Vale o Piloto? – The Beauty 1x01 – Beautiful Pilot

Vírus da beleza.

É grotesco, bizarro e interessante. No dia 21 de janeiro de 2026, a nova série de Ryan Murphy & Matthew Hodgson, “The Beauty”, estreou com o lançamento dos três primeiros episódios, e a estreia é… curiosa. Eu não acho que seja uma grande obra-prima, tampouco acho que se distancie o suficiente de “American Horror Story” para justificar ser uma série separada, ainda mais uma série fechada que deve ter sua conclusão em uma única temporada, mas há algo de fascinante que me deixou preso durante todo o episódio, mesmo com as minhas possíveis ressalvas, e que me instiga a retornar para os próximos episódios. A série é baseada na HQ de mesmo nome de Jeremy Haun e Jason A. Hurley e será adaptada em onze episódios com lançamento até 04 de março.

A introdução da série é um vislumbre do que pode acontecer às pessoas infectadas pelo vírus que conheceremos no decorrer do episódio, e há um quê proposital de exagero que visa o choque e que não é distante do que o Ryan Murphy, responsável também pela direção desse episódio, costuma fazer. Conhecemos uma supermodelo que, durante um desfile, começa a agir de maneira violenta… sua busca incessante por água e mais água a torna agressiva com as pessoas no desfile, os fotógrafos do lado de fora, os clientes de um restaurante no qual ela entra, etc. A estranheza se acentua quando ela é atropelada no que deveria ter sido um acidente fatal e ela se levanta quase como uma zumbi, para mais tarde ela morrer de maneira chocante: explodindo.

Com toda essa sequência da supermodelo apresentada antes da abertura, como uma espécie de prólogo, partimos então para a apresentação dos protagonistas da série, os agentes do FBI Cooper Madsen, interpretado por Evan Peters, e Jordan Bennett, interpretada por Rebecca Hall, que são chamados para tomar ciência do caso – e eles percebem que é algo realmente grande quando descobrem todas as forças que foram mobilizadas para essa investigação conjunta, e que não é isolada. O estranho caso de “combustão” que fez com que a supermodelo “queimasse de dentro para fora” até a sua “explosão” não é único, mas apenas agora casos semelhantes estão sendo redescobertos a ponto de chamar a atenção e fazer com que eles percebam que há algo a ser investigado.

Em paralelo, conhecemos Jeremy, um homem insatisfeito com a sua aparência e com a maneira como ele parece “incapaz de encontrar uma pessoa com quem transar” que recebe uma mensagem com um telefone em um fórum de internet e vai atrás de uma “solução milagrosa” em uma clínica com um médico de aparência sinistra que promete lhe transformar “em um Chad”. Procedimentos estéticos padrões, no entanto, não parecem dar a Jeremy o resultado que ele esperava, e quando ele aparece de volta no consultório com uma arma e atira nas primeiras pessoas que encontra pela frente, o médico decide lhe oferecer uma “alternativa” e o leva para um quarto de hotel, onde ele transa com uma mulher bonita e acorda parecendo “contaminado”.

São 48° C de febre, vômito, dentes caindo e um casulo do qual ele sai novo.

Literalmente outra pessoa.

A “transformação” pela qual Jeremy passa ecoa as descobertas de Cooper e Jordan, sobre as mortes misteriosas de outros supermodelos que, em suas fotos antes da fama, pareciam outras pessoas. A autópsia da última supermodelo morta revela, também, a existência de um vírus desconhecido, pesado demais para ser transmitido pelo ar e que contamina as pessoas por secreções corporais – todos os supermodelos mortos anteriormente também testam positivo para esse mesmo vírus. Um vírus que eles ainda não entendem, e cuja força sugere que ele foi fabricado em laboratório (!), mas cujos efeitos já estamos desvendando: a beleza estonteante inicialmente; a sede, o fogo interno, a morte por combustão e explosão eventualmente. Como lutar contra isso?

Como eu disse: não é uma obra-prima, e eu tenho um ou outro problema com o episódio de estreia, embora a maior parte da estranheza e do desconforto sejam propositais… e a premissa me interessa bastante! Além disso, estou com saudades de ver o Evan Peters atuando em produções do Ryan Murphy, e eu preciso dizer que ele estava lindíssimo e muito gostoso em toda aquela sequência no quarto de um hotel barato com Jordan, quando eles se perguntam se estão fazendo errado por transarem sem compromisso mesmo sendo parceiros de trabalho. Acho que há espaço para que “The Beauty” explore temas como a ditadura da beleza, a busca incessante pela chamada “perfeição”, com uma pitada de investigação policial que me chama a atenção.

Estou investido o suficiente para ver aonde isso vai chegar!

 

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