Desventuras em Série 2x09 – O Espetáculo Carnívoro: Volume 1



“They’re not orphans if one of the parents is still alive!”
Talvez o mais legal de “Desventuras em Série”, como uma adaptação da Netflix, seja o fato de que o próprio Daniel Handler está por perto, escrevendo o roteiro de alguns episódios, supervisionando outros, e isso permite que mesmo fãs dos livros há anos, como eu, se surpreendam. Como sempre falamos, os livros de “Desventuras em Série” são narrados do ponto de vista dos Irmãos Baudelaire, e ainda que Lemony Snicket faça algumas interferências e nos provoque com histórias sobre Beatrice e sobre o açucareiro, por exemplo, isso nunca chega a estar em primeiro plano, e sabemos o que as crianças sabem, de modo geral… vamos descobrindo C.S.C. apenas através delas, por exemplo… na série, a adaptação permite uma exploração maior dos detalhes e de coisas que estão acontecendo ainda sem o conhecimento dos Baudelaire.
E assim nós temos RESPOSTAS pelas quais nem esperávamos.

For Beatrice –
Our love broke my heart,
and stopped yours.

A primeira parte de “O Espetáculo Carnívoro” começa com um ELETRIZANTE e inesperado flashback que nos leva até a sede de C.S.C. nas Montanhas de Mão-Morta, em algum tempo antes de os Baudelaire nascerem. Ali, revemos personagens como o Larry, o Tio Monty, a Jacquelyn, a Dr. Orwell e, principalmente, a Tia Josephine, dançando corajosamente. Um bilhete circula pelo baile de máscaras que reúne tantos voluntários de C.S.C., um bilhete que diz: “Olaf knows”. O bilhete, em forma de aviãozinho de papel, chega até Lemony Snicket (!), e então ele sai desesperado para salvar uma mulher vestida de libélula na beira de um penhasco, enquanto o Conde Olaf se aproxima perigosamente: BEATRICE. Como esses momentos de Beatrice me emocionam! Na narração atual, Snicket comenta sobre como “há muito tempo, num baile de máscaras, um bilhete chegou tarde demais para salvar a mulher que amava”.
Então chegamos ao aguardadíssimo Parque Caligari, e o roteiro é um pouco diferente do livro, porque o Conde Olaf não conhecia a famosa “Madame Lulu”. Então, a mulher precisa convencê-lo a acreditar nela (“I know you were brought here by a series of unfortunate events”), dizendo algumas coisas interessantes e usando de truques. Quando o Conde Olaf pergunta sobre o “sobrevivente do incêndio Baudelaire”, ela diz que a bola de cristal só responde a uma pergunta por dia, pela manhã, então o Conde Olaf e sua trupe ficam do lado de dentro da barraca, bebendo, enquanto os Órfãos Baudelaire procuram pelo porta-malas do vilão o que eles podem usar para se fantasiar de aberrações e pedir um emprego. Assim nasce tanto Beverly-Elliot, a aberração de duas cabeças, como Chabo, o Bebê-Lobo, mas que não é peludinho.
Como diz Lemony Snicket: há poucas coisas no mundo piores do que uma entrevista de emprego. Ali, tentando conseguir uma vaga com as aberrações do parque, Violet e Klaus são obrigados a comer uma espiga de milho de forma nojento, enquanto o Conde Olaf os humilha e a trupe, completamente bêbada, ri maldosamente deles… é tão nojento de assistir quanto foi de ler. Já Sunny como Chabo, o Bebê-Lobo, fica absolutamente fofa… eles deixam a barraca de Madame Lulu com gritos ultrajantes de “Not like us! Not like us! Not like us!” e são recebidos no trailer das aberrações por um grupo de “aberrações” que não tem nada de tão aberrante assim. Hugo é corcunda, Colette é uma contorcionista, e Kevin é ambidestro. E vou dizer: não esperava o Robbie Amell na série, e ele estava absolutamente gato (claro) como Kevin, “a aberração ambidestra”.
Foi inteligente escalarem um ator BONITO como o Robbie Amell para ser uma “aberração”, porque isso só intensifica o quão absurdo é que eles se sintam dessa maneira, e que eles sejam tratados tão mal… lembro-me de ler o livro e pensar o quão ridículo era aquilo tudo, e o quão revoltante. Eles continuamente reclamavam sobre coisas que não precisavam reclamar, e é mais ou menos o que os Baudelaire dizem a eles quando Kevin diz que é uma “aberração” e eles perguntam: “Por causa de suas feições incrivelmente adoráveis? Ou por causa do seu queixo simétrico?” De todo modo, eles estão convencidos de que são aberrações e que não teriam outra chance de emprego que não aquela, e é mais ou menos o que Sunny diz: “Exploitation”.
Na manhã seguinte, o Conde Olaf conversa com Madame Lulu, e ela traz uma série de efeitos como gelo seco para tornar tudo mais crível, e até um “fantasma de seu passado”: Beatrice vestida de libélula naquele baile de máscaras na sede de C.S.C. Então ela responde à pergunta: sim, há um sobrevivente do incêndio. Assim, extremamente mal-humorado, ele manda que o homem de mãos de gancho agilize o show, e é crueldade como as crianças ficam esperançosas, mas não têm muito tempo para pensar nisso, porque precisam subir ao palco e serem humilhadas. A cena do show, agora, é apresentado pelo Conde Olaf de forma musical, e embora eu tenha achado que ficou bacana de se assistir, isso amenizou um pouco o horror da cena, que era repleta de humilhação descabível… de todo modo, parece que foi humilhante para Violet e Klaus.

