Supernatural 1x14 – Nightmare

Premonição.

Exibido originalmente em 07 de fevereiro de 2006, “Nightmare” é o décimo quarto episódio da primeira temporada de “Supernatural” e, em poucas palavras: QUE EPISÓDIO EXCELENTE! Sam Winchester sempre foi o meu personagem favorito na série, e eu gosto muitíssimo de toda a aura de mistério que o envolve nessa primeira temporada, quando ainda não entendemos o porquê de ele ter sonhos premonitórios com eventos como tivera com a morte de Jessica – é uma era antes da real caçada à coisa que matou Mary mais de 20 anos antes que me interessa bastante, e que a série sabe conduzir muito bem. Dessa vez, os “poderes” de Sam ficam mais evidentes quando ele começa a ter premonições não apenas enquanto está dormindo, mas também durante o dia.

Seu primeiro sonho é com Jim Miller, um homem que é misteriosamente morto em sua garagem por algo que o prende dentro do carro, liga o motor e o mata asfixiado, fazendo com que tudo fique parecendo um suicídio – Sam desperta o irmão, faz ligações no caminho para tentar descobrir nome e endereço da vítima com quem sonhou, mas quando ele finalmente chega à casa de seu sonho, já é tarde demais: o homem já está morto e Sam se pergunta qual é o motivo de ele ter esse tipo de premonição se ele não vai ter a chance de impedir essas mortes? Sam sabe que aquela morte não vai gerar uma investigação, porque ela é tida como suicídio, mas ele também sabe que há algo sobrenatural envolvido, e a primeira coisa que eles têm que fazer é falar com a família.

Aqui, temos um dos melhores “disfarces” de Sam e Dean, um que faz o Sam comentar que “dessa vez, eles baixaram demais o nível”: ELES SE PASSAM POR PADRES. Afinal de contas, a família está abalada demais para falar com policiais ou investigadores, e eles acreditam que uma figura religiosa seja a melhor escolha, e eles realmente conseguem entrar na casa, conhecer o irmão do homem que morreu, a sua esposa e o filho, Max, que foi quem encontrou o pai na garagem… uma figura importantíssima para a história do episódio. A visita à casa, no entanto, não revela nada do que eles talvez esperassem encontrar: nenhum sinal de espírito, nenhum evento estranho como luzes piscando ou rangidos cuja origem os moradores desconhecem… nada.

Também não há nada na história da casa desde que ela foi construída, nada no terreno, e eles se perguntam se isso talvez seja algo ligado à família – existem casos de espíritos vingativos que ficam presos a uma família e não a um lugar ou objeto. De todo modo, antes de seguir com a investigação, Sam e Dean são convidados a tentar salvar outra vida quando Sam tem mais visões, dessa vez durante o dia, e ele descobre que a coisa que matou Jim vai, agora, matar Roger Miller, seu irmão. O problema é que Roger Miller é um homem que não tem nenhum interesse em religião e, portanto, não quer nem falar com os “padres” quando eles aparecem na sua casa tentando fazer com que ele os escute… então, ele sobe sozinho para o apartamento e, quando Sam e Dean chegam, ele já está morto.

Essa segunda morte, no entanto, começa a colocá-los no caminho correto para a resolução do caso: investigando a família em si, os Winchesters descobrem a casa na qual os Millers moravam antes, e uma visita ao local rende uma conversa com um vizinho que fala sobre os maus-tratos sofridos por Max quando ele morava ali: pelo pai, o tio e a madrasta… sua mãe morrera pouco antes, em um acidente. O vizinho até fala sobre as denúncias que fizera, mas que nunca deram em nada. Como se essa conversa já não fosse reveladora o suficiente, a próxima visão premonitória de Sam, que acontece ali mesmo, no meio da rua (!), revela tudo sem dúvidas: é o próprio Max quem está matando essas pessoas, usando o poder de telecinese… e ele vai matar a madrasta.

