Dia D (Disclosure Day, 2026)
“Don’t be
afraid of what you don’t know”
UM DOS MEUS
FILMES FAVORITOS NO ANO! Com roteiro de David Koepp e a direção emocional de
Steven Spielberg, “Dia D” chegou aos
cinemas brasileiros em 11 de junho de 2026, com uma história sobre o nosso direito de saber… uma ficção
científica sobre alienígenas chegando à Terra que inevitavelmente nos faz
pensar em filmes como “E.T.: O
Extraterrestre” ou séries como “Arquivo
X”, eu fiquei absolutamente encantado com a maneira como a história se
apresenta, como o filme é conduzido e como há urgência ao mesmo tempo em que
existe uma calma e uma “tranquilidade”, porque não se trata de uma invasão alienígena, e eu terminei tão
emocionado quanto aquela âncora pega desprevenida.
Histórias
como “Guerra dos Mundos”, “Independence Day”, ou mesmo “Um Lugar Silencioso” são o que muita
gente tem como base de histórias em que seres de outros planetas chegam à
Terra. Em contrapartida, temos histórias como “A Chegada”, em que não somos levados a uma guerra e subjugo da
humanidade – “Dia D” entra nessa
categoria e, particularmente, eu gosto muito dessa abordagem. A ideia de seres
que vêm para dominar não é
impensável, eu sei, mas também é uma projeção bastante humana que replica o que humanos fizeram com civilizações
diferentes das suas ao longo de séculos. Talvez nem todo ser extraterrestre
esteja vindo para colonizar.
Gosto de
essa ser a primeira e mais forte mensagem do filme: “NÃO TENHA MEDO DO QUE VOCÊ
NÃO CONHECE”. É assim que os grupos do filme se dividem: de um lado, aqueles
que defendem um tratamento decente de
criaturas alienígenas que chegaram à Terra e o direito de toda a humanidade de saber; de outro, aqueles que querem
manter o segredo enquanto os dissecam e exploram seus destroços para avanços
tecnológicos muito além de nossa realidade. Eu gosto muito de como a história
está ancorada em algo que pode ser profundamente real: anos e anos de avistamentos, de pousos, de prisões… casos encobertos de
maneira sistemática por pessoas poderosas que não querem que saibamos.
E é assim
que o filme ruma para O DIA DA REVELAÇÃO.
Josh
O’Connor dá vida a Daniel Kellner, um homem que passou algum tempo trabalhando
para as pessoas que faziam de tudo para guardar esse segredo, e que agora está
ajudando a levar a verdade para fora – em uma mochila, ele tem as provas de um
conhecimento que pertence às 8 bilhões de pessoas que habitam nosso planeta, e
não de um grupo pequeno. Emily Blunt dá vida a Margaret Fairchild, uma
meteorologista que começa a ter experiências curiosas depois de avistar um pássaro vermelho que entra em seu
apartamento e desperta algo que estava dormente dentro de si. E eu sou apaixonado pelas atuações tanto de Josh
O’Connor quanto de Emily Blunt.
Eles estão
fantásticos em cada momento do filme.
As
experiências de Margaret são profundamente intrigantes. Ela começa a falar
russo em uma conversa com o namorado sem registrar que o está fazendo; no
caminho para o trabalho, ela é parada por um policial e, ao olhar para ele, ela
sabe de coisas que não poderia saber e fala com serenidade o que parece
impossível; no estúdio, ela conversa em coreano com um convidado do jornal; e
então as coisas ficam realmente estranhas
quando ela entra ao vivo para apresentar a previsão do tempo, como faz
diariamente, e alguma coisa acontece com ela e ela fala ainda uma outra língua… uma língua formada pelo que parecem
estalidos, e que claramente é alienígena.
Daniel, por
sua vez, tem aquela urgência interessante da fuga desenfreada, porque ele tem
informação que ele está disposto a divulgar publicamente e está indo contra
pessoas com poder o suficiente para calá-lo – dentre elas, Noah Scanlon, um
homem capaz de usar tecnologia alienígena, independentemente das consequências
disso, para se conectar a pessoas
através de suas fotos, e ele se conecta a Jane, a namorada de Daniel e
ex-noviça, para poder segui-lo. Isso nos entrega algumas das melhores cenas de
suspense do filme. Jane, por sua vez, entrega uma discussão interessante a
respeito de fé e religião, o que atinge o seu ápice em uma conversa por
telefone com a Irmã Maura.
