Doctor Who (7ª Temporada, 1970) – Arco 051: Spearhead from Space, Parte 1
“Is it true
there is a man from space here?”
UMA NOVA ERA
PARA “DOCTOR WHO”, REPLETA DE
NOVIDADES. Com direção de Derek Martinus e roteiro de Robert Holmes, “Spearhead from Space” é o
primeiro arco da sétima temporada de “Doctor
Who”, exibido entre 03 e 24 de janeiro de 1970, em quatro partes. O arco
marca a estreia de Jon Pertwee como o TERCEIRO DOCTOR, bem como uma série de
novidades na série: o número de episódios por temporada é reduzido e o
lançamento passa a ser em cores, pela primeira vez na história de “Doctor Who”. Também veremos uma mudança no estilo e no ritmo da série,
uma vez que o 3º Doctor está “exilado” na Terra e trabalhará em parceria com a
UNIT, que ganha bastante evidência nas primeiras temporadas protagonizadas por
Jon Pertwee.
Inclusive, a
introdução desse episódio é uma apresentação à UNIT através de um rosto que já
vimos antes em “Doctor Who”: o
Brigadeiro Lethbridge-Stewart, que está recrutando Liz Shaw e explicando para
ela o conceito e a missão da organização… segundo ele, existem apenas em nosso
quadrante da galáxia mais de 500 planetas capazes de abrigar vida, e a
principal função da UNIT é lidar com ameaças de dentro e de fora do planeta.
Enquanto o Brigadeiro conversa com uma Srta. Shaw ainda bastante cética, o Doctor é levado para um
hospital depois de desmaiar do lado de fora da TARDIS após a sua regeneração
forçada pelos outros Senhores do Tempo, e o Doctor é o tipo de paciente que
fascina e confunde qualquer profissional que o atende.
O seu Raio-X
mostra dois corações, por exemplo, o
que é tido como “algum tipo de brincadeira de outro setor”, mas o sangue que o
próprio médico tira do paciente e envia para análise também não parece
pertencer a um humano… eles são capazes de entender
o que é o Doctor, o paciente mais famoso atualmente do Ashbridge Cottage
Hospital, e alguém telefona para a imprensa sobre a possibilidade de estarem
lidando com “um homem do espaço”, o que quer dizer que não tarda para que o
lugar esteja cheio de repórteres e curiosos. Eu gosto da nova agilidade, eu
gosto de como não é apenas um novo ator ou um episódio filmado em cores, mas
existe toda uma reformulação na forma de contar
histórias… aqui, presenciamos o renascimento de “Doctor Who”.
Não apenas
uma regeneração.
No primeiro
episódio do novo arco, o Doctor ainda está em um estado no qual ele oscila
entre consciência e falta de, e em uma das vezes em que ele acorda, ele
reconhece o Brigadeiro Lethbridge-Stewart ao lado da sua cama, embora o
Brigadeiro, por sua vez, o veja como “um completo estranho”. É através da
interação com o Brigadeiro que o Doctor toma consciência de sua nova aparência,
pedindo um espelho – que lhe é entregue por Liz Shaw – e estudando suas novas
feições, que ele conclui que até que são
bem imponentes. E eu gosto demais das suas peculiaridades, como a maneira
como pede seus sapatos e os abraça, mas só porque lá dentro está escondida a
chave para a TARDIS, que é o que ele tem de mais precioso e não pode perder.
Adoro a
sequência inusitada do quase sequestro e a fuga na cadeira de rodas!
Em paralelo,
alguma coisa séria está acontecendo…
será o primeiro trabalho do 3º Doctor com a UNIT… em uma fábrica de bonecas,
coisas estão mudando de maneira
estranha, e aqui temos uma trama misteriosa que se conecta aos supostos
meteoritos que caíram em formação na Terra e que deram início ao primeiro
episódio de “Spearhead from Space”.
Meteoritos que são, na verdade, unidades
de energia. Algo que veio do espaço e que brilha, toca e emite sinais
sonoros… a UNIT até chega a conseguir uma caixa desse elemento estranho, mas
eles não conseguem levá-la de volta para a base para estudar porque são
impedidos por um manequim. E o 3º
Doctor não é a única encarnação do Doctor a precisar lidar com manequins… é
assim que conhecemos o 9º Doctor!
Depois de
escapar de um possível sequestro, o Doctor precisa tirar aquelas roupas de
hospital, e é então que ele toma um banho e acaba roubando o que se tornará o
seu figurino icônico, com direito a uma capa, um chapéu e distinta
extravagância que combina com a personalidade do Doctor de um modo geral! Ele precisa ser peculiar, não? Com seu
novo visual e um carro emprestado, o Doctor ruma à UNIT, para onde ele sabe que
a sua TARDIS foi levada, e aqui temos um dos meus diálogos favoritos quando ele
para e se olha no espelho mais uma vez, e comenta sobre as sobrancelhas e sobre
Delphon, o planeta onde eles se comunicam
pelas sobrancelhas. É impossível não pensar no 12º Doctor e em como ele
faria um grande sucesso por lá!
É um
excelente começo… Liz Shaw, que virá a ser uma das companions do 3º Doctor, ainda está bastante cética, mas são seus
primeiros momentos na UNIT e/ou na companhia do Doctor, então ela ainda tem
muito que ver pela frente… gosto da primeira interação dos dois e de como eles
se colocam a trabalhar juntos para tentar entender o que é que chegou do espaço
e que definitivamente não são meteoritos. O Brigadeiro Lethbridge-Stewart
também desempenhará um papel importante, não só nesse episódio como nessa era
toda, sendo a “cara” da UNIT. Os dois primeiros episódios são ótimos, e eu digo
novamente o que eu já disse em outras ocasiões: o formato de 4 episódios é o
modelo ideal para a série clássica de “Doctor
Who”.
Estou
empolgado!
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