Chosen Home – Episódio 8

Algo entre família e não-família.

Genichi Hatano jamais imaginou que o desaparecimento de sua tartaruga de estimação podia ser o evento que desencadearia na descoberta, pela polícia, das mentiras que contara fingindo ser pai de Hotaru – a Sra. Matsu se voluntaria para ajudá-lo com toda a questão do nome e da carteira de identidade, porque acredita que “ele deu o seu nome artístico por engano quando falou do animal desaparecido”, e a resistência de Hatano em deixar que ela o ajudasse acende um alerta que a leva a descobrir que o nome na sua identidade é mesmo “Genichi Hatano”, o que quer dizer que ele esteve mentindo esse tempo todo. E, por isso, ela resolve observar e investigar, porque não entende o que aconteceu de fato nem se Hotaru pode estar em algum tipo de perigo…

A Sra. Inokashira, a proprietária dos apartamentos onde Hotaru sempre viveu e nos quais agora Hatano e Sakuta também estão morando, garante à Sra. Matsu que ele nunca fez nada por mal, e garante a Sakuta que “ela pode lidar com a policial” – e meio que o faz, a acompanhando em suas observações à campana, habilidade que não é o seu forte, e a ajudando a perceber que não existe nada errado ali: nenhum tipo de chantagem ou qualquer coisa… Sakuta, no entanto, decide não falar sobre nada disso com Hatano porque sabe que ele vai acabar ficando nervoso, e é bonito ver o Sakuta agindo como um namorado preocupado, enquanto o Hatano segue agindo como um pai para Hotaru. Ela, por sua vez, começa a levar adiante a história de fabricar violões.

Como estão prestes a comprar uma casa juntos, se tudo der certo, Hatano e Sakuta resolvem fazer “uma simulação de convivência”, o que permite que eles comecem a se conhecer melhor e a descobrir coisas a respeito um do outro, e é claro que esse é um processo longo de qualquer casamento… descobrir o que o outro gosta de comer, tomar decisões juntos a respeito de coisas simples nas quais não costumamos parar para pensar, descobrir manias que podem incomodar, concessões que precisaremos fazer. Sakuta comenta sobre a “cantoria” de Hatano, por exemplo, e como não se incomoda que ele cante, mas ele mesmo se distrai com muita facilidade, então eles terão que encontrar momentos. Spoiler alert: vai algum tempo, talvez o resto da vida, para que tudo isso seja ajustado.

Eventualmente, a Sra. Matsu é descoberta e resolve conduzir uma conversa (interrogatório?) com todos que estão no condomínio e, de uma maneira ou de outra, são parte dessa história… além de pessoas óbvias, como o Hatano, o Sakuta e a Hotaru, também temos a presença de Inokashira, a proprietária, Yoshida, o ex-namorado de Sakuta, Momose, a mulher que trabalha na empresa cujo objetivo é juntar casais gays, Okabe, o corretor de imóveis e amigo de Genichi, e o pai biológico de Hotaru, que aproveita a oportunidade de todo mundo distraído com a surpresa daquela “conversa” para entrar sozinho na casa, encontrar a maleta com o dinheiro que tanto almeja e fugir com ele sem ser visto – ou espera não ser visto, mas Yoshida acaba por vê-lo.

A conversa é quase caótica, tem um quê de tensão, mas tem desenvolvimentos satisfatórios. A Sra. Matsu está tentando entender, e basicamente todo mundo ali pode defender o Hatano: a Hotaru é quem o faz mais lindamente, talvez, quando suas “reclamações” sobre ele tem a ver com ele a obrigar a fazer a tarefa de casa, preparar a janta sem ela pedir ou reclamar quando ela chega tarde, mas eu gosto de como a cena se desenrola… tem algo de muito bonito e muito sincero ali, e Momose nos diverte falando de “Amor e Revolução”, sentindo-se, em parte, um pouquinho culpada de tudo. Hatano, no entanto, pede que a Sra. Matsu omita o nome de Sakuta de suas anotações porque não quer que ele sofra consequências no trabalho ou mesmo com a polícia…

Não é difícil perceber que Hatano não fez nada de errado a não ser, talvez, mentir para a polícia. Mas suas intenções foram boas e ele tem mesmo se comportado como um pai para Hotaru, muito mais do que o pai biológico interesseiro que, até hoje, só se importa com a maleta de dinheiro e mais nada. Ainda assim, em conhecimento disso tudo, a Sra. Matsu não vai deixar que a Hotaru continue morando sozinha ali, nem que ela tenha “dois pais para cuidar dela”, então ela provavelmente vai acabar em um Centro de Acolhimento Infantil até terminar o Ensino Médio… Hatano, por sua vez, em sua ânsia de proteger o Sakuta de todo mal, resolve “terminar com ele”, e isso é algo que pega todo mundo desprevenido. Não é que não o ame, ele só não o quer sofrendo…

A reconciliação dos dois vem depressa, felizmente, e é uma cena bastante bonita. Sakuta busca um bolo de Natal que encomendara e o leva até a instituição na qual ele vivera durante a infância até terminar o Ensino Médio, quando as regras da época o obrigaram a ir embora, e a visita àquele lugar desperta um desejo de sinceridade que o faz colocar os seus sentimentos para fora de uma maneira que Hatano possa entender: através da música. Depois de cantar para ele, Sakuta fala sobre aquele lugar, fala sobre sentir que era uma família, fala sobre sentimento, e percebemos onde ele quer chegar… ele diz a Hatano que ele ficou animado quando Hatano falara de comprarem uma casa juntos, e ele está verdadeiramente ansioso por isso… ele quer uma casa, uma família.

Fico muito contente por essa “separação” não ser algo duradouro, e por eles terem sido o quão maduros conseguiram ser – existe alguma falha de comunicação, mas nada gritante a ponto de prejudicar a relação, que eles ainda estão entendendo como funciona… e, como eu disse, pode demorar muito tempo para que eles a entendam por completo, mas o que importa é que eles estejam dispostos a desvendá-la. Hatano pede desculpas por ter falado de terminar e diz que não vai mais falar sobre isso… eles vão comprar uma casa juntos. Quando retornam, encontram um bilhete da Sra. Matsu “pedindo” pela reconciliação. Gosto de como Sakuta fecha todo o tema desse episódio em uma mensagem para a mãe sobre o que criara: algo sem nome, entre um violão e um não violão…

Quantas coisas “sem nome”, entre uma coisa e outra, não são tão importantes quanto todo o resto?

 

Para mais postagens de “Chosen Home”, clique aqui.
Visite também nossas páginas: Reviews de BLs e Produções LGBTQIA+

 

Comentários