Além do Tempo – A busca de Bernardo Boldrin

Bernardo Boldrin e Emília Beraldini.

Bernardo Boldrin é um grande estudioso de vinhos e um escritor famoso sobre o assunto, e ele chegou recentemente a Belarrosa supostamente para iniciar a pesquisa do seu próximo grande sucesso – mas ele tem interesses na cidade do sul do país que vão muito além do seu interesse por vinhedos: ele quer saber mais sobre o seu passado. Além da antiga Vinícola Ventura, agora sob o nome de “Beraldini”, e a Vinícola Campobello, que ele pretende visitar nessa adorável cidadezinha, Bernardo também tem um interesse compreensível pelo Orfanato das Carmosinas, onde ele pensa poder encontrar algo sobre ele mesmo. Além dessas visitas já planejadas, o destino prepara surpresas para Bernardo Boldrin, já que ele está prestes a ter um reencontro que vai além da compreensão.

Na vida passada, Bernardo vivera um romance arrebatador com Emília, e o pouco tempo de felicidade que eles tiveram juntos na juventude deixou uma filha e várias cicatrizes, já que o romance não era benquisto pela mãe dele. Nessa vida, Emília e Bernardo não se encontram ainda na juventude… o primeiro encontro acontece em Belarrosa, de maneira mais atribulada, quando Bernardo derruba uma taça de vinha na roupa branca de Emília, e ela parece detestá-lo de imediato por ser tão estabanado, embora a intensidade do que ela sente ainda não possa ser compreendido, e ela talvez o entenda de maneira errada… de todo modo, o olhar se prolonga por mais segundos do que o necessário, com ecos das falas de ambos quando se conheceram no Século XIX, até que eles voltem à realidade

E, dali em diante, são farpas e provocações.

Acontece que Emília nutre um ódio mortal por Vitória Ventura, e Bernardo parece ter tomado as dores da senhora que ele pouco conhece – o que acaba soando forçado demais para mim, infelizmente. Bernardo não tinha uma relação tão boa assim com a mãe na vida anterior para justificar essa conexão, e parece mais que ele está se metendo em assuntos que não lhe cabem. Amparar Vitória até tudo bem, mas ir até o hotel de Emília para “tirar satisfações” como se a Vitória fosse alguém que ele conhecesse de toda a vida me parece um pouco exagerado, e ele está presente em todos os momentos que não lhe cabiam, como quando Vitória é despejada da casa que Emília comprara por não deixar a propriedade dentro do prazo estipulado por Emília de 48horas.

Vitória está arrasada… o seu sofrimento é palpável e ela se muda para a casa de Zilda, enquanto manda o Bento encontrar um lugar onde ele possa ficar – o que, eventualmente, o coloca na suíte mais cara do hotel do Prefeito Luís, porque ele tem cartas com as quais chantageá-lo, vitória, por sua vez, não fica se fazendo de vítima por muito tempo, e eu gosto muito disso, e mostra o quanto essa é uma alma que evoluiu de uma vida para a outra… ela procura a Rosa, que é alguém de quem sempre gostou muito e que também gosta muito dela, para pedir um emprego em sua hosteria, e Rosa a acolhe de braços abertos, até porque Vitória tem a elegância que combina com o lugar, e toda a boa vontade de aprender e ser uma funcionária incrível para o negócio de Rosa.

Enquanto Vitória se reergue à sua maneira, Bernardo vai com Raul até o Orfanato das Carmosinas em busca de possíveis respostas – como o nome sugere, o orfanato funciona no antigo Convento das Carmosinas, e gosto de toda a ironia de a filha de Bernardo ter crescido ali na outra vida, ele mesmo ter ficado escondido ali durante algum tempo e, é claro, a óbvia que é ele estar buscando por sua mãe enquanto, na vida anterior, sua mãe estava buscando por ele… a sequência do Orfanato também nos permite reencontrar um outro rosto conhecido que, na fase anterior, foi mais mencionada do que vista: Berenice. Agora irmã de Roberto, Berenice trabalha no orfanato e é com ela que o Bernardo Boldrin conversa sobre a possibilidade de encontrar informações de seu passado.

Temos boas cenas aqui!

Aos poucos, Bernardo está se afeiçoando mais e mais a Belarrosa, e ele chega sozinho até uma “gruta mágica” onde rosas vermelhas florescem lindamente – um lugar tão importante para ele durante a sua recuperação com a ajuda de Ariel no século anterior. Dessa vez, sua visita ao lugar proporciona outro encontro com Emília, com um empurrãozinho de Ariel – ele não consegue não interferir –, e aquele é um dos momentos mais importantes para os dois, porque, naquele lugar, é como se eles se vissem de uma maneira diferente pela primeira vez… sem as farpas e os julgamentos de antes, eles sorriem, e alguma coisa parece os impulsionar um na direção do outro. Uma conversa breve, uma sensação arrebatadora, uma rosa vermelha de presente e um convite para jantar…

A história deles está recomeçando.

 

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