The Boy and I Who Will Break Up in 100 Days – Ep. 02: The Fake “Lover Pretend”

Mentiras.

Exibido em 03 de junho de 2026, “The Fake ‘Lover Pretend’” é o segundo episódio de “The Boy and I Who Will Break Up in 100 Days” e eu gostei muito do episódio, embora seja bastante diferente do primeiro, assim como esperado. Explorando os bastidores do documentário do qual tivemos uma boa ideia no primeiro episódio da série, a linguagem desse segundo episódio em diante muda, e já parece inevitável que caiamos em clichês do gênero BL que podem, sim, proporcionar uma sensação aconchegante de “coração quentinho”, mas que não precisa ser tudo o que a série entrega, porque ainda quero explorar mais de sua premissa original que conversa de fato com a comunidade LGBTQIA+ e fala sobre direitos pelos quais nunca paramos de lutar.

O primeiro episódio nos apresentou o que seria um documentário acompanhando 100 dias da vida de Kasuga Yuma e Hasegawa Itsuki, que se tornaram um símbolo após darem uma entrevista falando sobre direitos para casais gays. Ainda que houvesse o claro contraste entre a desenvoltura de Yuma e a má vontade de Itsuki, foi apenas no fim do episódio que tivemos a confirmação daquilo que sabíamos graças à própria sinopse da série: que Yuma e Itsuki não eram mais um casal. Depois de uma conversa com Kayano e Yamada na qual ficam acertados os detalhes da gravação, o próprio Itsuki comenta com Yuma sobre o absurdo da situação, uma vez que “eles terminaram há muito tempo” – ainda assim, no entanto, eles seguem dividindo a mesma casa.

A mentira é a principal temática desse segundo episódio, e há um quê de ironia notado por Itsuki na própria concepção do documentário em si: eles não os seguirão e não os filmarão durante 100 dias de verdade… eles filmarão “pequenos momentos autênticos” para compor os primeiros dias do projeto e estarão em contato com eles durante todo o restante do tempo, para que possam vir e filmar quando tiverem algo que valha a pena ser filmado. Itsuki comenta a maneira como isso parece “uma propaganda enganosa”, não ignorando o fato de que é ainda mais enganosa pelo fato de eles não estarem juntos, mas Yuma queria fazer isso e Itsuki concordou com o projeto, porque ele também acredita em sua importância – embora ambos o façam de maneira distinta.

Por que eles aceitaram gravar esse documentário? Em parte porque se tornaram um símbolo de uma luta por direitos de pessoas LGBTQIA+ e não querem desperdiçar uma oportunidade que lhes bate à porta de falar com outras pessoas como eles. Yuma está disposto a interpretar um personagem, fingir uma relação feliz e saudável, advogar pela necessidade de aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo; Itsuki, por sua vez, parece menos capaz de interpretar com tanta facilidade, e sua distância acaba também refletindo na frieza de um discurso que não diz sempre o que se espera para a proposta do documentário que estão construindo, e eu confesso que eu entendo o desconforto de Yuma e a sua escolha por como dizer algumas coisas…

Afinal de contas, existe um objetivo nesse documentário.

Os dois precisam encontrar uma maneira de trabalhar juntos – e, quiçá, parecerem convincentes o suficiente como um casal, uma vez que decidiram que seguirão com essa história. O primeiro dia de gravação é praticamente um desastre, e há um quê de deboche quando Itsuki responde às reclamações de Yuma naquela noite, dizendo que eles podem passar a entrevista inteira de mãos dadas no dia seguinte, se ele quiser, e ele pode deitar em seu ombro e fazer todo o papel que ele espera… e ele comenta a ironia de Yuma pedir que ele não minta depois de ele ter dito que “não gostava muito de ler”, quando o livro BL encontrado por Kayano era dele, quando foi o Yuma quem começou essa história toda de documentário e, consequentemente, pediu que ele mentisse.

Em que página estão?

Sinto que esse primeiro episódio após o abandono do mockumentary como linguagem principal acentua algumas tensões e a sensação clara de desconforto, mas ainda não se aprofunda de verdade na psique dos personagens, uma vez que eles estão na defensiva e/ou na esperança, e todo o estresse da gravação, da mentira constante e das divergências devem acentuar os desentendimentos e as diferenças futuramente, e temos muitos momentos curiosos que vimos na estreia, na versão editada por Kayano, e cujos bastidores ainda prometem muita coisa – o encontro com fãs, o aniversário de Itsuki, os pais de Yuma… existe alguma esperança para os dois como casal, como Yuma parece querer? Mais do que isso: é isso o que importa nessa série em específico?

 

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