Stranger Things 5x04 – Chapter Four: Sorcerer



“And that’s when it hit me. It was never about Tone-deaf Tammy. It was always just about me. I was looking for answers in somebody else, but… I had all the answers. I just needed to stop being so goddamn scared. Scared of… who I really was. Once I did that, oh, I felt so free. It’s like I could fly, you know? Like, I could finally be…”

 

QUE EPISÓDIO DE TIRAR O FÔLEGO! É verdade que, tendo iniciado em 2016, “Stranger Things” levou quase 10 anos para contar sua história em cinco temporadas, mas eu gosto muitíssimo do que eles fazem! O Volume 1 da quinta e última temporada de “Stranger Things” se encerra com “Chapter Four: Sorcerer”, que não é apenas o maior episódio da temporada até aqui em questão de tempo – é, de fato, um episódio grandioso, com um momento maravilhoso para Will Byers! Gosto do inusitado tom de comédia assumido pela série em vários momentos, gosto de como toda a sequência da Max com Holly começa a trazer respostas interessantes sobre a prisão de Henry, e gosto de como a tensão se intensifica na construção do primeiro grande clímax da temporada.

E o resultado é uma sequência incrível!

“Sorcerer” já é incrível desde seus primeiros minutos, e eu gosto do gostinho de caos que define alguns posicionamentos para esse episódio final. Derek tenta escapar de Joyce – ou da “sequestradora maligna”, como ele a chama –, porque não acredita nessa coisa toda de “monstros que estão vindo atrás dele” – até que… bem, monstros de fato venham atrás dele. Will percebe a sua chegada antes de o Demogorgon aparecer na porta do celeiro para onde levaram Derek, e enquanto Joyce lida com o monstro e Derek percebe que o que eles estavam dizendo era verdade, Steve, Dustin, Jonathan e Nancy atravessam para o Mundo Invertido para tentar rastrear o Demogorgon até o covil que pode levá-los ao Vecna, e acabam batendo na parede indecifrável.

A aparição do Demogorgon em busca de Derek, depois de já terem levado Holly Wheeler recentemente, é uma evidência de que Vecna tem um plano muito maior em ação, e um desenho feito por Will na parede do celeiro e algo que Mike e Lucas presenciam os levam a entender que Henry está marcando uma série de vítimas que ele pretende levar para o Mundo Invertido… e como os militares estão pegando todas as crianças de Hawkins dentro da idade em que elas costumam ser levadas, o grupo precisa de alguém lá dentro para ajudar: e quem melhor para se infiltrar do que a única criança na idade certa que não foi levada? Assim, Derek se torna um deles, com a missão de descobrir qual daquelas crianças conhece o “Sr. Quequeé”: elas são os alvos de Vecna.

Enquanto isso, Steve e o seu grupo tentam entender a “parede” na qual bateram, e Dustin é quem consegue desvendar um pouco do que se trata – ou, ao menos, entender que esse muro é um círculo ao redor de todo o Mundo Invertido, que está contido dentro dele… e o seu centro é o Departamento de Energia, ou seja, o laboratório de Hawkins onde tudo começou, de onde se originou o Mundo Invertido e, consequentemente, a parede/o muro que eles estão vendo ali. Também no Mundo Invertido, Hopper e Eleven tentam chegar até o laboratório da Dra. Kay e atravessar uma porta até o que quer que esteja do outro lado, e que El acredita que pode ser o Vecna… há tensão, também, em todas as cenas dos dois, que culminam não em Henry, Vecna ou o 001…

Mas na 008, a irmã de Eleven.

Também acompanhamos Max explicando algumas coisas para Holly Wheeler, coisas que parecem conter mais respostas do que uma olhada simples parece demonstrar. A começar pelo fato de que elas estão em um lugar que parece muito diferente – não parece o nosso mundo, mas tampouco parece o Mundo Invertido, pelo visual, pelas cores… e Max precisa que Holly confie nela, o que ela não quer fazer a princípio, porque acredita que quem enviou para ela o recado a chamando para aquele lugar foi Henry e que “Max deveria estar em coma”. De alguma maneira, ela está… em algum lugar distante, de volta em Hawkins, ela está em coma, mas ela também está ali, em um lugar no meio daquelas rochas que ela “transformou” em algo próximo de uma casa.

Em uma memória.

Max fala sobre como aquele parece um lugar bonito, mas aquele lugar, aquele mundo todo é uma prisão – A PRISÃO DE HENRY. Max explica que ela acredita que realmente esteve morta, não sabe por quanto tempo, até que ela ouviu algo a chamando e despertou naquele lugar… ou em uma memória de Henry. Ela acorda no laboratório que já foi um cenário importante de “Stranger Things” anteriormente, de onde Eleven exilou Henry para outro mundo, e de lá ela sai para a escola de Hawkins, em 1959, mas ela sabe que não está ali de verdade, que ela é uma mera espectadora. Max entende, então, que está presa dentro da mente de Henry, de memórias que funcionam como uma prisão para ele também, um labirinto do qual ela precisa encontrar uma maneira de escapar…

Como Holly diz: como Camazotz, em “Uma Dobra no Tempo”.

