Chiquititas Brasil (2ª Temporada, 1998) – A história de Poliana
A chegada da sobrinha do Chico!
Quando o
Chico recebeu o telegrama que dizia que o seu irmão mais novo tinha morrido e
ele precisava ir urgentemente para o Rio de Janeiro para resolver algumas
coisas, ele não imaginou que ele retornaria para São Paulo, ao Orfanato Raio de
Luz, trazendo com ele uma criança.
Poliana é a sua sobrinha que não aceita a morte do pai, tampouco sabe algumas
verdades sobre ele, e por isso é uma
garota difícil de se lidar nos seus muitos primeiros capítulos… revoltada,
antipática e com uma tendência a maltratar o Chico e chamá-lo de “mentiroso”,
Poliana demora muito para se sentir parte das crianças do orfanato, porque
passa muito tempo acreditando que o seu pai vai voltar para buscá-la – é apenas
uma amizade inesperada com Guille que a faz começar a mudar.
Poliana chegou
ao Orfanato Raio de Luz em uma época na qual a Marian ainda estava passando uns
dias por lá – não como moradora definitiva, mas como “convidada” de Carolina
durante a ausência de Vivi… e é claro que ela não ficou nada contente em saber
que havia uma nova garota vindo morar ali, porque ela tende a detestar todas as
garotas. Marian faz com que Poliana passe por uns maus-bocados e não colabora
em nada para o acolhimento das outras crianças a ela, já que ela inventa toda
uma história para o Binho e para os demais sobre como “Poliana é a reencarnação
de uma bruxa”. E, impressionáveis, eles acreditam em toda a história de que a
pomba que Poliana tem é, na verdade, um morcego que pretende sugar o sangue de
todo mundo ali.
A pomba Mimi
é a grande companheira de Poliana – assim como o Guille chegou ao orfanato
carregando uma gaiola que é a recordação que ele tem do avô, Poliana tem a
pomba que faz com que ela se sinta mais próxima do pai… em parte porque ela
acredita que ela é uma pomba-mensageira levando seus bilhetes para ele.
Ganhamos algumas cenas tristes nas quais, sozinha, Poliana nos permite ver que
ela é apenas uma garota sentida que está sofrendo com a ausência do pai… às
vezes é difícil de enxergar isso quando ela está sendo grossa com o Chico ou
agindo de má vontade com as outras crianças. Quando Chico descobre que ela
aguarda respostas de seu pai, ele mesmo escreve uma resposta – não se passando
pelo irmão, mas dizendo que “é outra pessoa que gosta muito dela”.
Dizer para
Poliana que ele gosta muito dela, no entanto, não tem ajudado… e o Chico peca
na definição de limites, essa é a verdade. Poliana acredita que o pai tinha muito dinheiro, embora tudo o que
ele tenha deixado tenham sido dívidas, e age como se ela fosse uma rainha. Ela
se recusa a dormir no quarto com as outras crianças, por exemplo, e Chico cede
o próprio quarto para ela, para que ela durma sozinha, enquanto ele se vira em
qualquer outro lugar, e é justamente o tipo de coisa que ele não podia fazer.
Mas Chico não consegue impor os limites necessários… ele faz as vontades de
Poliana incapaz de perceber que está lhe fazendo mais mal e que está
prolongando algo: mais cedo ou mais
tarde, Poliana vai ter que enfrentar a realidade de que o pai morreu.
É muito
gradual a mudança de Poliana… as crianças também têm alguma resistência com ela
por causa de seu comportamento e por como ela trata o Chico, já que todo mundo
ama tanto o Chico – elas até tentam interferir um momento ou outro, tentam
falar sobre como o Chico é incrível e como gosta dela, mas ela prefere não
ouvir, porque está fixada demais na ideia de que “ele é um mentiroso”, e chega
a dizer que ele quer “ficar com todo o dinheiro do seu pai” ou qualquer coisa
assim. Talvez a primeira vez que ela sorri de verdade no Orfanato Raio de Luz seja
quando o Fábio faz uma mágica para “trazer de volta a sua pomba”, que ficara
desaparecida durante um tempo… e eu tive esperança de que aquele seria um bom
ponto de virada para a personagem.
A mudança
mais sincera, no entanto, vem mais tarde, com a ajuda de Guille… Guille conhece
meios muito mais eficazes e modernos de mandar mensagem para o pai de Poliana
do que um pombo-correio – ou conheceria, se ele estivesse vivo. É Guille quem
ajuda a conduzir Poliana por um caminho de aceitação, enfim, de que o seu pai
morreu, e precisava ser alguém como o Guille, que conhece a dor que ela está sentindo, porque ele também perdeu o
avô. Então, ele fala sobre como ficar feliz faz o seu avô feliz e, aos poucos,
Poliana chega lá. Juntos, eles “enviam uma mensagem” para o pai de Poliana,
através de uma pipa que se transforma, de alguma maneira, em uma carta, e que
Guille ajuda a colocar no céu, o mais alto que puder, para que o pai dela a
leia…
A partida de Guille, no entanto, será outra
perda para Poliana…
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