“No one needed to witness the horrible and humiliating scene that followed”

Mas a impressão, talvez, seja de que os Órfãos Baudelaire nunca foram tão infelizes desde que isso tudo começou, e em parte porque, talvez, é a primeira vez em que eles precisam se passar por outras pessoas, e é quase como se eles não fossem mais eles mesmos. Olaf está no limite ultimamente, com a notícia que Madame Lulu lhe deu (“They’re not orphans if one of the parents is still alive!”), e sai para “conseguir um presente” para o Parque Caligari, enquanto isso, Violet, Klaus e Sunny invadem a Barraca da Fortuna em busca de respostas, porque Madame Lulu, fraude ou não, está conseguindo essas informações de algum lugar. Ali dentro, as crianças podem despir-se de seus disfarces e voltarem a ser elas mesmas, e parece um imenso peso tirado das costas quando eles finalmente podem fazer isso… e aquela cena na Barraca é repleta de DESCOBERTAS.
Inicialmente, eles sofrem ao descobrirem que Madame Lulu é uma farsa, porque isso quer dizer que ela não sabia do que estava falando, e usou o Pundonor Diário como fonte de informação, então seus pais realmente não sobreviveram. Depois, no entanto, se deparam com fitas e mais fitas sob a bola de cristal, e ali eles podem respostas de verdade, afinal. O processo de descoberta ME DEIXOU SEM FÔLEGO. A fita do Baile de Máscaras de C.S.C., pessoas como Josephine, Monty, Orwell. O armário com um kit de disfarces, alguns dos quais já foram usados pelo Conde Olaf. O vídeo sobre as mensagens secretas nas legendas dos filmes. A foto na frente da Serraria, “dos quatro noivos”. Então, deixando-nos mais apreensivos a cada segundo, revelações são feitas, enquanto os Baudelaire juntam pedaço e pedaço de informação e chegam a conclusões. Os disfarces. Os códigos secretos. Os fogos apagados.
Uma organização secreta.
Uma mesma organização secreta da qual todas essas pessoas são parte.
Volunteer Fire Department. Corporação pelo Salvamento das Chamas.
V.F.D.
C.S.C.
Foi cedo, me parece. Embora tenhamos tido dicas na primeira temporada sobre C.S.C., com o olho em todo lugar, a luneta e as mensagens nas legendas, nunca chegamos a ouvir falar sobre a sigla, e isso tudo está concentrado na segunda temporada. Naturalmente, ainda há MUITO a ser explorado no terceiro ano da série, mas eu não esperava que tivéssemos essa resposta agora. Foi um episódio de revelações, sobre C.S.C., sobre Beatrice, sobre o açucareiro (“A crystal ball cannot predict how a dragonfly might set off na avalanche by flapping its wings or a woman in a dragonfly costume will set off a series of unfortunate events by stealing a sugar bowl”), e ao fim do episódio, os Baudelaire ainda ganham uma bem-vinda companhia: a verdadeira identidade por baixo do disfarce de Madame Lulu: OLIVIA, A BIBLIOTECÁRIA. Mas não se deixe enganar…
As coisas só vão piorar daqui para frente…

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