Pulando de memória em memória, Max quase encontrou o seu caminho de volta. Ela retornou ao laboratório onde tudo começou e, de lá, ela partiu para uma memória na qual ela estava presente… a primeira memória de Henry com ela, até chegar à noite em que Vecna a matou. Ela chega a ver uma saída, ela esteve a passos de atravessar e despertar no hospital, onde Lucas segurava a sua mão, mas o fim da sua música fez com que a passagem se fechasse e ela fosse descoberta novamente por Henry… então, ela correu, correu até chegar àquele lugar, até finalmente sentir que ela estava tão segura quanto poderia estar porque algo faz com que o Henry pare: há medo nos seus olhos do lado de fora daquelas pedras que não o deixam entrar, então aquele virou o santuário de Max.

Agora, no entanto, ela tem um plano para escapar.

E precisa da Holly para isso.

A quinta temporada de “Stranger Things” é feita de jornadas: pessoais, em grupo, épicas, íntimas. “Sorcerer” é muito sobre a jornada de Will Byers, do momento em que Mike o chama de “Feiticeiro” e fala sobre como “eles precisam de um pouco de magia” ao momento em que o Will parece despertar, e isso só é possível graças à Robin e tudo o que ela diz e representa… Robin vê a conversa de Mike com Will e percebe, porque nos reconhecemos, o que Will sente, então ela lhe conta a história de Tammy Thompson, uma garota por quem ela fora apaixonada e que começara a namorar o Steve algum tempo depois, e que a ajudou a entender que ela estava procurando as respostas nas outras pessoas quando ela já as tinha dentro dela… Robin é extremamente sábia em sua fala…

Ela fala sobre deixar de ter medo de ser quem era e de finalmente se sentir livre…

Tão livre que poderia voar.

Sinto que isso está ressoando dentro da mente de Will durante todo o restante do episódio, até o momento em que isso explode. Will é parte da missão à base militar para onde as crianças foram levadas, e de onde eles precisam tirá-las para salvá-las de Vecna. Eles têm os conhecimentos de Robin a seu favor e a ajuda de Derek lá de dentro para atravessar crianças pelo banheiro até um túnel subterrâneo, e as coisas começam bem, mas eventualmente não saem como o planejado quando um cano de água começa a vazar e Will e Mike precisam conter a água – é particularmente divertido ver o caos dos dois tentando conter a água e indicando o caminho “ao Sr. Quequeé” a cada criança que entrava no banheiro… bem, até o momento em que são descobertos.

E, então, O CAOS SE INSTALA. Mike, Will e Derek tentam segurar a porta do banheiro e ajudar o máximo possível de crianças marcadas por Vecna a escapar, mas eventualmente eles são capturados pelos militares, junto com Joyce e as últimas crianças que não conseguiram passar pelo túnel, e então a tensão cresce a cada segundo. Will sente a chegada dos Demogorgons antes que eles estejam de fato ali, e enquanto ele está desmaiado, acessando a mente coletiva, um número grande de Demogorgons ataca Hawkins, não apenas a base militar, em busca de todas as crianças que são necessárias para o plano de Henry – e a cena é sangrenta e eletrizante, dando aquela sensação de urgência quiçá necessária em um episódio que encerra um volume importante.

Os Demogorgons são temporariamente detidos por um ataque de fogo que sabemos que os afeta – e que também parece afetar o Will. E, então, Vecna faz a sua grande entrada na temporada – E É UMA GRANDE CENA. A construção até esse momento é boa, os Demogorgons se reerguem na presença de Vecna, e ele vai atrás de Will, o trazendo flutuando até ele, sob seu comando, para falar sobre por que as crianças estão sendo levadas: porque elas são fracas, porque elas podem ser moldadas, porque são receptáculos vazios “fáceis de quebrar”, e então ele fala sobre como ele foi o primeiro, sobre como “ele quebrou tão facilmente” e “lhe mostrou do que ele era capaz”. Colocar o Will frente a frente com ele e chamá-lo de fraco, no entanto, é o catalisador de sua força.

Talvez ele fora fraco…

Não mais.

São três Demogorgons vindo nesse momento: um por Mike, um por Lucas e um por Robin. E enquanto está ali, no chão, Will escuta novamente as palavras de Robin dentro de sua mente… sobre como ela estava assustada e sobre como, quando parou de ter medo de ser quem ela era, ela se sentiu livre, “tão livre que ela podia voar”. É o eco das palavras de Robin e uma série de memórias que ofuscam outras dolorosas que fazem com que Will se levante, estenda a mão e proteja as pessoas que ele ama. Ele para cada um desses três Demogorgons, e então ele os mata com “facilidade”, porque ele não é fraco, como o Vecna dissera… há poder em seus olhos, mas há mais do que isso: há decisão, há força. Will entendeu e abraçou quem ele é e quem quer ser, e isso o torna forte.

A intensidade da cena das mãos, do olho, da encarada à câmera, da mão limpando o nariz sangrando…

É de arrepiar! QUE CENA MARAVILHOSA!

 

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