Doctor Who (7ª Temporada, 1970) – Arco 051: Spearhead from Space, Parte 2

“Smith. Doctor John Smith”

O PRIMEIRO ARCO COM JON PERTWEE COMO O NOVO DOCTOR. “Spearhead from Space” é o primeiro arco da sétima temporada de “Doctor Who” e o único que tem o tamanho que eu, particularmente, considero ideal nessa fase da série: quatro episódios. O Doctor caiu na Terra depois de ser exilado e passar por uma regeneração forçada, e agora a TARDIS está sob o poder da UNIT, e o Doctor inusitadamente se tornará um aliado importante, trabalhando ao lado de Liz Shaw e do Brigadeiro Lethbridge-Stewart. A primeira missão é contra os Nestenes, criaturas que já estão vagando pelo universo e colonizando outros planetas há milhões de anos, e que agora chegaram à Terra e precisam de um “receptáculo” para assumirem e andarem livremente.

E aí aparecem as criaturas de plástico.

Antes de nada, o Doctor até tenta “escapar”. Ele convence Liz Shaw a conseguir de volta a chave da TARDIS, depois de falar sobre um laboratório inteiro que ele tem lá dentro e sobre como seria mais fácil mostrar para ela do que ficar explicando todos os detalhes sobre como a sua nave existe de maneira transdimensional e, portanto, seu tamanho exterior não reflete necessariamente o seu tamanho interior. O Doctor teria escapado rumos a aventuras desconhecidas sem pensar duas vezes se ao menos tivesse conseguido dar partida na TARDIS, mas tudo o que ele consegue é um pouco de fumaça… ele está mesmo preso na Terra, os Senhores do Tempo se certificaram de que ele não pudesse sair. Portanto, por que não se ocupar?

Nos dois últimos episódios do arco, a trama se desenvolve de maneira mais ágil, e é gostoso acompanhar toda a investigação que envolve aquela fonte de energia que caiu na Terra e foi tomada como um “meteorito”, e que o Doctor define, depois de alguns testes e estudos em laboratório com a ajuda de Liz, que se trata de uma espécie de cérebro – parte de uma INTELIGÊNCIA COLETIVA. Conforme eles começam a entender a trama do ataque à Terra que já se iniciou, eles percebem o envolvimento da fábrica de plástico e como estão sendo feitas pessoas de plástico, como manequins, para abrigar a vida extraterrestre. Algumas são rudimentares e são chamadas de Autons e se parecem mesmo com manequins; outras são muito mais elaboradas…

E podem passar por humanos de verdade.

O General Scobie, por exemplo, ganha uma cópia de si mesmo que ele acredita que está sendo feita para o Museu de Cera Madame Tussauds, mas que assume o seu lugar dentro do exército e da UNIT. O verdadeiro General Scobie é guardado “congelado” junto com um monte de outras cópias de figuras importantes em um lugar sinistro – cópias que podem ser ativadas a qualquer momento, e que são figuras importantes que podem assumir posições em nossa sociedade… em um dia, eles podem estar por toda parte. Assim, não apenas o país está em perigo, mas toda a humanidade, que pode enfrentar uma aniquilação completa a não ser que os Nestenes sejam detidos… e o Doctor e Liz tentam advertir Hibbert sobre como ele está sendo manipulado por Channing.

Na manhã seguinte, Autons começam a sair de vitrines do mundo todo e atacar humanos e instalações – estações de polícia e centros de comunicação são todos tomados pelas criaturas, e o Doctor, em sua tentativa de deter a invasão, acaba sendo atacado por tentáculos que são a materialização dos Nestenes a partir do centro onde parece estar o cérebro de toda essa sociedade… a inteligência compartilhada. São o Doctor e a Liz quem, trabalhando juntos, conseguem deter a Invasão Nestene e garantir a segurança da Terra, e o Brigadeiro Lethbridge-Stewart sabe que um segundo ataque pode acontecer, uma vez que eles têm a mente compartilhada… então, ele espera que possa contar com a ajuda do Doctor novamente se isso acontecer.

O Doctor até está disposto a ajudar a UNIT… desde que eles possam discutir termos primeiro. Eu gosto muito dessa sequência de “negociação” do 3º Doctor com o Brigadeiro, e ele fala sobre como quer um lugar no qual ele possa trabalhar no conserto da TARDIS, além de outras coisas menores, como roupa própria e um carro parecido com aquele carro vermelho que ele “pegou emprestado” para chegar até a UNIT, e do qual ele gostou bastante. O Brigadeiro, em nome da UNIT, está disposto a fazer as vontades do Doctor, desde que elas se mostrem razoáveis, então ali se concretiza uma parceria que vem até com um “nome” para o Doctor, já que o Brigadeiro quer um… DOCTOR JOHN SMITH. É o começo de uma nova era em “Doctor Who”.

 

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