Spider-Noir 1x03 – Double Cross
O dinheiro não mente.
Ben Reilly é
contratado pelo próprio Cabelo de Prata para descobrir quem é o traidor dentro
de seu grupo… não é exatamente o que Janet esperava que acontecesse quando
disse a Ben Reilly que eles precisavam resolver essa questão – e, agora, o
detetive com poderes aracnídeos se vê trabalhando de um lado para Cat Hardy,
que o contratou para encontrar Flint Marko depois de seu súbito
desaparecimento, e de outro para o maior criminoso de Nova York… e, no meio
disso tudo, o próprio prefeito Alfred Morris o busca para pedir que ele fale
com “seu amigo Spider” e diga que eles precisam dele de volta. Ainda que Ben
Reilly tente negar qualquer envolvimento com Spider, ele era a pessoa que,
antes de seu sumiço, parecia sempre estar no
lugar certo para o fotografar.
“Double Cross” é o terceiro episódio de
“Spider-Noir”, e temos aquela
sensação de várias coisas acontecendo em simultâneo em uma Nova York durante a
Depressão que pulsa de crime e de história, com tudo sendo parte de uma trama
muito maior. Enquanto Ben Reilly desconfia que Cat Hardy é a informante que o
cabelo de Prata está disposto a matar e tenta protegê-la, inclusive procurando
Vera, a viúva de Addison, para oferecer a ela dinheiro para que ela desapareça
sem contar quem a contratou, Janet se debruça sobre a foto descoberta há pouco
tempo na qual Addison, Lincoln e Marko aparecem juntos – e eles descobrem que
todos eles foram prisioneiros de guerra durante a mesma época… e não é coincidência
que todos tenham superpoderes agora.
Esses
superpoderes estão vindo à tona. Anos antes, Nova York conhecia apenas o Spider
como um “herói” da cidade, antes que ela fosse inteiramente tomada pelo crime
quando ele abandonou a máscara e as teias. Agora, outros humanos com
superpoderes estão chamando a atenção. Quando tenta visitar Lincoln para fazer
perguntas, Robbie Robertson acaba flagrando um confronto entre ele, Marko e a
polícia, e ele consegue fotos excelentes que ele oferece mais tarde ao jornal e
ganha luz verde para escrever uma matéria sobre o assunto, porque é o que vende
– a matéria que é publicada com as suas fotos, no entanto, são bastante
diferentes do que ele realmente escreve, porque ele nunca usou aquele tom
alarmista, tampouco os chamara de “monstros”.
É essa
concepção da “monstruosidade” que aflige Flint Marko… é por isso que ele sumiu
há alguns dias sem dizer nada a Cat Hardy: ele não acha que pode ter uma vida
normal ao seu lado com o aparente descontrole de sua situação… e mesmo agora, quando
ele retorna, ele pensa brevemente em escapar da cidade com Cat Hardy e
recomeçar em algum outro lugar, mas a sua mão e o seu rosto se tornando areia
durante o beijo parecem um lembrete de que ele “não pode ter uma vida normal”,
e é por isso que ele a afasta novamente… e é assim que Ben Reilly encontra Cat
sozinha em uma estação de trem, tentando fugir da cidade, e a confronta sobre
ela ser a informante que o Cabelo de Prata busca ao que ela fala sobre como
todos os homens são iguais…
Criando suas próprias narrativas e fazendo
com que elas se encaixem nelas.
A conclusão
do episódio funciona de maneira interessante e mostra a inteligência de Ben
Reilly na resolução de problemas, com tudo meticulosamente planejado: a maneira
como conseguiu um pagamento de Winston para identificar o local da marcação de
dinheiro dado a ele pelo Cabelo de Prata, como invadiu a casa do próprio Cabelo
de Prata para sacar mais dinheiro de seu cofre e como o usou para pagar Vera
para que ela fosse embora de Nova York, o que é o suficiente para incriminar
Winston, que agora é tomado imediatamente como o traidor por Cabelo de Prata,
que não tem mais perguntas a fazer, porque acredita que o dinheiro não mente. É frio, rápido, tenso e astuto, e conversa
perfeitamente bem com toda a proposta de “Spider-Noir”.
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