Ticket to Heaven – Ep. 04

“When I’m near you, I can’t control myself”

Apesar dos minutos finais, nos quais conhecemos mais da história de Barth e o motivo pelo qual ele encara Deus e a própria fé de maneira tão diferente de Tanrak, sinto que de modo geral o quarto episódio de “Ticket to Heaven” amenizou bastante as coisas e apostou em entregar momentos fofos de um romance que está se concretizando depois da “confissão” do episódio passado e do icônico primeiro beijo. As dicas de problemas futuros estão discretamente espalhadas pelo episódio e devemos enfrentar os maiores momentos de dúvida e tristeza de Tanrak na próxima semana, mas temos um episódio mais leve que começa com uma foto de Barth e Tanrak na festa de Natal que aconteceu recentemente e termina com os dois em uma cachoeira.

Toda a trama da foto de Natal é absolutamente fofa… Cherry está mostrando para Barth as fotos que ela revelou e perguntando para ele se ele quer ficar com alguma, porque ela pode imprimir outra para ela mais tarde, e é claro que ele escolhe justamente a foto na qual ele posa com Tanrak: ele caracterizado como José, Tan com sua roupa tradicional de coroinha. É um registro de um momento com a pessoa que ele ama, algo material que ele pode guardar consigo e olhar sempre que quiser… uma foto que o Tanrak tenta negociar com ele porque também a quer, e eu adoro ver o Tanrak todo apaixonadinho dessa maneira, embora eu tenha imaginado que ele lutaria por mais tempo contra seus sentimentos. No fim, Tanrak talvez consiga o que quiser de Barth…

Inclusive a foto do Natal.

Os dois compartilham uma série de momentos que são característicos de BL e nos fazem suspirar, e eu gosto de como Barth está astutamente encontrando maneiras de encostar em Tanrak, mesmo que seja por segundos, para que em momentos furtivos os corpos deles estejam novamente juntos enquanto ansiam pelo próximo toque real. Gosto muito de como eles combinam de se sentar juntos na “noite de filme”, e mais ainda de como o Tanrak o faz esperar quando eles estão retornando para o dormitório e pergunta se “ele quer trocar de cobertores” – ele não precisa dizer que, dessa maneira, um poderá dormir sentindo o cheiro do outro. E Barth institui flores, que são colocadas em seu bolso ou desenhadas na sua cama, como o símbolo do amor deles.

É absolutamente fofo!

Eventualmente, Tanrak precisará tomar decisões… mas ele está deliberadamente adiando isso. Quando sêniores aparecem para um evento de aconselhamento, o cara em quem ele se espalhava não é mais uma escolha tão óbvia assim, e ele mesmo aconselha Tan a “escutar atentamente o seu coração”. Kongdech, o “melhor amigo” de Tanrak, no entanto, está incomodadíssimo com a maneira como Tan parece “não estar mais levando as coisas a sério”, e na verdade ele já notou a proximidade de Tanrak com Barth e ele o julga silenciosamente, como uma bomba que pode explodir a qualquer momento. Não é escancarado, mas é presente, e alguns olhares de Phak também sugerem que ele já entendeu… a conversa sobre certeza e dúvidas parece confirmar isso.

Gosto de como a complexidade dos sentimentos de Tanrak são apresentados… de como ele aprendeu a acreditar que tinha certeza do caminho que escolhera, mas de como o que sente agora por Barth o arrebatou de uma maneira que o faz questionar tudo, e os dois ganham uma cena bastante íntima quando Tanrak confessa que, quando está perto dele, “ele não consegue se controlar” – quando confrontado o que ele diz a Phak com o que ele sente de verdade, Barth tem uma única pergunta simples para ele: ele está feliz? E a verdade é que ele está feliz ao lado de Barth… gosto muito do toque discreto aqui, de como Barth segura a mão de Tanrak, como Tanrak aceita o abraço dentro do qual ele se sente seguro, e de como tudo está se tornando mais palpável.

Quando Barth e Tanrak têm “um dia de folga” e acabam se voluntariando para ajudar na preparação da festa de Ano Novo, eles compartilham novos momentos bonitos brincando com uma mangueira enquanto estão lavando cadeiras, por exemplo, e eu gosto do que se constrói em momentos simples assim, e gosto de como existe muito que sempre está sendo dito pelos olhares… e Cherry acaba se tornando uma cúmplice bem-vinda, que os “incentiva” a desobedecer as regras uma vez n a vida, já que é o dia de folga deles de qualquer maneira, e empresta a moto do namorado para que eles saiam juntos… e eles têm um dia especial andando pela cidade, comprando fita e terminando em uma cachoeira. E é um momento essencial para eles.

Afinal de contas, é aqui que Barth se abre com Tanrak pela primeira vez… ele fala sobre a sua família e a sua história, e é profundamente doloroso. Quando conta, o pesar toma conta de seu semblante, e é um contraste interessante com o que ele dissera antes sobre “não gostar de coisas sérias” – é, na verdade, uma fuga. Ali, no entanto, ele conta sobre como o pai batia na mãe, sobre como a mãe tinha medo de se separar e ir para o inferno porque achava que era um “pecado”, e como o pai reagiu ao descobrir que ele era gay… é claro que o pai, abusivo e homofóbico, seria um religioso fervoroso que bate em Barth com a bíblia enquanto o nega, o que visualmente é inteligentíssimo, porque a bíblia é usada, física ou não, por muitas pessoas para agredir outras.

Toda a cena em flashback é tristíssima, e acaba de maneira chocante. Barth estava apanhando violentamente do pai quando a mãe apareceu para o defender – e quando ela bate no pai e o mata, em parte ela o está fazendo para proteger o filho, em parte porque não consegue se controlar enquanto tudo o que sofreu por anos na mão daquele homem vem à tona. É uma cena emblemática. Depois disso, o destino de Barth foi selado: a mãe foi presa por matar o pai e ele foi mandado para um internato… a escola na qual ele estava antes de chegar ali o expulsou por ter batido em outro garoto depois de provocações infindáveis. Tanrak escuta tudo em silêncio, mas o apoio dele está em seus olhos e na maneira como ele coloca a mão em seu ombro. Ele está ali.

Barth precisava e merecia aquele momento com Tanrak depois, e não é estranho que eles compartilhem tudo aquilo depois de Barth colocar tudo para fora… ele está triste ao reviver tudo aquilo, mas, de alguma maneira, também mais leve por dividir aquela história com alguém. Com Tanrak. E é muito bonito que eles aproveitem aquele lugar que é bonito, silencioso e abençoado juntos depois. É bom ver Barth voltar a sorrir enquanto ele e Tanrak brincam na água, nadam, se provocam, e eu gosto da sensualidade proporcionada por detalhes como a maneira como Barth tira a camisa ou como a câmera foca no peito de Tanrak quando ele se pergunta se deve tirar o rosário do pescoço… o beijo deles no final é lindo, uma ótima maneira de nos despedirmos deles temporariamente.

E deixar que eles vivam. Juntos.

 

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