Último Capítulo de “Fogo Ardente (Donde Hubo Fuego)”
A morte do Carniceiro de Reynosa.
Infelizmente,
eu queria ter gostado mais… com um final sem graça e um último capítulo que
pouco empolga (e cheio de coisas que são bem forçadas), “Fogo Ardente” termina sem deixar tanta saudade, e eu acho que em
grande parte isso se deve à condução da trama principal, que falhou tão
grandemente em fazer com que nos importássemos com Olivia e Poncho: eu teria
gostado muito mais se a Olivia
tivesse sido mesmo uma vilã dissimulada e assumido o lugar do pai ou algo
assim, ou que ela ao menos tivesse tido um arco de redenção e arrependimento
porque “se apaixonou pelo Poncho”, mas torná-la vítima desde sempre como se ela nunca tivesse feito nada de errado
foi um erro do roteiro que me impediu de aproveitar
toda a reta final de “Fogo Ardente”.
Já que
Olivia foi oficializada como uma vítima que “sempre esteve do lado de Poncho”
(mesmo depois de dopá-lo algumas vezes e entregá-lo para o pai assassino,
sabe?), parte desse último capítulo é o confronto de Olivia e Noé Serrano/Hugo
Gonzalez/Carniceiro de Reynosa, quando ele aparece de surpresa na nova casa de
Olivia e Poncho – eventualmente, ameaçando colocar fogo em tudo. Depois de
dopar Poncho e Olivia, Noé/Hugo confronta Ricardo, o inimigo que ele invejou e
cultivou durante toda sua vida, e os dois terminam em um embate que causa um
incêndio na nova casa de Olivia e Poncho, e a morte oficial de Noé, que
“ironicamente” morre queimado em um incêndio que ele mesmo causou, mas tudo é
breve e, de certa maneira, pouco expressivo.
Mas talvez
só porque eu não me importo mesmo.
Até mesmo a
minha parte favorita de “Fogo Ardente”
e a sequência mais emocionante desse último capítulo traz coisas que me
incomodam: chega o dia do casamento de Gerardo e Fábio, uma cerimônia simples
para que “os pais de Gerardo possam comparecer sem ficar com vergonha” ou
qualquer coisa assim. Me parece absurdo abrir mão do sonho de um casamento
grandioso só por causa dos pais
homofóbicos de Gerardo, mas eu achei bastante forçado que, depois de tudo o
que eles fizeram durante a novela/série e de todos os absurdos imperdoáveis que
eles disseram contra o filho, eles apareçam emocionados no casamento para
abraçar o filho e dar ao Fábio “as boas-vindas à família”. É uma romantização
desnecessária de uma relação que fez tanto mal.
É preciso se
desvencilhar mesmo de pessoas como os pais de Gerardo.
Não gosto desse discurso que endeusa a
família, quando a família é como a de Gerardo.
De todo
modo, eu fico feliz por Gerardo e Fábio, porque eles merecem ser felizes e são
os meus personagens favoritos de “Fogo
Ardente”, mesmo com seus altos e baixos… e a festa de casamento deles, um
evento pequeno na pensão de Glorita mesmo, é o cenário para se resolver
pequenas histórias secundárias, como o romance de Ricardo e Glorita; Maite se
preparando para ir para Paris, estudar música, algo que eu acho que ela não
merecia, porque ela só foi milagrosamente curada de sua homofobia e
recompensada por isso; Penelope sendo convidada para morar com Ángel; Rosário
apaixonada por Erick, que é mesmo um fofo… também ficamos sabendo que Julián
está fazendo um acompanhamento psicológico, e Molina ganha um cargo na estação.
Eu não diria
que “Fogo Ardente” foi ruim – e eu
certamente já vi novelas piores. Ainda assim, existem problemas na concepção de
alguns personagens e no desenvolvimento de algumas tramas que me impedem de
achar a novela/série tão boa quanto eu imaginei que ela fosse (e ela de fato
era, em seus primeiros capítulos). Ainda assim, a premissa é interessante, com
um conceito que mescla uma série de suspense com um dramalhão mexicano que eu
adoro, e temos um mistério principal conduzindo a trama, enquanto os
personagens secundários entregam uma série de temas e histórias dignas do gênero
telenovela… nos despedimos de “Fogo
Ardente” com a visão dos “Bombonberos” dançando seminus na inauguração de
alguma boate nova: é uma memória boa a
guardar.
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