The Boy and I Who Will Break Up in 100 Days – Ep. 05: Searching for the “Real You”
“I finally
understand who Hasegawa Itsuki really is”
Todos, TODOS, os episódios de “The Boy and I Who Will Break Up in 100
Days” são excelentes! Exibido em 24 de junho de 2026, “Searching for the ‘Real You’” é o
quinto e penúltimo episódio da série e é uma busca por Hasegawa Itsuki – não
apenas física, mas uma busca por finalmente
entender quem ele é. Pela primeira vez, Itsuki é VISTO, e por isso esse é
um dos meus episódios favoritos da série. Eu gosto de como a série é sincera e
de como ela trata de assuntos importantes sem medo de tocar em feridas… ela não
é uma fantasia BL para satisfazer a um público não-LGBTQIA+, e é por isso que
ela conversa tão bem com homens gays, por exemplo, enquanto causa desconforto em pessoas cujas atitudes
são direta ou indiretamente questionadas.
Concordei
inteiramente com Itsuki no episódio anterior sobre como ele e sua vida não eram material para entretenimento alheio.
Curiosamente, vimos um ator em um novo shipp nessa semana entrando em toda uma
discussão em “tom de brincadeira”, incomodado como todos pareciam supor que ele
era o “passivo” e ele “podia ser o ativo”, e isso recai em temas de
heteronormatividade, homofobia e, principalmente, a espetacularização da vida
real alheia que se torna só “uma forma de entretenimento”. É a exemplificação
perfeita do que Itsuki comentara: a indústria e grande parte do público a que
as produções se destinam não se importam de verdade com a comunidade, e “ficam
excitadas discutindo quem é o passivo e quem é o ativo”.
É um dos
motivos pelos quais a maioria dos BLs NÃO
SÃO, de fato, obras LGBTQIA+.
Sinto que
preciso fazer esse desvio e retornar à discussão do episódio anterior pelo tanto
de comentário absurdo com os quais me deparei na internet depois de já ter
concluído meu texto. A falta de entendimento na maneira como o Itsuki tinha razão é preocupante, e a própria
Shiho reconhece seu erro naquele episódio: ela via o Itsuki apenas como “um
personagem de seu documentário”, ela nunca o tinha visto, de fato, como uma
pessoa. E ela escolheu fazer isso.
Ela escolheu ignorar todos os sinais e não o enxergava a partir do momento em
que ele não condizia com o que ela projetara e roterizara, com o que “ela
queria para o documentário”. Não é à toa que Itsuki se cansou e foi embora… e
agora precisa ser encontrado.
Acho muito
interessante como Itsuki está ausente da primeira parte do episódio e como o
episódio é mais sobre ele do que nunca. Com o problema percebido, eles
finalmente começam a tentar entendê-lo…
quem é Itsuki? Não o Itsuki como namorado do Yuma, nem o Itsuki como personagem
do documentário, mas o Itsuki como pessoa. A busca por Itsuki levam Yuma e a
equipe a lugares por onde ele passou, a receitas que pediu e ao emprego que
perdera e que finalmente eles entendem o porquê, ao conversar com uma colega de
trabalho que é a única que tem todas as informações de quando ele bateu em um
cliente depois de um episódio de homofobia. O relato e o flashback breve são dolorosos e representam a realidade que
enfrentamos.
Aos poucos,
Shiho está percebendo que existem duas
histórias a serem contadas… a original, idealizada por ela, não é a história real daquele casal e daquelas
pessoas independentes, mas ela ainda consegue manipular as gravações para
gerar esse documentário; e a segunda
opção, o seu “Plano B”, que conta as coisas como elas realmente são e mostram
Yuma e Itsuki como pessoas reais, não como imagens polidas para quem acredita
que é preciso “maquiar a realidade para que pessoas LGBTQIA+ sejam aceitas na
sociedade” – e acredite: eu vi pessoas
atacando o Itsuki e dizendo isso depois do episódio anterior. Ambos os
documentários serão produzidos, porque essa foi a decisão que Shiho tomou agora…
a decisão de qual lançar ficará para mais tarde.
Talvez não
por ela.
Yuma
eventualmente encontra o Itsuki sozinho, e eu gosto de esse primeiro reencontro
não ter o aparato das câmeras – e faço um comentário à parte: os dois estavam absolutamente lindos nessa
cena. Yuma convida Itsuki a ir de volta a Enoshima para o seu aniversário,
como foram no ano anterior, e agora exploramos o que aconteceu por trás das
câmeras das gravações do Dia 85 do Plano A do documentário, e os dois têm uma
conversa sincera e dolorosa em frente aos cadeados que as pessoas colocam para
que “o amor deles seja eterno”, e que eles mesmos colocaram no ano anterior…
mas quantos casais com problemas não vão até ali e colocam um cadeado como uma
promessa, para ter uma sensação de “compromisso” que não podem quebrar?
Itsuki
confessa que foi por isso que ele aceitou
participar do documentário.
Todo o
diálogo de Yuma e Itsuki na reta final desse episódio é PERFEITO. Doloroso,
sim, e vai além da fantasia tradicional à qual muito fã de BL sem vivência gay
está habituado, mas é real, importante e necessário. Yuma reconhece que ele de
fato nunca o viu como um indivíduo, e só agora ele começa a ver e a entender
quem ele é… Itsuki também assume sua parcela de culpa, ele fala sobre ter
forçado a si mesmo a ser algo que não era, por ter permitido que o vissem
assim, e embora ele pudesse ter rejeitado desde o início, ele não o fez… ele
foi aceitando, foi se moldando, e isso não é sobre o documentário, mas sobre a
relação dele com Yuma antes disso. Ele comprometeu a si mesmo por outros, e não
apenas por Yuma… mas por completos estranhos.
E ele não
vai mais fazer isso.
A força
daquele diálogo é impressionante, e isso é o que mais me fascina em “The Boy and I Who Will Break Up in 100
Days”, porque o texto dessa série é maravilhoso – e acredito que o fato de incomodar algumas pessoas é a prova
cabal disso. Exige muita maturidade a conversa que Yuma e Itsuki têm no final,
e Itsuki reconhece que ele tampouco via Yuma como um indivíduo, embora só tenha
reparado nisso agora. Eu acho que aquele é o momento em que as coisas mudam e
mudam de verdade, porque eles se veem, eles se entendem. Yuma não vai mais
pedir que eles tentem “começar de novo”, ele percebe que não existe mais motivo
para isso… quando ele chama o nome de Itsuki, é para sugerir que eles terminem.
Eles vocalizam o que já aconteceu há algum tempo.
É forte, é
bonito, é consciente. Que série incrível!
“Itsuki… let’s break up”
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