Mestres do Universo (Masters of the Universe, 2026)

“Pelos poderes de Grayskull. Eu tenho a Força!”

QUE FILME DELICIOSO! He-Man é um personagem icônico que fez parte da infância de pelo menos duas gerações desde a sua estreia em 1982 nos quadrinhos e em 1983 na série animada que assistíamos nas manhãs da TV, e o personagem ganha agora sua segunda adaptação live-action com “Mestres do Universo”, que chegou aos cinemas no dia 04 de junho de 2026, com direção de Travis Knight e protagonizado por Nicholas Galitzine, que não poderia estar melhor no papel – em todos os sentidos! Com um carisma gigantesco, “Mestres do Universo” é uma autêntica adaptação que não foge do estilo do material original, sem medo de ser cafona de vez em quando, mesclando um humor acertado com cenas de ação de tirar o fôlego…

E cor. Muita e bem-vinda cor!

Gosto de como estamos finalmente escapando daquele estilo que dominou o cinema durante décadas em que tudo era cinzento e pendia-se a uma busca por “realismo” mesmo quando o material original exigia o oposto. “Mestres do Universo” se sai incrivelmente bem ao apresentar uma trama bem estruturada, ocasionalmente emocionante e sempre divertida, que por vezes abraça destemidamente a galhofa – Nicholas Galitzine dá vida a um Príncipe Adam / He-Man que é potencialmente desengonçado e abobalhado e que trabalhou em Recursos Humanos enquanto esteve na Terra, e Jared Leto dá vida a um Esqueleto que é a caricatura do vilão que é mau “porque sim”, e que se diverte sendo quem é… há um charme na aparente simplicidade de quem não tenta ser mais do que é.

É um filme profundamente honesto!

E o Esqueleto interessadíssimo no corpo do He-Man e na “espada enorme pendurada entre suas gloriosas coxas” me arrancam risadas sinceras e me causa... identificação.

O filme começa nos levando a Eternia há alguns anos, na época em que o Esqueleto e seu exército atacaram o reino em busca da Espada do Poder, e a Feiticeira enviou o príncipe e a espada a algum lugar distante onde ela pudesse estar em segurança até que fosse o momento de retornar a Eternia e salvar o mundo… conhecemos, aqui, o pequeno Príncipe Adam, que é um amor, mas não é exatamente o que o pai espera que ele seja em termos de combate, e Teela, a filha de Duncan, o braço-direito do Rei Randor. Aproximadamente 15 anos depois da partida de Adam de Eternia, ele ainda está obsessivamente buscando a espada que “o levará de volta para casa”, depois de eles terem se separado na chegada à Terra – uma história que ele não faz questão de manter em segredo.

Nicholas Galitzine está adorável como o Príncipe Adam de Eternia que, na Terra, é apenas “Adam dos Recursos Humanos” – sua missão é reencontrar a Espada do Poder e voltar para casa e isso o torna aparentemente avoado, como se ele estivesse descolado da realidade para qualquer um que não acredite piamente na sua história… o que quer dizer “todo mundo”. Sua espada é encontrada por alguém em uma loja de quadrinhos e action figures, o que é o melhor lugar possível para escondê-la, e isso nos entrega uma das melhores cenas do filme, quando Adam precisa “lutar” com uma estátua para retirar dela a espada, em posições magníficas e divertidas e a crença de que desaparecerá em um clarão de luz ao erguê-la e tudo o mais… o que não acontece.

Quando ele sai correndo, a funcionária da loja faz questão de perguntar se “ele está solteiro”.

Nós te entendemos muito bem, moça.

