Star Trek: Strange New Worlds 4x07 – Like Chronitons Through the Hourglass
“You turned
us into a soap opera… for a school project?”
Exibido
originalmente em 03 de setembro de 2026, “Like
Chronitons Through the Hourglass” é o sétimo episódio da quarta temporada
de “Star Trek: Strange New Worlds” e
coloca os personagens em mais uma situação inusitada: DESSA VEZ, A VIDA DELES
SE TORNA UMA CLÁSSICA TELENOVELA. Nessa temporada mesmo, eles já chegaram a um
espaço preto-e-branco com uma história em estilo noir e já foram transformados em fantoches… o que é um pouquinho de
drama e mistério em uma novela? O Capitão Pike parece o único que não é
inteiramente afetado por essa atmosfera clara e nebulosa na qual ele desperta e
recebe o diagnóstico do Dr. M'Benga dizendo que “ele tem amnésia cósmica”, com
direito a muitas pausas dramáticas e tudo.
É uma grande
brincadeira, e eu gosto bastante disso… eu gosto do tom, eu gosto do exagero
dos close-ups, eu gosto dos efeitos sonoros e eu gosto de ver o Pike reagindo a
isso, perguntando “se eles ouviram isso” ou “qual é o problema deles com essas
pausas dramáticas”. No início do episódio, muita coisa é definida, como o fato
de que Spock aparentemente precisa de um transplante de coração em uma espécie
de cirurgia experimental e os exames de Uhura, que demonstram que ela não é
compatível para ser doadora do Spock, também revelam uma outra coisa. O que
começa como comédia, no entanto, não é apenas uma “palhaçada” a ser descartada,
porque embora os eventos não sejam reais, as emoções são…
E o problema é justamente o fato de eles não
estarem lidando com elas.
Ainda assim,
confesso que eu dei uma gargalhada sincera quando Uhura chega com um clássico
de telenovelas e anuncia: “Capitão, eu
sou sua filha!”. Tudo o que Pike quer é que a Enterprise “volte ao normal”,
e ele percebe depressa que isso só pode ser coisa daquela mesma entidade
cósmica que já “brincou” com eles antes, e ele descobre que, dessa vez, eles
são um experimento humano como uma espécie de dissertação na qual ele está
estudando as emoções… mas ele não pode encerrar essa “simulação” porque alguma
coisa está errada com o Capitão, e enquanto ele não acessar sua própria dor e
lidar com os seus problemas internos, isso não chegará ao fim. Então, o Capitão Pike entende que a única
maneira de sair disso é vivendo isso.
Ganhamos,
então, a Uhura perguntando a ele por que ele a abandonou, daquela maneira
dramática de telenovelas clássicas, com uma pitada de exagero que rende uma boa
comédia, mas as falas de Uhura acabam sendo o que faz com que Pike aos poucos
entenda o que está acontecendo: quando ela fala sobre a morte dos pais quando
ela tinha 17 anos ou como não é mais uma cadete, mas a pressão é muito grande
tão jovem, ele entende que talvez os acontecimentos tipo “Uhura ser filha de
Pike” podem não ser reais, mas as emoções evocadas por eles são. E eles precisam lidar com isso… afinal
de contas, talvez eles passem tempo demais envolvidos com os seus trabalhos na
USS Enterprise e não se permitem sentir e lidar com o que sentem.
Como algo
pode ser simultaneamente real e não real?
Em paralelo,
La’An está em busca de um doador para o Spock, e é assim que ela chega até
Sybok: O IRMÃO DE SPOCK TAMBÉM INTERPRETADO PELO ETHAN PECK. E que estava o
tempo todo com a roupa sedutoramente aberta, revelando pelos no peito de tirar
o fôlego! Sybok foi preso, mas La’An o tira da cadeia para salvar a vida de
Spock, e ele desafia La’An em uma partida de kal-toh, um jogo Vulcano de
inteligência e lógica, que acontece no meio de muito charme e sedução, o que
La’An usa a seu favor… ela ganha, mas inicialmente ele não planeja cumprir com
a sua parte do combinado, e chega a chamá-la para fugir com ele e tudo o mais…
eventualmente, ela acaba o convencendo a ajudar Spock de bom-grado e eles rumam
para a Enterprise.
Para a cirurgia experimental de Spock.
O drama se
intensifica, no entanto, porque M’Benga está tremendo de maneira constante, o
que ele chama de “loucura espacial”, e é uma história à qual Ortegas se une,
porque entende pelo que ele está passando – e, novamente, eu digo que gosto de
como o episódio usa todo o exagero e todo o absurdo para trazer à tona
sentimentos que fazem parte da tripulação da USS Enterprise, mas com os quais
eles não estão lidando. M’Benga consegue performar a cirurgia que salva a vida
de Spock, mas então Sybok fica em estado crítico… quer dizer, dentro da
telenovela… na verdade, Sybok nunca esteve ali, La’An nunca nem chegou a estar
fora da Enterprise, e isso é algo que eles ainda vão ter que entender quando
toda essa história chegar ao fim.
E tudo chega
ao fim quando o Capitão Pike lida com o que vem ignorando há muito tempo: a
perda da esposa, a saudade da filha… ele tem uma cena bonita com Juliet no
quarto, ainda que saiba que ela não está ali de verdade, porque ele entende
qual era o propósito disso tudo, ele entende o que essa experiência toda estava
esperando que ele sentisse. Quando isso tudo se encerra, todos “voltam ao
normal”, mas lembrando-se de tudo o que acontecem, e agora cabe a eles
interpretar o que era real e o que era atuação. Muita coisa podia não ser real…
mas as conversas que eles tiveram e as
emoções de onde elas partiram eram… e agora eles precisam pensar, precisam
conversar, precisam se apoiar. Curiosamente, é um episódio bem divertido e bem
bonito.
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