Fogo Ardente (Donde Hubo Fuego) – “O pai de Olivia é o Carniceiro de Reynosa”

Vitimização.

Infelizmente, embora eu goste muito da série/novela como um todo, eu sinto que “Fogo Ardente” está me perdendo um pouco nessa reta final… e o principal motivo é a Olivia: essa tentativa do roteiro de vender a ideia de que Olivia é boazinha, arrependida e que “sempre esteve do lado de Poncho” e tudo o mais me incomoda, e parece que esse é o caminho mesmo que “Fogo Ardente” decidiu tomar. Depois de tudo o que Olivia Serrano fez durante toda a série, depois de ter dopado o Poncho mais de uma vez e de ter ajudado o pai, o roteiro escolhe fingir que “ela nunca soube de nada”, mas seria necessária muita estupidez para nunca ter sacado nada… ao contrário disso, Olivia sabia, sim, boa parte do que estava acontecendo e sempre foi sonsa.

Agora, eles esperam que nós a defendamos como Poncho a defende.

Eu é que não vou.

Em flashbacks exageradamente longos, revisitamos o passado de Hugo Gonzalez, mas me parece desnecessário que “Fogo Ardente” dedique um episódio quase inteiro a esses flashbacks na reta final, quando eles não trazem nenhuma nova informação relevante – tudo o que vemos ali, já sabíamos. Vemos Hugo abusar de Flor, colocar fogo na casa, matar uma garota que o viu por ali no dia anterior e assumir Olivia, que não é sua filha biológica. E foi mais ou menos aí que começaram a narrativa de que “Olivia é uma vítima”. E de fato ela é, em parte. Ela foi usada e manipulada pelo pai, é verdade, mas isso não a torna inocente de todos os seus erros – e foram muitos. E quando Ricardo a vê conversando com Hugo Gonzalez, ele está exasperado por respostas.

Poncho, por sua vez, recebe um pen-drive que Leonora deixara para ele, com algumas informações a respeito de “Noé Serrano”, o pai de Olivia… e, então, tudo começa a vir à tona quando tanto o Ricardo quanto o Poncho encurralam Olivia para exigir respostas: Poncho quer saber mais sobre Noé Serrano e por que ele desaparece misteriosamente de lugares, de tempos em tempos se mudando, e Ricardo quer saber como ela conhece Hugo Gonzalez e o que estava conversando com ele, se ele deveria estar morto há mais de 20 anos… e, mesmo encurralada por Poncho e Ricardo, Olivia consegue “escapar” sem dar informações, fazendo-se de vítima exasperada, chorando, como se não soubesse do que eles estão falando ou não tivesse explicações a dar.

O que me incomoda de fato é como “Fogo Ardente” tenta nos convencer dessa inocência de Olivia. Eu não me importaria de ela agir assim com Ricardo e com Poncho se ela estivesse sendo dissimulada e pronto, mas as cenas mostram ela mesma processando as acusações de Ricardo e Poncho, como se só agora estivesse entendendo quem é o pai… e, para coroar a sua vitimização e redenção, ela é atropelada. Temos que aturar o Poncho preocupado, temos que ouvir o Poncho dizer a Ricardo que sabe que Olivia não mentiu para ele porque “vê como ela olhava para ele” (?) e que ele a ama (!), e isso tudo me leva a um ponto no qual eu realmente não me importo mais com nenhum deles… Olivia é chata, dissimulada e mal escrita, e o Poncho é burro.

Também não tenho certeza do que acha do fato de o nome falso assumido por Hugo Gonzalez ser um anagrama de “Carniceiro de Reynosa”. Quer dizer, faz todo o sentido e é uma ideia bacana, mas a facilidade com que as pessoas estão subitamente percebendo isso?! Quer dizer, a Leonora era policial, estava investigando o caso, eu posso aceitar que ela tenha chegado a essa resolução… agora a cena do Ricardo desvendando o anagrama rapidamente logo depois de ver o sobrenome de “Noé”? Achei a cena forçada e patética. Mas eu nem me irrito muito com isso, no fim das contas, porque logo em seguida vemos o Poncho se lembrando de Olivia dizendo que “fez coisas ruins” e anunciando para Ricardo que “Olivia sempre esteve do lado deles” ou algo assim.

Sério.

Gerardo, por sua vez, está tendo que se virar sem o apoio do pai… dormindo no corpo de bombeiros ou na casa de Linares, mas ao menos o vemos finalmente enfrentar a Maite como deveria ter feito há muito tempo, sem deixar que ela fale mal dele ou de Fábio, seu namorado (!), e ela acaba indo embora confessando que foi ela quem destruiu a loja. Quando o Gera vai falar com Fábio e pedir desculpas por como agiu, no entanto, o Fábio exagera ao fazer um pedido de casamento improvisado que, eu preciso dizer: me parece um pouco adiantado. Quer dizer, tudo bem que eles estão apaixonados e tudo o mais, mas há quanto tempo eles estão juntos? É mesmo a hora de pensar em casamento? Eu não julgo o Gerardo por ter entrado em pânico e ido embora.

Quer dizer: vai com calma, Fábio!

Outras tramas menores também estão se desenvolvendo: depois do acidente no terremoto, Molina não vai voltar a andar, e ele está se sentindo péssimo, inclusive tentando afastar Ana e Gabi e mandando ela encontrar “um pai de verdade” para o bebê que vai nascer; Penélope tem a chance de tirar a mãe da reclusão, mas ela não quer sair, porque está melhor ali; Rosário está lidando com a doença, com o tratamento e com uma cirurgia, com o apoio de Erick e da família que ela escolheu, mas a sua mãe está a obrigando a ir embora com ela, o que é um grande erro; Maite ganha a oportunidade de uma bolsa para estudar fora, o que me entristece, porque eu não queria ver a Maite sendo recompensada; e Julián encontra problemas com a mulher que estava conhecendo, mas reestabelece uma relação com a mãe…

 

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