Sítio do Picapau Amarelo (2004) – O Pequeno Samurai: Parte 1

A lenda do kappa…

COMEÇOU A MAIOR (E MELHOR) HISTÓRIA DE 2004: “O PEQUENO SAMURAI”. Estava ansioso por esse momento e sinto que, de alguma forma, “O Pequeno Samurai” já estava começando a preparar o “Sítio do Picapau Amarelo” para contar histórias mais longas e mais complexas – a última história de 2004 (mas não da temporada, porque janeiro de 2005 ainda exibiria “Dom Quixote”, história pertencente à quarta temporada do programa) tem 47 capítulos, e tem um roteiro muito mais elaborado, sério e sombrio… os capítulos se tornam muito mais longos (chegando a 29 minutos de duração) e muita coisa acontece a cada dia, e eu gosto dessa constante movimentação, de estar acompanhando uma história que vai crescendo com o passar do tempo, apresentando novos personagens com calma, explorando um pouco do folclore japonês.

“O Pequeno Samurai” é uma excelente história! (E não se parece em nada com a simplicidade quase boba de “Aladim”, sua predecessora)

A história começa no finzinho de “Aladim”, quando uma praga assola o Sítio do Picapau Amarelo e as fazendas de café do Coronel Teodorico, e um misterioso homem japonês, o Takeshi-san, aparece dizendo que pode ajudar… de imediato, Emília não gosta dele e diz que “ele tem cara de bandido”, mas Dona Benta acha um absurdo ela tratar o visitante dessa forma e a manda pedir desculpas – o que a bonequinha se recusa a fazer, e depois ainda fica brava porque “ninguém nunca a escuta, embora ela enxergue muito mais do que os outros, com seus olhinhos de retrós”. Sabendo que Emília pode ser um empecilho, Takeshi-san a segue até o celeiro e diz que “só quer conversar”, mas ele é assustador, mostrando dentes pontiagudos, e quando Emília grita por socorro, o Pedrinho aparece depressa para ver o que está acontecendo, e Takeshi-san engana todo mundo…

Takeshi-san enfeitiça Emília, a coloca para dormir, e joga uma cobra ao seu lado, para fazer parecer que ela gritou por causa da cobra e o Takeshi a estava salvando – e é a história que o Pedrinho conta, e como Emília não se lembra de nada quando acorda, fica por isso mesmo… mas ela acha tudo muito estranho porque, segundo ela, “ela não tem medo de cobra”. Takeshi-san é astuto e perigoso, e ele consegue se infiltrar no Sítio do Picapau Amarelo conquistando a confiança de Dona Benta a admiração do Pedrinho, que adora histórias de samurai… sabido da praga que assolou o sítio, Takeshi-san diz que se trata de puccinia, e o Visconde fica um tanto quanto desconfiado porque, no fim das contas, Takeshi-san tinha razão, mas essa é uma praga que assola normalmente países mais frios… de todo modo, Takeshi-san diz que sabe como combater a praga.

E, assim, ele vai ganhando a confiança de quase todos.

Até a Narizinho manda a Emília parar de implicar com o Takeshi-san, porque “ele até salvou a sua vida”, mas, para a bonequinha, tudo não passa de fingimento, e nada vai fazê-la mudar de ideia em relação ao visitante… ela não confia nele e pronto, mas ninguém parece disposta a dar-lhe atenção. Emília fica ainda muito brava quando descobre que a Dona Benta o contratou para ajudar o Tio Barnabé, e a bonequinha, que está com a razão, ainda leva uma bronca porque Dona Benta a manda ser boazinha com o novo morador, e a velha senhora diz que “espera que ele fique ali por muito tempo ainda”, porque “ele é a gentileza em pessoa”. Dona Benta é uma mulher acolhedora e que gosta de ver o bem nas pessoas, e Takeshi-san se aproveitou disso, tendo “aparecido na hora certa”, e agora Emília vai ter trabalho para provar que está com a razão!

Com a chegada dos personagens japoneses, o Sítio começa a se interessar por essa cultura, e Dona Benta e Visconde contam um pouco sobre os samurais, que protegiam a nobreza e combatiam malfeitores. Pedrinho é um fã de mangás e, em um deles, Emília reconhece o leque que Takeshi-san sempre carrega consigo… nas histórias, no entanto, ele sempre é levado pelos bandidos! Gosto muito do clima que ronda “O Pequeno Samurai”, que deixa de lado a bobice e infantilidade de outras histórias e escolhe criar uma atmosfera mais séria e sombria, onde os vilões são realmente maus, e não apenas cômicos. Takeshi-san tem uma risada macabra e um visual assustador quando seus dentes de “vampiro” se projetam, e eu acho muito interessante como o “Sítio do Picapau Amarelo” introduz o kappa em sua história, o que nos deixa curiosos por mais do folclore japonês.

Eu mesmo fui ler tudo o que podia sobre o kappa!

Na primeira noite do Takeshi-san no Sítio, um vento gelado toma conta do lugar e, por todos os lugares nos arredores, o frio congelante pode ser sentido… os animais da mata fogem assustados com alguma coisa, o que intriga o Saci, e a Iara comenta sobre o frio súbito que está sentindo… o riacho nunca ficou assim, nem mesmo no inverno. A Cuca, por sua vez, acorda resfriada, com a voz anasalada, e espirrando fogo, o que é um tormento para o Pesadelo! Ela nunca ficou resfriada na vida, mas nunca sentiu um frio como o daquela noite e, para poder se curar do resfriado, ela precisa fazer “um xarope de olho puxado”. Na manhã seguinte, o Saci chega assustado ao Sítio de Dona Benta para pedir a ajuda das crianças, que chegam à mata e encontram uma situação inesperada… Iara está desmaiada e com dois furinhos no pescoço que parecem mordida de vampiro.