Como não parece tão simples “ativar” a Espada do Poder, tudo o que Adam pode fazer é levá-la para casa – e ele é despertado no dia seguinte com a polícia à sua porta, e nós sabemos que é no meio daquele congestionamento em um viaduto que alguma coisa vai acontecer e o levará de volta a Eternia. Duas figuras aparecem aqui: uma fera enviada por Esqueleto, atraída pelo sinal da espada; e Teela, interpretada por Camila Mendes, que passou esses anos todos em Eternia e se tornou uma guerreira ainda melhor do que ela já era quando pequena. Eu ADORO o contraste entre Teela e Adam, e como ele está simplesmente maravilhoso em toda a sequência, correndo abraçado à espada até estar cansado demais para correr ou pulando de maneira nada heroica do viaduto.

Adam faz com que nos apaixonemos por ele a cada segundo.

E olha que até então ele estava completamente vestido.

O retorno de Adam a Eternia ao lado de Teela lhe revela uma realidade bastante diferente daquela que ele deixou para trás e cuja descrição abriu o filme. Muita coisa foi destruída, o reino de terror do Esqueleto dura anos, as forças de resistência tiveram que se esconder – mas os heróis de Eternia, cujos desenhos decoravam as paredes do quarto de Adam na Terra, estão ali… talvez eles precisem de um líder e de esperança. Adam, no entanto, não parece exatamente o que eles estavam esperando, pelo menos não em um primeiro momento, e eu gosto desse recurso do “herói inesperado”, e de como parte de sua falta de jeito se mantém mesmo quando ele se torna o grande He-Man, tendo sido escolhido pela Feiticeira para ser o receptáculo da Força.

Eventualmente, a própria Feiticeira o ajuda a “se transformar” – “Pelos poderes de Grayskull. Eu tenho a Força!”. Eu já tinha assistido àquela cena na internet, já que viralizou por motivos óbvios, mas eu estava ansiosíssimo para vê-la na tela grande do cinema, e é realmente um ESPETÁCULO. Como pode o Nicholas Galitzine tirar o nosso fôlego em uma cena de alguns segundos que viverá em nossas memórias para sempre?! A transformação clássica de desenho animado despe Adam de todas suas roupas enquanto ele mesmo assiste seus músculos (e que músculos!) crescerem, até que a sua “armadura” esteja formada… uma armadura que cobre parte do peito e mais nada, mas jamais reclamarei de ver o Nicholas lutando de tanguinha, sabe? Acho que ele nunca esteve tão lindo quanto nos segundos após a transformação…

Nicholas Galitzine é um espetáculo e o grande destaque de “Mestres do Universo”. Não apenas porque ele está lindíssimo, embora ele esteja, sim, lindíssimo – imenso com os braços e as pernas à mostra e um cabelo de causar inveja –, mas porque ele carrega grande parte da alma e do carisma do filme. Seu timing cômico é perfeito e ele encanta desde sempre, com uma falta de jeito adorável e um sorriso fofo. Sua atuação convida a audiência a amá-lo e o fazemos de bom-grado. Gosto de como ele equilibra o carisma de Adam e a força do He-Man, e de como existe seriedade, intensidade e diversão coexistindo em um mesmo instante. É um verdadeiro prazer assistir ao Adam / He-Man e poder se divertir, se emocionar e se empolgar em variados momentos!

Como He-Man, embora ele se autointitule assim apenas no fim do filme, Nicholas dança naquela tanga e entrega excelentes lutas de espada que empolgam amantes e não-amantes de cenas de ação, e o filme não deixa o bom-humor de lado, como quando ele está tentando sair da nave e dá ré ao invés de ir para a frente – e tudo parece encaixar-se perfeitamente à concepção do personagem desde o início do filme! Toda a sequência em que o He-Man luta contra muitos dos homens do Esqueleto e deixa o pai orgulhoso é eletrizante, com uma coreografia excelente e uma conclusão triste e emocionante quando, antes de morrer, o Rei Randor demonstra ter orgulho do filho e lamentar que o tenha feito acreditar que queria que ele fosse qualquer outra pessoa além dele mesmo…

