Glee 4x18 – Shooting Star

“Say what you need to say”

ÚLTIMAS CHANCES. Exibido originalmente em 11 de abril de 2013, “Shooting Star” é o décimo oitavo episódio da quarta temporada de “Glee” e é um episódio mais sério e triste do que o normal. Sem Nova York e com apenas três músicas, o episódio que começa com a previsão de um meteoro-asteroide-cometa feito por Brittany faz com que a tarefa da semana proposta por Will Schuester leve os jovens a pensarem em “últimas chances” e em todas as coisas que talvez fiquem não-ditas, e isso se torna absurdamente real quando eles escutam dois disparos de uma arma de fogo no McKingley High. A possibilidade de um ataque gera um trauma real e todos os sentimentos estão à flor da pele enquanto eles se escondem e temem pelas próprias vidas.

É um episódio surpreendentemente forte. Chorei bastante o revendo agora.

Antes dos disparos, temos duas histórias se desenvolvendo. Uma delas é de Ryder finalmente vendo pessoalmente a garota com quem ele tem conversado na internet – ou quem ele acredita que ela é. Exageradamente iludido, Ryder dedica a ela “Your Song”, a música do Elton John ou do Ewan McGregor em “Moulin Rouge!”, mas depois descobre que o nome da garota é Marissa, não Katie, e que ele foi enganado: alguém usou a sua foto, mas não era ela com quem ele estava conversando… então, ele surta, acusa Marley e Jake de o terem enganado e diz que entende que ele errou com eles e passou dos limites, mas não precisava ser humilhado dessa maneira, mas eles garantem que não foram eles… e, agora, Ryder quer descobrir quem estava por trás das mensagens.

Brittany, por sua vez, lida com “assuntos inacabados” com Lord Tubbington, o seu gato, o que nos rende algumas das melhores linhas de diálogo do episódio, e a apresentação de “More Than Words”, que é acompanhada por Sam, mas é inteiramente dedicada ao Lord Tubbington. No fim das contas, o meteoro-asteroide-cometa de Brittany era apenas uma joaninha morta na lente do seu telescópio, que, por sua vez, nunca foi um telescópio de verdade, apenas um tubo de batatinha vazio. Brittany também tem uma cena muito bonitinha com a Becky, na qual a Becky fala sobre ela ter medo do mundo depois da escola, e convida Brittany a ficar com ela no Ensino Médio e nas Cheerios para sempre… elas não precisam se formar. Brittany é uma querida aqui!

Então, o episódio vira. No momento em que uma arma dispara duas vezes, começamos o que pode ser a sequência mais angustiante da história de “Glee”, talvez porque seja um retrato de um terror real que assolou e assola tantas escolas. A série dedica-se, aqui, a algo linear e centrado que entende a gravidade da situação e deixa de lado quaisquer piadas – é visível o medo e a angústia dos estudantes que se reúnem na sala do glee club, bem como a Tina, que está do lado de fora porque chegou atrasada e é impedida de entrar até que o prédio seja liberado pela polícia, e ela não sabe o que está acontecendo lá dentro com seus amigos e sua família, mas talvez o que mais mostrou a seriedade da situação seja a cena de Brittany no banheiro, escondida em cima de um vaso, chorando em silêncio.

Não é uma brincadeira… o pavor é real e eles estão treinados para esse tipo de situação. Eles apagam as luzes, espalham coisas, fingem que as salas estão vazias, se escondem e se acolhem. O medo é compartilhado e toma conta de todos: a mãe de Marley deixa o fogão ligado porque não pode sair para desligá-lo, e o telefone distante enquanto a filha liga e ela não consegue atender. A sequência se prolonga pela maior parte do episódio, fazendo com que prendamos a situação e nos sintamos parte daquele grupo em silêncio e com medo, e alguns deles fazem confissões… Kitty fala sobre como ela diminuiu os figurinos de Marley durante “Grease” para fazê-la pensar que estava gorda e pede desculpas por isso, e depois corre para abraçar a Unique.

Cada movimento é marcado por tensão. Eles precisam ficar em completo silêncio, sua presença não pode ser detectada, e temos uma cena bem forte quando Sam ameaça sair porque quer encontrar a Brittany, e o Will e a Beiste precisam segurá-lo. Eles o detêm, tapam a sua boca e o impedem de gritar e/ou de fazer ainda mais barulho, porque ao fazê-lo, ele está colocando em perigo a vida de todos naquela sala. O desespero de Sam é palpável, o seu choro é sentido, mas ele sabe que o que Will disse é certo… é muita lágrima e muito trauma. Will acaba arriscando-se para sair em busca de Brittany, e resgata não apenas a ela, mas a outros dois jovens no banheiro: o medo de Britt ao ouvir passos no banheiro e depois o alívio ao ver que se trata de Will…

PALPÁVEL.

Quando eles escutam o anúncio da polícia de que “está tudo limpo”, as luzes se acendem, as pessoas se levantam, eles abraçam e agradecem por estar uns com os outros e todos bem. No dia seguinte, a polícia está revistando todos os armários e salas, e quem entra no prédio precisa passar por um detector de metais, mas nada volta ao normal, não tem como… Will fala sobre não conseguir esquecer a expressão no rosto dos adolescentes na hora do tiro e sobre como algo foi roubado deles naquele dia. A inocência, a esperança. Independentemente do que foi, o trauma foi real, e a sensação de insegurança é duradoura. Gosto de como a série lida com essas reações depois, como na conversa de Sam e Brittany ou na conversa de Tina e Blaine…

Sue resolve confessar e dizer que a arma era sua e foi ela quem a disparou sem querer enquanto a limpava, mas não acreditamos nela nem por um segundo… por algum motivo, no entanto, ela está se entregando e aceitando a punição que lhe cabe, lamentando tudo que fizera de bom que será obliterado pela única coisa sobre a qual a lembrarão: ter disparado uma arma em uma escola. O próprio Will não acredita em Sue e, enquanto ela está arrumando as coisas para ir embora, tenta conseguir dela a verdade, mas ela mantém a história que contara ao Diretor Figgins… nós, no entanto, recebemos a verdade: Sue confessou para cobrir a Becky, que trouxera a arma do pai de casa, por estar “se sentindo com medo”, e ela cuidou de Becky e a fez soltar a arma…

Foi aí que ela disparou acidentalmente.

É absurdamente triste… a atitude de Sue Sylvester é honrada, e Becky é uma das poucas pessoas por quem ela se sacrificaria dessa maneira, mas não deixa de ser triste ao extremo. E ela vai embora. E quando a escola toda é convocada para uma assembleia, o pessoal do New Directions se reúne para uma “reunião clandestina” no auditório, onde eles celebram estarem bem, ao som de “Say”. É uma música leve e calma, acompanhada pelo violão, que tem tudo a ver com o momento e que ajuda a fechar esse episódio. “Shooting Star” termina trazendo alguns dos depoimentos que Artie gravara na sala enquanto eles estavam escondidos sem saber o que estava acontecendo, e tem tanta coisa naquelas mensagens… chorei junto com eles.

 

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