Nas palavras do Dr. Caramujo: “Mordedura pescoçal de origem vampiroide”.

O Dr. Caramujo ainda fala sobre como esse “vampiro” ataca até debaixo da água, porque “teve muitos chamados por mordida” nessa noite, como se fosse uma epidemia! No Sítio, a horta amanhece mais linda que nunca, e nem sinal da praga, o que deixa Dona Benta encantada, enquanto Takeshi-san apenas aumenta o seu poder sobre cada um deles… o Pesadelo acaba aparecendo no Sítio para pedir a ajuda do Visconde para encontrar um “olho puxado” para o chá da Cuca, e então ele vê Takeshi-san na horta, e ele tenta capturá-lo, mas Takeshi é tão ameaçador com os dentes afiados e os sonos animalescos que o Pesadelo acaba saindo correndo e chamando pela Cuca… o Rabicó até o vê fugir do Takeshi, o que deixa a Emília muito desconfiada… por que ele fugiria assim? Só se o “Tomate-san” fosse o vampiro que apareceu no capoeirão na noite anterior!

Emília mata a charada na hora.

Mas Pedrinho e Narizinho acham tudo um absurdo e não lhe dão atenção, e Emília resolve tirar o que ela chama de “a prova dos bofes”: ela pega o seu kit anti-bruxa (que serve também para vampiro, segundo ela), com crucifixo, alho e “água dona benta”, e então parte com as crianças (que aceitam participar disso só para a Emília parar de implicar) até a horta para falar com Takeshi-san, e assim que ele vê as coisas que eles estão carregando, ele abre o leque mágico que sempre carrega consigo e começa a se abanar, o que faz com que ele não sinta quase nenhum efeito. O crucifixo e a água benta são inúteis contra ele, e o alho chega a fazê-lo espirrar, mas nada demais… nada que prove a teoria de Emília. “Se ele fosse vampiro, a gente tinha espantado ele com aquele kit”, dizem as crianças. Não demora muito para que Emília volte a falar do leque dos mangás do Pedrinho e então ela entende tudo: o leque é mágico, por isso não aconteceu nada!

Como o Pesadelo não cumpre a sua missão de trazer “os olhos puxados” para a Cuca fazer o seu chá, a jacaroa resolve ela mesma ir até o Sítio do Picapau Amarelo para enfrentar o Takeshi-san, e essa é uma das cenas mais icônicas de “O Pequeno Samurai”. Takeshi-san a recebe todo debochado e confiante, e os dois começam a brigar e, em um primeiro momento, Takeshi não precisa nem fazer muita coisa, mais se desviar dos golpes e deixar que ela se machuque sozinha… depois, pela primeira vez, Takeshi-san usa o seu leque mágico para se transformar no kappa, E É MUITO LEGAL VER A SUA TRANSFORMAÇÃO. A fantasia de “kappa” é meio zoada, e eu acho que o Takeshi é muito mais assustador e macabro em sua forma humana, mas ainda assim é legal ver a transformação, e ver o kappa e a Cuca brigarem… é o folclore japonês brigando com o folclore brasileiro.

E Cuca perde feio.

Enquanto isso, o pessoal do Arraial dos Tucanos presencia a chegada de um imenso pássaro, uma fênix – tem quem o ache bonito, tem quem se assuste e, no fim, a fênix acaba indo embora do arraial para, longe da vista das pessoas, ela se transformar em uma misteriosa mulher japonesa, uma das forças do bem que se oporão às forças do mal comandadas pelo kappa. Como mulher, Tomiko, a fênix chega ao Arraial dos Tucanos, procurando informações e um lugar para se hospedar, e é então que o Coronel Teodorico a leva até a pensão da Dona Joaninha, mas Tomiko também está interessada em saber mais sobre o Sítio do Picapau Amarelo, porque “já ouviu falar muito bem daquele lugar”. E, com as suas perguntas, Tomiko consegue tirar algumas informações do Coronel, que fala, por exemplo, sobre a praga que assolou o sítio e o visitante que chegou lá…

Enquanto isso, Emília coloca o Visconde de Sabugosa para pesquisar tudo o que ele puder encontrar sobre o tal “vampiro japonês”, e então o Visconde chega à lenda do kappa, uma espécie de duende dos rios… ele tem um leque mágico, vive nos rios e é muito briguento, mas ele “se transforma num homem de aparência muito serena e pacata”. Então, a Emília só tem uma conclusão à qual chegar: “É o Tomate-san, Visconde!” Visconde descobre que o kappa ataca tal qual os vampiros, mordendo o pescoço das pessoas e sugando seu sangue… preocupadas, Emília e Narizinho pensam em avisar o Pedrinho, mas elas ficam ainda mais angustiadas quando descobrem que o Pedrinho não está mais no Sítio, porque ele saiu para pescar com o Zé Carijó… e o Takeshi-san foi junto. Na pescaria, Pedrinho pesca um anzol de ouro, e esse é o momento em que as coisas mudam em “O Pequeno Samurai”

 

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