The Boy and I Who Will Break Up in 100 Days – Ep. 03: Each Person’s Struggles
“If you
can’t forgive, you don’t have to”
Eu gosto do
jogo constante entre o que está em frente e por trás das câmeras – entre
expectativa e realidade. A capacidade de frustração porque projeções nunca
prometidas não são atendidas é, talvez, o que move “The Boy and I Who Will Break Up in 100 Days”, e mais uma vez temos
um episódio excelente que abre novas possibilidades conforme caminhamos pela
gravação de dois momentos que vimos na estreia da série: o Dia 21, onde Yuma e
Itsuki conhecem “fãs”; e o Dia 42, quando eles visitam a casa de Naomi. Exibido
originalmente em 10 de junho de 2026, “Each
Person’s Struggles” é o terceiro episódio da série, com excelentes diálogos
e discussões, bem como conclusões interessantes que nos deixam curiosos para
como as coisas serão abordadas no futuro.
Já não tenho mais certeza dos rumos
de “The Boy and I Who Will Break Up in
100 Days”. Em minha segunda review,
eu falei sobre como a série podia tender a um lado clichê que trouxesse a
reconciliação dos protagonistas que iniciam a gravação do documentário sem estarem realmente juntos mais, e
ressaltei que esse não era e nem deveria ser o f oco da série – agora, já
acredito que talvez a série trilhe outro caminho, que talvez eu ache mais
bem-vindo, mas de toda maneira eu gosto
da imprevisibilidade. Gosto de terminar o episódio satisfeito com o que vi,
tendo coisas em que pensar e sem ter certeza do que virá à frente. As
divergências de Yuma e Itsuki se mantêm e o início do episódio traz um diálogo
que faz Itsuki, por fim, dizer que “vai fingir que não ouviu o que Yuma disse
há pouco”…
Quando ele sugeriu que eles começassem de
novo.
O Dia 21
segue sendo emblemático, e embora eu não ache que o episódio tenha trazido
tanto mais aprofundamento a esse dia do que já tínhamos extrapolado a partir do
que nos foi entregue na estreia, eu gosto de como o episódio tornou tudo evidente
e colocou o tema como base de um diálogo de Yuma e Itsuki após a gravação do
dia com um grupo de jovens que os admira profundamente e que se espelha neles…
quando conversam, Yuma diz que aquele dia responde à pergunta que Itsuki fizera
em outro momento: por que ele pediu que
ele mentisse no documentário com ele. Eles não planejaram estar naquela
posição, mas estão, e agora ele sente que ele precisa fazer isso por pessoas
como aqueles jovens, que contam com isso… para
que um dia o mundo seja diferente para eles.
Já o Dia 42
é bastante curioso e traz à tona temas que serão tratados de maneira e em cenas
distintas. Achei estranhamente encantadora a interação de Itsuki com o filho de
Naomi, mas gostei particularmente de como as coisas aconteceram depois das gravações – e de como a série
se preocupa em dar material a distintos personagens. A cena de Naomi e Shiho
quando elas estão sozinhas é riquíssima e fala sobre a insegurança e as
expectativas de Shiho, que assumiu o documentário originalmente planejado por
Naomi e agora não sabe se consegue fazer o que é necessário, porque Yuma e
Itsuki nem sempre entregam o que ela quer, e fala sobre a angústia de Naomi de
se sentir substituível e inútil por ainda não ter podido retornar ao trabalho
depois de ter dado à luz.
Fortíssimo o
desabafo de Naomi aqui!
Em paralelo,
Yuma e Itsuki vão a um bar com Yamada, e é fascinante como a escrita dos
diálogos conduz as conversas aos temas propostos. Um comentário despreocupado
sobre filhos acaba se tornando uma discussão rica entre Yuma e Itsuki sobre
querer ou não ter filhos, sobre ser ou não mais difícil criar filhos para
casais gays, sobre como afeta e/ou não se deve deixar afetar o que os outros
dizem sobre isso, sobre como algumas coisas não são ditas porque são usadas de
maneira errada por aqueles que insistem em negar direitos, e sobre como tudo o
que fazem é, no fim, um ato político – e Itsuki entende isso mais do que Yuma
pensa. A discussão termina com o Itsuki perguntando a Yamada se “ele mora
sozinho” e pedindo, então, para passar a noite na sua casa.
E isso pega
o Yuma, o Yamada e a audiência de surpresa.
E eu achei fascinante.
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