MaXXXine (2024)

“You’re a fucking movie star”

O terceiro capítulo da trilogia iniciada com “X” e “Pearl”, ambos de 2022, leva a história de Maxine Minx para HOLLYWOOD. Depois dos terríveis acontecimentos em uma fazenda no Texas onde um filme pornográfico estava sendo gravado, o novo filme mostra uma Maxine que se divide entre ser atormentada pelo passado misterioso e cheio de feridas que tenta enterrar e seguir determinada em não aceitar uma vida diferente da que merece e se tornar uma grande estrela… ela quer que o mundo todo conheça o seu nome. “MaXXXine” foi lançado em 2024, recebe uma aprovação da crítica e do público inferior aos anteriores, mas segue sendo um filme bom e uma boa conclusão para a trilogia.

Gosto do cenário e do clima que é agora explorado. Estamos em Los Angeles em 1985, e Maxine oscila entre o seu passado como atriz de filmes pornô que está tentando deixar para trás em troca de uma vida sob os holofotes de Hollywood, com seu nome na Calçada da Fama, e becos escuros de uma cidade perigosa onde ela sabe se defender sozinha e nos remete à personagem que conhecemos quando sua vida foi ameaçada no Texas antes… com muito neon e cenários de um estúdio de cinema que incluem o Bates Motel onde “Psicose” foi originalmente gravado, a atmosfera entorpecente e movimentada do submundo do cinema em LA é um ótimo cenário para um suspense e terror.

Maxine Minx foi escalada para estrelar “A Puritana 2”, o novo filme de Elizabeth Bender no qual ela está apostando tudo. A sequência de abertura de “MaXXXine” traz a sua audição, entregando um texto repleto de trauma e dor, e é mais ou menos como se o filme estivesse no dizendo: “Vocês lembram como a Mia Goth é excelente?”. Naturalmente, ela é o rosto dessa trilogia, e a intensidade daquela audição e a ironia de sua conclusão nos lembram de por que ela merece ser. Há quem não aposte em um filme de terror como “A Puritana 2” para lançá-la ao estrelato, mas ela sabe que essa é sua grande chance… e ela tem consciência de que não pode estragar isso.

No meio das loucuras do mundo do cinema no qual ela está se inserindo agora, no entanto, Maxine tem que lidar com outras coisas: de um lado, um assassino em série conhecido como “Perseguidor Noturno” que está tomando conta dos noticiários e que acaba de matar três pessoas que ela conhece em três dias, o que obviamente chama a atenção da polícia e a coloca em seu rastro; de outro, um investigador particular que diz ter sido enviado por uma figura que não quer se identificar, mas que tem conhecimento e, mais do que isso, provas do que aconteceu em seu passado e, portanto, pode ser um empecilho para que a sua carreira deslanche.

Gosto de como os três filmes se complementam e exploram facetas do sexo, do poder e do desejo de algo mais, cada um ao seu estilo… se os dois primeiros filmes exploram um mesmo cenário em épocas e contextos diferentes, esse filme transporta uma personagem conhecida para um cenário novo e propício ao que ela busca. O horror oscila entre o absurdamente gráfico, o exagerado que combina com o gore da época em que ele está ambientado e a construção de um suspense que de fato gera tensão. Gosto bastante da sequência de perseguição que culmina no cenário original de “Psicose”, e da maneira como Maxine explora a colina próxima à placa de Hollywood onde as pessoas parecem estar indo para morrer.

O clímax do filme traz a revelação da identidade do Perseguidor Noturno e o conecta à história de Maxine Minx e às pessoas que estão protestando há dias em frente ao estúdio de cinema, contra os filmes pornográficos e/ou aqueles que julgam satânicos: Ernest Miller, um televangelista sensacionalista que coincidentemente é o pai de Maxine e que “está produzindo seu próprio filme” sobre como “perdeu a filha para o Diabo e vai trazê-la de volta”. Toda a sequência repleta de fanáticos liderados por Ernest como uma seita que planeja “exorcizar” Maxine e que conta com intervenção da polícia é excelente, e mistura terror, ação e uma espécie de crítica f*da.

A conclusão desse clímax acontece atrás da placa de Hollywood… o que é cinematograficamente impecável. Ali, pai e filha se confrontam e é perversamente irônico como, depois de todas as pessoas que matara, Ernest assume que Maxine é que é um “monstro” por causa dos filmes de que participa. Mas ele deu a Maxine justamente o que ela mais queria: ELE A CATAPULTA PARA A FAMA. A maneira como aquele nome discretamente em ascensão em Hollywood ajuda a resolver o caso de um assassino em série que calha em ser seu próprio pai faz com que Maxine se torne tudo aquilo que ela sempre quis ser: o nome que todo mundo conhece e admira. E ela não quer que aquilo acabe nunca…

“Say it with me now... I will not accept a life I do not deserve!”

 

Para a review de “X”, clique aqui.
Para a review de “Pearl”, clique aqui.

 

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