Supergirl (2026)

“Your life will be your revenge”

Com “Superman”, o filme de 2025 protagonizado por David Corenswet, um novo universo cinematográfico da DC, pela visão de James Gunn, teve início. A primeira parte desse projeto, intitulada “Deuses e Monstros”, conta também com séries para a TV como “Pacificador” e “Lanterns”, atualmente em exibição, e “Supergirl” é o segundo filme do DCU para o cinema, expandindo esse universo, trazendo de novo o adorável Krypto que esteve na Terra com Clark Kent durante o filme anterior e nos apresentando oficialmente a Kara e suas dores. Escrito por Ana Nogueira, dirigido por Craig Gillespie e protagonizado por Milly Alcock, o filme foi lançado em junho de 2026.

Kara Zor-El adoraria não se importar. Ela adoraria poder passar o resto da vida encontrando desculpas para “se esconder” em planetas com sóis vermelhos onde ela frequentava bares, tomava porres e não tinha um sol amarelo para impedir que ela sentisse efeitos das bebidas ou que lhe desse “poderes” que, consequentemente, trazem responsabilidades. Ela gosta da sua vida “boêmia” que não é, realmente, de alguém que não se importa… é de alguém que se importa tanto que ela precisa de uma maneira de lidar com as próprias dores. E, eventualmente, ela precisa deixar para trás as bebidas em planetas de sol vermelho para ajudar uma garota e salvar o próprio cachorro.

Ruthye Marye Knoll viu a sua família inteira ser brutalmente assassinada por Bandoleiros liderados por Krem e, agora, ela busca vingança… com a poderosa espada do pai em mãos, a garota busca alguém que possa ajudá-la – e Kara acaba entrando nessa história quase sem querer, mas ela tem seus motivos para entrar na luta: 1) a garota quer vingança e ela sabe o que isso pode fazer com ela; 2) várias mulheres e garotas estão sendo sequestradas em vários planetas para reprodução; e 3) Krem acabou de envenenar o seu cachorro e ela tem apenas 72 para conseguir o antídoto para salvá-lo antes que seja tarde demais. Kara Zor-El não vai deixar barato.

Em meio a bastante ação, o filme também explora flashbacks que nos levam de volta à história de Kara e evidencia os motivos pelos quais ela e Clark são tão diferentes. Ele é mais velho do que ela, mas ela o acha “jovem” porque a sua alma é jovem – ele não precisou passar por algumas coisas pelas quais ela passou. Kal-El foi enviado para a Terra em uma cápsula enquanto Krypton estava morrendo, aproximadamente 8 anos antes do nascimento de Kara… ela, por sua vez, nasceu em um resquício de Krypton, um lugar chamado Argo que ficou flutuando em uma redoma instável na qual pessoas começaram a morrer por causa da radiação, inclusive os seus pais…

Diferente de Clark, que cresceu na Terra em uma fazenda no Kansas, Kara viveu a destruição de Krypton na pele, viu a morte dos pais e teve que se despedir deles quando foi enviada para a Terra em sua própria cápsula. Sua bagagem é completamente diferente da de Clark, e Clark e Krypto são a única família que lhe restou. Krypto veio com ela de Argo… Clark foi quem a recebeu quando sua cápsula caiu na Terra próximo à Fortaleza da Solidão, e sua luz e sua vivacidade são um contraste e um complemento interessante que fazem de Kara e Clark uma boa e interessante dupla. Foi bom ver o David Corenswet de novo, não apenas porque ele é lindo, mas porque ele é um Superman incrível!

O filme explora a personalidade de Kara através de suas cicatrizes e dos ensinamentos dos pais – a mãe pediu que ela fosse boa… mesmo que ela não fosse sempre gentil, que ela fosse boa. E isso ressoa na relação que Kara tem com Ruthye, que acaba a seguindo por onde ela vai, independentemente do que Kara a mande fazer, e o resultado é bonito. Da garota que dizia, no início do filme, que “não queria ser como ela”, Ruthye se torna a garota que a admira por reconhecer, exatamente como a mãe de Kara esperava, que ela é boa… mesmo sendo grosseira e difícil de lidar às vezes, ela é uma boa pessoa. E o que ela quer, enfim, é ser exatamente como ela.

“Supergirl” entrega uma variedade de cenas de ação, em estilos diferentes – nem todas são cenas de ação no estilo “super-herói de HQ”, o que acaba funcionando para que seja uma crescente até o clímax do filme, que enfim entrega o que esperávamos nesse sentido… mas vemos Kara lutar em um planeta de sol vermelho, por exemplo, enfrentar saqueadoras em seu primeiro ônibus espacial, e se tornar a Supergirl assim que o sol amarelo a atinge… suas demonstrações de poder uma vez que está em qualquer planeta que tenha um sol amarelo são sempre muito boas de se assistir, e é por isso que é profundamente angustiante a ver em um lugar com um sol verde.

Enquanto Kara Zor-El está incapacitada de lutar pelo sol verde de Barenton, Ruthye a deixa em segurança em uma caverna enquanto assume o protagonismo da ação por algum tempo – e ela é uma personagem que me conquistou. Eu acho que o seu desejo de vingança é justificado, e ela não é uma garotinha indefesa que não sabe o que está fazendo… ela teria conseguido matar Krem, e só não o faz porque, em algum momento, Kara a impede por saber o que isso fará com ela, saber que isso vai transformá-la para sempre e que a assombrará o resto da vida, e ela não quer que Ruthye seja uma assassina. Mas ela tem a força e a determinação para tal, e assume bons momentos da narrativa…

Até que o sol verde ceda lugar ao segundo sol do planeta, amarelo, e Kara está de volta… e com o uniforme que Ruthye julgou que seria importante e trouxe para ela – É TÃO BOM VER A SUPERGIRL EM AÇÃO. Ainda há um momento em que ela é enfraquecida por kryptonita, mas o seu retorno livre dela entrega o seu momento mais impactante no filme, e é um bom clímax que consiste em vingar a família de Ruthye, salvar Krypto e resgatar as mulheres sequestradas. Pode beirar o brega e eu reconheço isso, mas eu gosto da estética da câmera lenta para momentos específicos como quando ele é utilizado para que vejamos tudo o que Kara está fazendo no meio de uma sequência de ação grandiosa e caótica.

O filme é muito bem finalizado… Kara se importa, mesmo que tenha passado algum tempo fingindo que não. E há algo muito poderoso na maneira como ela impede Ruthye de matar Krem para salvá-la, mas ela mesma o mata. Gosto de momentos emotivos como o abraço de Kara e Ruthye, com o filme tendo preparado o terreno para aquele momento de afeto reconhecido, ou a alegria de Kara ao ver Krypto abrir os olhinhos e pular em cima dela, a lambendo com toda a energia que ele tem. Também gosto de como ela acaba retornando à Terra não só para visitar o Clark, mas, talvez, para ficar um tempo ali… talvez ela esteja finalmente em casa, talvez ela não precise mais fugir.

É tão bom quanto o “Superman” de 2025? Nem de longe. Mas eu gostei!

 

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