Turma da Mônica Jovem (3ª Série, Edição Nº 21) – Eterno Retorno

Ficção científica!

PHILIP K. DICK E CHICO BENTO! Publicada em maio de 2023, a 21ª edição da 3ª Série da “Turma da Mônica Jovem” dá início a um novo arco, intitulado “ETERNO RETORNO”, e é sozinha melhor do que as quatro edições anteriores juntas. Como já comentei outras vezes, embora histórias como “Tretas do Coração” tenham sido o que os leitores queriam ver com a turma jovem em algum momento, eu atualmente gosto muito mais de histórias de outros gêneros, e não tem como não gostar da aventura do roteiro na área da ficção científica, com influências claras de um autor de que gosto tanto e que foi objeto de estudo na minha dissertação de mestrado sobre o tema.

A influência de Philip K. Dick é inegável e imediatamente reconhecível para qualquer conhecedor de sua obra – nesse caso, especificamente o maravilhoso conto “Podemos recordar para você, por um preço razoável”, publicado em 1966, sobre o qual eu comentei em um texto do blog em 2014, e que foi a base para os filmes “O Vingador do Futuro”, de 1990, e “Total Recall”, de 2012. O conceito da NEOVIDA, uma novidade no Bairro do Limoeiro que convidou Carmem Frufru para ajudar na divulgação, é a adaptação da REKORDAÇÕES S.A.: uma empresa capaz de proporcionar sonhos como se fossem uma experiência real, tal qual memórias implantadas na obra de Philip K. Dick…

Até que a linha entre realidade e sonho/memória se torna confusa.

Nesse primeiro capítulo do novo arco, intitulado “NEOVIDA” como a empresa, Carmem convida a Mônica e a Milena para irem com ela e experimentar essa novidade que ela está prestes a divulgar: o lugar misterioso e com uma ciência não clara promete induzir sonhos da vida com a qual alguém sempre sonhou de uma maneira que pareça tão real que é quase impossível de diferenciar da vida real ou de memórias verdadeiras. Milena, curiosa, é a primeira a testar, e ela tem uma experiência rápida e prazerosa na qual ela se vê como uma cientista com três doutorados que está recebendo o Prêmio Nobel e a parabenização do próprio Neil Degrasse Tyson.

Ela desperta com a memória e a sensação… tudo é tão real!

Se tudo parece perfeito na experiência da Milena com a Neovida tal qual de vários clientes com a Rekordações S.A., Mônica tem uma experiência mais parecida com a de Douglas Quaid, quando as coisas não saem conforme o esperado… seu “sonho” acaba se tornando um pesadelo. Ela não entende quando o sonho começou, mas se vê em uma versão aparentemente abandonada daquele mesmo prédio, e é profundamente assustador. E se torna ainda pior quando ela reconhece a voz do Cebola, mas quem quer que seja a pessoa ali não é o Cebola, mas uma criatura cujo rosto é substituído por galhos – em algo que, visualmente, talvez me faça pensar em “The Last of Us”.

Enfim, a Mônica se depara, sim, com um rosto familiar… e um rosto que nós amamos: o do Chico Bento. Ela não sabe, no entanto, se ela pode confiar nele ou se ele será apenas mais uma ilusão como o Cebola que não era o Cebola, mas ele parece bastante convincente de que é ele mesmo – e é um prazer poder ver o Chico Bento novamente depois do cancelamento de “Chico Bento Moço”, ainda que a sua aparição nessa edição seja muito curta. Ficamos ansiosos para vê-lo desempenhar um papel maior nos próximos capítulos! Esse primeiro capítulo termina em um gancho competente com a Milena e a Carmem tentando despertar a Mônica na Neovida depois de algo dar errado…

Sem sucesso.

Então, partimos às histórias curtas e “independentes” da edição – e chamo, agora, as histórias de “independentes” propositalmente entre aspas porque sei que elas são utilizadas como uma maneira de testar e, quiçá, introduzir elementos e personagens de arcos futuros. E gosto muito de como, também, essas histórias costumam combinar em tema e estilo com a do arco principal. Assim, se estamos explorando algo que envolve ficção científica no arco principal, “O CRUSH” é uma história que traz referências a filmes como “O Exterminador do Futuro” e “Matrix”, duas obras das quais eu gosto bastante. E o protagonismo, aqui, fica para o Xaveco, que quer proteger a mãe.

Dona Xarlene está saindo com o Professor Spada, que tem toda aquela história de ter um alterego vilanesco chamado “Doutor Spam”, e Xaveco está com medo de a mãe estar correndo perigo ou estar sendo usada como meio de Spada/Spam espionar a turma – e ele acaba convencendo a Xabéu de que eles precisam investigar, até porque o Profº Spada tem perguntas suspeitas sobre os arquivos mortos da BRASA (!) e ele está substituindo a Profª Ana Paula, que está “desaparecida” há alguns dias. No fim, suas intenções com a Dona Xarlene são boas, e Ana Paula está “sumida” porque ela está ajudando Spada em um projeto para aprisionar o Doutor Spam em uma realidade virtual…

Por fim, temos “A ESPADA DE CRISTAL”, que é uma história protagonizada pelo Dudu, que vai atrás da lendária espada do Guardião da Ordem dos Cozinheiros depois de a Magali ter tido um sonho com a Criatura do Caos – que pode ter sido apenas um sonho ou um aviso. A história tem um quê delicioso de aventura, de “o escolhido” e um pouco de “Rei Arthur” e um pouco de “Harry Potter”, com o Dudu tendo uma experiência pessoal ao empunhar a famosa Espada de Cristal, como alguém ainda não iniciado na magia, e ele entende que, embora ele não a tenha fisicamente, ela aparecerá caso eles precisem dela. Não é a última vez que ouvimos falar da Criatura do Caos nem da Espada de Cristal…

 

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