Bernardo havia morrido naquele acidente que
estava programado para matá-la… ninguém sabe onde ele está, nem mesmo a própria
Condessa Vitória, mas ele está por aí – e quando Emília passa a ter certeza disso, nada vai fazer com que
ela deixe Campobello, embora essa tenha sido uma promessa que ela fizera a
Lívia… quando começa a se recuperar, Emília começa a falar sobre a
possibilidade de ir embora para um lugar distante e recomeçar a vida com a
filha, para que não precisem viver escondidas para sempre e para que Vitória
não possa fazer nada contra Lívia…
Também não
há muito o que fazer em relação ao incêndio na sua casa e taberna – ela nunca
vai conseguir provar o envolvimento da Condessa no crime. Então, ela fala com
Lívia sobre irem para a capital, onde haverá muito a fazer, onde Lívia poderá
dar aulas e elas poderão ser mãe e filha vivendo juntas e se redescobrindo, e
isso é tudo o que Lívia vem querendo há algum tempo! Isso não quer dizer que
ela vai se esquecer de tudo, e eu adorei ela respondendo ao padre quando ele
fala sobre recomeçar em um lugar novo, livre de ódio, mágoa e rancores: “O ódio, a mágoa e os rancores eu vou levar
comigo, padre”. Quando ela fala sobre visitar o túmulo de Bernardo uma
última vez antes de partir, no entanto, nós sabemos que algo vai fazer com que
ela mude de ideia…
E logo
descobrimos o que é…
Emília
Diffiori decide visitar a casinha na qual viveu tempos felizes ao lado de
Bernardo, e conta para Lívia e para Gema histórias sobre o amor deles, sobre
como ele sempre deixava uma rosa vermelha
em uma árvore para ela quando saía, por exemplo. A emoção de Emília ao
chegar ao local onde compartilhou sua vida com Bernardo é palpável. Adoro a
cena na qual ela corre para a árvore e mostra os corações que ele gravara para
eles há tanto tempo, mas que ainda estão ali, e mostra o buraco na árvore onde
ele deixava uma rosa… quando ela coloca a mão lá dentro e se espeta, então,
sabemos o que está ali: UMA ROSA VERMELHA. Assim como Bernardo sempre deixava
uma rosa vermelha para que Emília
encontrasse, agora ali está uma, no esconderijo dele…
Uma rosa
fresca, recente… que ele tem certeza que
foi o Bernardo quem deixou!
A emoção
consome Emília em uma velocidade assombrosa! Ela está certa de que só pode ter
sido o Bernardo a deixar aquela rosa ali: ninguém mais saberia do esconderijo
ou da simbologia da rosa, então tem que ter sido ele! Ariel observa de longe, o
único a entender e a acreditar… Lívia e Gema parecem levemente preocupadas, e
essa preocupação se intensifica conforme eles escutam Emília dizer, cada vez
com mais certeza, que aquela rosa significa que O BERNARDO ESTÁ VIVO. É com
isso em mente que ela entra na casa logo em seguida… um lugar tão cheio de
memórias, memórias essas que Ariel ajuda a trazer à vida quando ela vê um momento dos dois juntos, no dia em
que ela, como Allegra, contara para Bernardo que estava esperando um filho
deles…
“Nosso amor agora é de carne e osso,
Bernardo”
É tão
vívido, tão real, tão emocionante, e adoro como “Além do Tempo” apresenta a cena com a Emília de agora assistindo à
Emília e ao Bernardo daquela época. Ariel não quer que Emília vá embora, porque
ele sabe que Bernardo ainda está ali, e não é sutil a maneira como essa visita
faz a Emília mudar de ideia sobre ir embora, mas é sutil a interferência de
Ariel… a maneira como ele diz que pode voltar e deixar a casa como ela era antes
ou como leva o bandolim de quando ela era Allegra e diz que vai consertar – uma
cena curiosamente bonita. Não é surpresa quando Emília anuncia: “Eu não vou embora de Campobello enquanto eu
não encontrar o seu pai”. Quer dizer, não é surpresa para o espectador…
para a Lívia, parece ser, embora fosse óbvio que ela não ia mais querer ir
embora…
Agora, ela
tem o seu grande amor para reencontrar!
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