Glee 5x13 – New Directions

“Glee club is officially over. Thank you, guys. It’s been an honor”

O FIM DO NEW DIRECTIONS… OFICIALMENTE. Exibido em 25 de março de 2014, “New Directions” é o décimo terceiro episódio da quinta temporada de “Glee”, e o momento em que nos despedimos oficialmente de Ohio e do McKingley High para vermos o show sendo transferido inteiramente a Nova York, em uma decisão que, como comentei inúmeras vezes, não me agrada – especialmente porque é feita da maneira e no momento errado. Sempre serei a favor de uma constante renovação no elenco e nas tramas que teria garantido uma sobrevida à série – “Doctor Who” viveu tantos anos pelo conceito de renovação em seu âmago –, mas acho que a série também teria funcionado sendo repaginada para abordar outro tipo de história na vida adulta desses personagens.

Mas teria que ter sido feito de verdade e não como está sendo feito agora.

Enfim.

O último episódio da temporada no McKingley High traz April Rhodes e Holly Holliday conseguindo com Sue Sylvester mais uma semana para o New Directions antes de a sala ser desativada e transformada em um laboratório de informática, e os personagens estão cantando suas últimas músicas por lá, enquanto pensam em como será o futuro. Tina, por exemplo, ainda não recebeu uma resposta da Brown, a faculdade para a qual queria ir, e os amigos tentam convencê-la a ir com eles para Nova York, e um acidente faz com que ela tenha uma daquelas suas experiências na qual ela se vê em outra realidade – aqui, ela é uma das protagonistas de “Chums”, e embora eu adore a recriação da abertura de “Friends”, eu sinto que falta “I’ll Be There For You”.

Toda a sequência é uma grande piada, é claro… não é para ser levada a sério, pelo menos é o que acredito. As piadas funcionam muito mal, a risada de fundo é propositalmente desconfortável, e foge bastante da realidade que Tina encontraria em Nova York se de fato ela estivesse se mudando para lá… quando ela “está na pior”, Blaine, Sam e Artie cantam com ela uma versão acústica de “Loser Like Me” que lhe dá força e a ajuda a decidir ir com eles, com aquela decisão de que “ela não precisa de um plano, eles vão dar um jeito quando estiverem lá” (sério!), mas no fim nada disso será necessário, porque Tina estava se preocupando demasiadamente por uma resposta que ainda não tinha chegado, mas enfim chega: ela vai para Brown.

Kurt e Mercedes, por sua vez, cantam “I Am Changing” em uma tentativa de falar sobre brigas entre amigos e fazer com que Santana e Rachel se reconciliem, e eu não gosto nem um pouco de toda essa trama, e de como não fica suficientemente claro que a Rachel não estava certa nessa história toda, embora a sua “oferta de paz” de 10 shows seja boa. Eles abandonam já toda a trama de Santana sendo substituta em “Funny Girl” com uma conversa que ela tem com a Brittany que a faz entender que esse nunca foi seu sonho mesmo e que ela só “não quer deixar a Rachel ganhar”, mas o que ninguém parece entender é que, sendo a Santana ou não, a Rachel precisará de uma substituta. É assim que funciona! Mas as duas fazem as pazes e cantam “Be Okay”.

Temos, ainda, a Holly liderando “Party All the Time”, que funciona como um número produzido de despedida, e a Quinn e o Puck resolvendo seus problemas e resolvendo tentar namorar pela primeira vez. Eles cantam “Just Give Me a Reason”, que é anunciada por Will Schuester como a última música cantada naquela sala do glee club, e posso dizer? EU SIGO ACHANDO UMA TREMENDA INJUSTIÇA O TRATAMENTO DADO AOS “NOVATOS”. A série nunca os tratou com o respeito devido, desde a sua concepção ao seu desenvolvimento, e eles são descartados com cenas apagadas, sem falas, sem histórias, sem nada… eles ganham uma única cena brevíssima que é a maneira da série se eximir da culpa de não ter entregado literalmente nada para aquele grupo.

Sentirei falta da Marley, da Unique e do Jake.

Eles mereciam mais. E podiam ter entregado muito mais.

A despedida oficial do glee club acontece no auditório, e me deixa bastante dividido… eu acho o vídeo que o glee club grava para o Mr. Schuester bastante emocionante, e acho que a escolha da música não poderia ser melhor: “Don’t Stop Believin’” é o grande hino de “Glee” e é a música que os membros originais cantaram que fez o Will acreditar naquele projeto e voltar, lá no Piloto… também é bonito ver o Will subir ao palco e se unir a eles, cantando pela primeira vez a música que está sendo cantada pela quarta vez na série. Ainda que seja emocionante com a coreografia que nos remete à cena original e eu tenha chorado enquanto assistia, a mensagem de “não deixar de acreditar” acaba ficando meio perdida quando é literalmente o que eles estão fazendo…

O glee club acabou e vai ficar por isso mesmo… a mensagem da série fica perdida na maneira como essa trama foi feita. Seria muito mais honrado ter mudado o foco da série para Nova York quando eles tiveram a oportunidade de seguir os formandos originais e ter se comprometido com uma mudança de tom e tema na série, ou então eles poderiam mudar esse foco agora e nos dizer que o glee club continuou, mesmo que nós não estivéssemos mais naquela sala com eles o tempo todo. Mas não: eles literalmente encerram as atividades no McKingley High. Todas as vidas dos jovens que foram mudadas naquela sala e aquele espaço seguro do qual tantos precisavam deixa de existir, e cada um trilhará seu próprio caminho na escola… talvez nem sejam mais amigos.

É triste, é injusto e é uma mácula ao discurso da série desde o início.

Depois da despedida breve e inexpressiva dos personagens “novos” que relembram a importância do que viveram ali e se perguntam se a Kitty continuará cumprimentando a Unique quando a encontrar pelos corredores, por exemplo, Tina os interrompe e os chama para o auditório para que acompanhem a formatura que oficialmente permite que personagens como ela, o Sam, o Blaine e o Artie se despeçam do McKingley High. Alguns irão para Nova York, outros trilharão outros caminhos em outras faculdades, e Will tem uma entrevista de emprego para o Vocal Adrenaline, conseguida por ninguém menos que a própria Sue Sylvester. A série está tentando se reinventar, mas tarde demais para isso, e de maneira abrupta e sem planejamento… e sabemos o que isso significa.

 

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