De volta a ser apenas o Príncipe Adam, com suas roupas antigas da Terra, depois de o Esqueleto ter pegado a Espada do Poder, ele se torna o líder da revolução, que conta com todos os heróis desenhados e nomeados por ele desde que ele tinha apenas 10 anos e estava longe de casa. É esse grupo que precisa impedir que o Esqueleto utilize todo o potencial da Espada do Poder agora que Maligna o instruiu a ir até o Castelo de Grayskull para acessar esse poder, e isso nos entrega outra cena intensa e maravilhosa, quando a espada se parte e Adam é subjugado pelo Esqueleto, em uma sequência que leva a ambos por cenários da vida do príncipe na Terra, em uma edição fascinante que se torna um dos meus momentos favoritos de todo o filme. À beira da morte, Adam recebe uma visita…

A Feiticeira.

Morrendo entre o Castelo de Grayskull e seu quarto na Terra, Adam é visitado pela Feiticeira que o lembra que a Espada do Poder era apenas um receptáculo, e que ele foi escolhido para ter A FORÇA, e é assim que ele se levanta, retira a espada partida do próprio corpo e espera que ela se refaça para que ele a levante e invoque novamente os poderes de Grayskull para torná-lo He-Man. E é tão bom ver novamente a imensidão daquele homem trajado como He-Man tendo sua batalha final contra o Esqueleto – embora ele tente conversar antes, o que arranca risadas gostosas de todo o cinema. É uma ótima sequência na qual o Príncipe Adam / He-Man utiliza, de verdade, toda a extensão de seu poder que ainda está sendo descoberto, e ele nunca esteve tão forte…

Com a derrota do Esqueleto, em seis meses Eternia está muito parecida com como era quando Adam era uma criança e como ele a descrevia para amigos e em possíveis encontros na Terra – isso não quer dizer que o Esqueleto esteja realmente e inteiramente destruído, porque Maligna resgata o seu crânio antes do fim do filme, e não é como se não tivéssemos muitas mais histórias a serem contadas aqui em Eternia, ainda mais com a maneira como os demais heróis foram perfeitamente introduzidos… temos o Mentor, a Roboto, o Fisto, o Aríete, o Mekaneck, o Triclope e, é claro, a “Deusa Guerreira”. Além disso, ainda temos uma pequena provocação pós-créditos com a aparição de She-Ra, a icônica irmã de He-Man que também ganhou a sua própria série nos anos 1980.

Ainda precisamos falar sobre a maravilhosa trilha sonora de “Mestres do Universo”, que engrandece cenas que já são visualmente de tirar o fôlego e, com as músicas, se tornam icônicas… a trilha sonora inclui sucessos como “Boys Don’t Cry”, do The Cure, “The Man”, do The Killers, “What’s U?”, do 4 Non Blondes (embora eu sempre vá associar essa música a “Sense8”, é um prazer ouvi-la em qualquer outra obra), “Princes of the Universe”, do Queen e “Masters of the Universe”, do The Darkness, que é a música que saímos inevitavelmente cantarolando do cinema ao fim da sessão e que permanece em nossa mente durante muito tempo. É uma trilha sonora que capta nossa atenção e que se integra maravilhosamente ao filme – e certamente um álbum de sucesso!

“Mestres do Universo” é um deleite e, espero, o início de uma franquia. Ainda precisaremos da avaliação de bilheteria para saber se ganharemos uma sequência com a estreia completa da She-Ra e mais do Nicholas Galitzine como o He-Man, mas o filme tem agradado tanto a crítica quanto o público, e espero que isso signifique um sucesso na cauda longa que possibilite o retorno desse universo ao cinema – o filme claramente foi pensado para tal. Cor, carisma, diversão, ação… “Mestres do Universo” faz com que deixemos o cinema com vontade de continuar ali assistindo mais, e essa é uma das melhores sensações que um filme nos pode causar. Eu gosto do entretenimento despreocupado que tem por objetivo nos divertir, e “Mestres do Universo” o faz com maestria!

Um dos meus filmes favoritos no ano!


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