A situação é muito mais complicada do que “um monstro comum”. Há muita dor e muito trauma na “conversa” que Max tem com a madrasta na qual ela fala sobre como “ela nuca fez nada” e ele concorda, dizendo que ela assistiu enquanto fingia que nada acontecia e nunca tentou salvá-lo dos maus-tratos que sofria do pai e do tio… e mesmo agora, quando ela diz que “sente muito”, ele sabe que não é verdade, e que ela só está com medo porque sabe que vai morrer. Dean parece disposto a matar o garoto “como eles fazem com qualquer monstro”, mas Sam não o vê dessa maneira: ele é um ser humano cheio de cicatrizes que precisa de ajuda. Por isso, Sam pede que Dean lhe dê a chance de tentar conversar com Max, e eles chegam a tempo de impedir o próximo assassinato e ganham cinco minutos…

Ou quase.

Quando Max está saindo para conversar com Sam e Dean, ele vê no espelho a arma que Dean está carregando e percebe que eles não são padres e que podem querer fazer algo contra ele, então tudo vira um caos, com a arma apontada para os Winchesters e o Sam clamando pela chance de conversar com ele, porque “ele está ali para ajudar”. A conversa de Max e Sam é fortíssima… toda a dor que Max carregou com ele a vida toda o transformou em quem ele é, o medo constante em que ele sempre viveu, esperando a próxima surra, e isso não acontecia apenas “quando ele era criança”: ele levanta a blusa para mostrar para Sam as marcas da última vez que apanhou do pai, na semana anterior… é por isso que, quando “ganhou” esses “poderes”, ele resolveu usá-los.

A conversa acaba sendo mais reveladora do que o Sam ou a própria audiência esperavam, e mostra que talvez haja um motivo pelo qual o Sam estava tendo visões dessas mortes… Max fala sobre como o pai sempre o culpou pela morte de sua mãe, porque “ela morrera no seu quarto e o pai disse que a viu grudada no teto e, depois, ela pegou fogo”. É exatamente como a morte de Mary e a morte recente de Jess, então seja lá o que for que está por trás dessas mortes, é a mesma coisa que pegou ambas as mães… e talvez por isso eles estejam conectados, embora o Sam ainda não entenda tudo completamente. É como se eles tivessem “sido escolhidos”, mas por quem e para quê?! E Sam percebe, também, que a sua infância poderia ter sido a mesma de Max…

Felizmente, John reagiu diferente a Jim.

Max não é o vilão aqui, mas ele está quebrado demais para seguir em frente. Então, ele recusa a ajuda de Sam, o prende dentro do armário e desce – assistimos à morte de Dean, que tenta salvar a madrasta de Max, assim como assistimos às visões em “Premonição”, antes de saber que estamos dentro de uma, e então Sam consegue usar ele mesmo algum poder de telecinese para mover uma cômoda pesada do lado de fora do armário no qual ele está preso e descer as escadas a tempo de salvar a vida do irmão… Sam tenta convencer Max de que aquela não é a solução, que eles podem ajudar e que aquilo “não vai consertar nada”, e Max parece concordar com ele, mas Sam não percebe o que Max entendeu de sua frase antes que seja tarde demais e Max tire a própria vida.

Infelizmente, não havia mais retorno para Max… no fundo, o Sam sabe disso, mas ele não consegue deixar de se culpar, ele fica pensando que ele poderia ter dito alguma coisa diferente, poderia ter tentado se aproximar de Max de outra maneira e quem sabe ele não precisaria ter morrido, mas o Dean tenta tirar essas preocupações de sua cabeça. Também existem outras dúvidas rondando a mente de Sam: ele se pergunta se o que quer que tenha matado a Mary e a mãe de Max não estava, na verdade, atrás deles e, nesse caso, se eles não são culpados pelas mortes de suas mães, e é outra coisa na qual Dean não quer que o Sam pense. Dean tenta agir como se ele não estivesse, também, cheio de perguntas… no fundo, ele está tão apavorado quanto o irmão.

 

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