Naturalmente,
Daniel e Margaret são partes de uma mesma história, e é bonito ver isso se
desenvolver em paralelo. Gosto bastante do momento em que Daniel vê o vídeo de
Margaret e, ao contrário de todas as
outras pessoas, entende perfeitamente o que ela está dizendo, a ponto de
não entender por que aquele vídeo é
tão especial; e também gosto muito de como Margaret vai entendendo que o que
está acontecendo com ela, ou através dela,
não é algo ruim, ela é apenas uma passageira, e ela tem coisas a fazer.
Momentos como quando ela liga para Daniel e o manda não retornar para a casa da
fazenda, porque estão esperando por ele, ou como segue rumando em sua direção,
sem saber como sabe onde ele está.
O reencontro
dos dois nos entrega uma das cenas mais intrigantes do filme. Existe algo de
reconhecimento mútuo ali, embora eles ainda não entendam bem como se conhecem e desde quando, mas Margaret consegue tirar Daniel das mãos de
Scanlon, que o havia capturado, e eles saem daquele lugar caminhando quase que
tranquilamente, porque Margaret consegue ver
cada uma das pessoas que se coloca em seu caminho… e ele diz a elas verdades
através dos rostos e das vozes de pessoas que são importantes para elas. É um
poder tão grande e há algo de etéreo ali. Uma vez que eles estão fora, no
entanto, as pessoas vêm atrás dele – eles
querem manter o segredo.
Margaret e
Daniel entendem, com a ajuda de Hugo e de seu grupo, todos dispostos a trazer o
Dia da Revelação à tona, o que aconteceu com eles na infância e estava latente
dentro deles – no caso de Daniel, até alguns anos antes; de Margaret, apenas
dias. Eles foram escolhidos quando os alienígenas se apresentaram a eles na
forma de animais, para não gerar pânico, e foram imbuídos de capacidades de
interpretação – seja da matemática, a “língua universal”, ou outras coisas.
Margaret e Daniel são duas ferramentas através das quais os alienígenas podem
se comunicar com o restante da humanidade: Daniel ajuda os humanos a
entendê-los; Margaret os ajuda a entender os humanos.
E, agora,
eles têm uma missão a cumprir.
É uma
corrida contra o tempo e contra as forças do governo para trazer a verdade ao
público, às 8 bilhões de pessoas a quem esse conhecimento pertence de verdade…
de um lado, Margaret se preparando para estar em frente às câmeras e fazer o
anúncio; de outro, Daniel transferindo todos os vídeos e evidências das décadas
de verdades omitidas. Percebi, mais tarde, o quanto eu prendi a respiração enquanto eles tentavam entrar no ar, o
quanto havia urgência contra as forças que tentavam impedi-los, e o quanto
havia um estranho quê de tranquilidade que era proporcionado pela própria
imagem de Margaret e a sua conexão com as pessoas. Era por isso que precisávamos dela.
Na
realidade, talvez não tivesse sido possível… eu acredito que a teriam tirado do
ar de uma maneira ou de outra. Aqui, embora eles tentem, não é possível. Um
anúncio breve de Margaret introduz os muitos vídeos expostos por Daniel – uma
série de registros militares de contato com alienígenas ao longo da história do
último século, tudo encoberto para que as pessoas não soubessem. Eu gosto
demais das reações… gosto de como o filme nos apresenta diferentes âncoras fazendo
anúncios e o mundo parando para assistir
em silêncio, enquanto algo grande se assentava. Cenas ao redor do mundo das
pessoas vidradas em diferentes telas mostram que o mundo estava mudando para sempre…
Essa é uma
temática que mexe profundamente comigo. Nesse momento, que traz o DIA D que dá
título ao filme, eu estava tão emocionado quanto estaria se estivesse
acontecendo na vida real. Eu acredito, tal qual a Irmã Maura, na existência de
vida fora da Terra porque não acho que
faz sentido um universo tão vasto para que só exista a gente; também
acredito na possibilidade de algumas dessas vidas já terem chegado à Terra e
terem sido mortos, presos, maltratados, pesquisados, explorados, escondidos.
Não sei se teremos, um dia, o prazer de termos uma Margaret e um Daniel que
conseguem trazer essa verdade à tona… mas
eu certamente queria estar aqui para ver isso acontecer.
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