Fogo Ardente (Donde Hubo Fuego) – A vitimização de Olivia

“Era la policía. Encontraron a mi papá muerto”

A péssima escrita de Olivia como personagem acabou com todo o encanto de “Fogo Ardente” para mim. Eu gostava bastante da série/novela, mas a maneira como essa história foi desenvolvida foi horrível, e agora deixa um gostinho amargo na boca conforme me preparo para me despedir… muita coisa da reta final depende de nos importarmos com Olivia, e eu realmente não consigo me importar com ela, e eu acho que o roteiro falha miseravelmente ao tratá-la como uma vítima inocente e injustiçada, como se, vítima ou não, ela nunca tivesse feito nada que ajudasse o Carniceiro de Reynosa. A personagem não precisa enfrentar consequências pelo que fez e insistem em um romance com Poncho, no qual eu realmente não consigo acreditar nesse ponto.

Tudo é forçado, sem graça, sem química. Sem importância.

Uma pena.

Poncho e Ricardo saem em uma espécie de road trip para salvar a vida de Olivia, e isso rende, para mim, as piores cenas de “Fogo Ardente”. Toda a sequência de pai e filho no carro, conversando sobre o passado, sobre a Flor, sobre o Daniel e sobre a própria Olivia, pode até ter sido importante para os dois como personagens, mas foi ruim de se assistir… não foi apenas chato e entediante, mas foi patético e vergonhoso mesmo, porque as cenas tentam tornar aquilo o mais brega e sentimental possível, e se prolonga de uma maneira que não se torna mais aceitável – e ganhar um episódio tão ruim tão perto do final é meio decepcionante. E eu não tenho paciência alguma para as declarações de Poncho a respeito de como ele “ama a Olivia” e tudo o mais.

Olivia se converte em uma donzela em perigo que precisa ser salva, e a fazem confrontar o pai enquanto ela vai entendendo tudo, mas o problema é que 1) ela sabia que o pai estava envolvido em crimes; e 2) ela não é boazinha e inocente como o roteiro parece fingir que ela é. Como eu disse: tudo depende de se importar com Olivia, e eu não me importo, então achei ruim… o resgate é chato, convenientemente fácil, e Poncho parece apagar tudo o que aconteceu no passado (as vezes em que ela o dopou e o entregou de bandeja para um assassino ou para morrer ou para ser acusado de um assassinato, por exemplo) e agir como se nada tivesse acontecido: declarações, romance, sexo, os dois procurando apartamento juntos, falando de família…

Enervante.

Depois, “Noé” é dado como morto. Mas nós sabemos que não é verdade.

E de todas as tramas secundárias, como ficou bem claro durante os meus textos, a única com a qual eu me importo de verdade é a de Fábio e Gerardo – e embora eu tenha críticas (como o fato de o Fábio fazer um pedido de casamento muito apressado e ter que ser um pouquinho menos emocionado), continua sendo minha parte favorita de “Fogo Ardente”. E eu gostei muito de ver que, apesar de o Gerardo ter uma família péssima, de modo geral, ele tem um irmão que é um máximo… Pedro foi ótimo defendendo o irmão quando a Maite falou suas besteiras, por exemplo, e ele também é incrível acolhendo Gera na sua casa porque ele não tem para onde ir, falando abertamente sobre o erro dos pais e sobre como Gerardo é uma pessoa corajosa por enfrentar tudo isso para viver seu amor.

Como deveria!

Também é o Pedro quem aconselha o Gerardo a respeito do que fazer em relação a Fábio: se ele ama o Fábio de verdade, então ele vai precisar fazer algo grande para mostrar isso a ele. Então, nos preparamos para o momento do “grande gesto”, digno de qualquer comédia romântica… e o Gerardo tem o apoio de amigos que estão torcendo por sua felicidade! Então, ele faz uma surpresa para Fábio, chegando à pensão com a sua roupa mais formal de bombeiro, a mesma do baile, e com um caminhão, para chamar a atenção de todo mundo e poder dizer o que ele sempre quis dizer: que ele e o ama. E, ajoelhado na sua frente, ele pede Fábio em casamento, E EU NÃO PODERIA ESTAR MAIS FELIZ POR ESSES DOIS FOFOS! Meu casal! É uma cena lindíssima e emocionante.

 

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