Chiquititas Brasil (2ª Temporada, 1998) – Os problemas de JP

“Minha mãe quer me levar pra Paris!”

A história de Açucena Urien deixou cicatrizes que nem Mili nem o JP conseguiram superar ainda. Mili foi convidada por Carolina a passar algum tempo na casa de campo dos seus pais, porque estava muito triste com a maneira como foi tratada por JP; o João, por sua vez, está dividido entre ficar bravo porque foi enganado e sentir falta da garota por quem ele se apaixonou… e a história dos dois, que não chegou a acontecer de verdade, pode chegar ao fim antes mesmo do retorno de Mili porque Linda Ribeiro, a mãe de JP, está retornando para Paris e, dessa vez, ela pretende levar o João Pedro com ela – desse modo, ela o “salvará” da Mili. Agora, JP está sofrendo porque “sua mãe quer levá-lo para Paris” (como não lembrar de Mia Colucci?), e ele quer ver Mili antes.

Desesperado, JP corre até o Orfanato Raio de Luz e pede que Carolina ligue para a Mili e diga que ele quer falar com ela, que ele precisa vê-la, mas Mili se recusa a falar com ele, sem saber ainda tudo o que está acontecendo… sem saber que ele pode ir embora e eles nunca mais se encontrariam. A mudança iminente de JP e sua família e a vacância da casa ao lado também significa que tanto o Alfredo quanto o Beto ficarão sem emprego, o que rende algumas cenas divertidas da dupla que funciona tão bem, mas o foco dessa história é o drama… João conta para as crianças do orfanato que ele está indo embora, e as meninas que foram cúmplices da história de Açucena ficam desesperadas com a possibilidade de o JP ir embora para Paris para sempre e tentam falar com ela…

Ela precisa saber o que está acontecendo.

Então, Pata e as demais garotas buscam Carolina para explicar a gravidade da situação: “Carol, o João Pedro vai pra Paris, a gente tem que avisar a Mili!”. No início, Carol tenta dizer que é melhor não incomodar a Mili com isso, mas as garotas sabem exatamente como convencê-la: elas a fazem pensar no Fernando indo embora para não voltar mais e perguntam se ela ia querer ser avisada… então, Pata e Vivi passam o dia inteiro tentando entrar em contato com Mili, mas telefonemas de longa distância eram muito mais complicadas na década de 1990, e por isso o tempo vai ficando cada vez mais apertado. As duas conseguem finalmente falar com a Mili no fim do dia, e falam sobre como ela tem que voltar e sobre como é importante que venha se despedir.

“Tudo bem, tudo bem, eu vou tentar chegar aí o mais rápido possível, tá?”

O retorno de Mili, no entanto, pode trazer ainda mais dor para o seu coraçãozinho tão jovem… a ideia de ela se ausentar para esquecer o João Pedro não funcionou, é claro, e a sensação de perdê-lo agora faz com que toda a dor que ela estava sentindo retorne com tudo. Quando chega, acompanhada de Cris e de Maria, Mili pergunta sobre o João antes de qualquer coisa, e logo depois o Alfredo aparece no orfanato, e conta que, a essa hora, o avião dele deve estar partindo, porque a sua passagem foi confirmada no mesmo voo da mãe… desesperada, Mili corre para a casa ao lado para bater à porta e chamar o nome de João, dizendo que ela está ali, e por alguns segundos temos esperança de vê-lo aparecendo de surpresa, mas a casa está vazia – e Mili está mais arrasada do que nunca.

Felizmente, Mili tem amigos, tem um pai invisível e um grupo de duendes que a amam… ou algo assim. Na sua ausência, eles trabalharam intensamente para reformar o sótão da torre e transformá-lo em um escritório no qual ela pudesse escrever suas histórias, usando como base o desenho que ela mesma fizera, e que vira em um sonho que teve – um sonho do qual Miguel também fazia parte. Com a antecipação de sua volta por causa de toda a história do JP, Carolina e os demais precisam trabalhar mais rápido do que imaginaram para que tudo esteja pronto a tempo de sua chegada: Beto e Alfredo, recém-desempregados, são contratados para esse serviço, e Fábio, Ana, Dani, Tati e Thiago se unem como “duendes” para dar toda a ajuda necessária.

Em parte, Mili ainda está arrasada… mas é um gesto muito bonito o empenho no NOVO ESCRITÓRIO que ela ganha de presente, e ela reconhece isso. Agora, ela tem um lugar que é seu, e eu o vejo quase como uma prévia do “Cantinho de Luz”. É um lugar bonito, aconchegante, com um quê de magia… um lugar onde Mili pode se sentir em casa e onde pode dar vida à sua imaginação – e, de alguma maneira, é um lugar que ela “compartilha” com o seu pai. Quando ela adormece na cadeira que colocaram ali para ela em frente a uma mesa de trabalho, Miguel aparece para ela, para tentar ajudar a aliviar o seu coração… com seus poderes, ele lhe dá paz. Ela não se lembrará dele ao acordar, mas se sentirá mais leve. E é assim que ela desperta, lentamente se curando…

Muito bonito!

 

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