Mamma Mia! (Brasil, 2026)

“São as canções que vêm colorir”

COMO NÃO AMAR “MAMMA MIA!”? Com música e letra de Benny Andersson e Björn Ulvaeus e libretto de Catherine Johnson, “Mamma Mia!” é um musical jukebox com as músicas da banda ABBA que encanta plateias desde a sua estreia em 1999, em palcos londrinos, contando a história de uma garota que quer seu pai em seu casamento, mas, ao ler o diário da mãe do ano em que ela ficou grávida, descobre que tem três possíveis pais, e acaba convidando os três para virem. O musical, que segue em cartaz no West End há mais de 25 anos, esteve na Broadway entre 2001 e 2015, com uma nova temporada limitada em 2025, e ganhou produções em vários outros países, dentre eles o Brasil, que viu uma montagem de “Mamma Mia!” pela primeira vez em 2010.

“Mamma Mia!” é um daqueles musicais que parecem impossíveis de desgostar. Ensolarado, divertido e com músicas que já fazem parte de nossas vidas (obrigado, ABBA!), ele tem um carisma gigantesco e quase inigualável. O musical ganhou uma adaptação para o cinema em 2008, protagonizado por Meryl Streep e Amanda Seyfried nos papeis de Donna e Sophie, respectivamente, e se tornou um dos filmes musicais mais queridos de todos os tempos. Em 2018, uma sequência intitulada “Mamma Mia! Here We Go Again” foi lançada, com uma história inédita que traz Sophie de volta alguns anos depois de seu casamento com Sky, e flashbacks de uma Donna jovem, interpretada por Lily James, na época em que ela conheceu os três pais de Sophie: Sam, Bill e Harry.

No Brasil, o musical estreou em 2010 com um elenco que contava com Kiara Sasso como Donna, Pati Amoroso como Sophie e Saulo Vasconcelos, Carlos Arruzza e Cleto Baccic como Sam, Bill e Harry, respectivamente, além de Andrezza Massei como Rosie e Rachel Ripani como Tanya. O musical retornou aos palcos brasileiros em 2023, fez nova temporada em 2025 e, agora, em 2026. No elenco atual, temos Cláudia Netto como Donna e Giovanna Rangel como Sophie, nos papéis protagonistas; Sérgio Menezes, Renato Rabelo e André Dias como Sam, Bill e Harry; Gottsha como Rosie e Maria Clara Gueiros como Tanya; e Eduardo Borelli como Sky. Infelizmente, tem pelo menos dois desses nomes em papeis muito importantes de quem eu não gostei muito…

Mas não a Sophie… a Sophie da Giovanna Rangel é PERFEITA!

O elenco atual é completado por Tabatha Almeida como Ali e Mari Marques como Lisa, as melhores amigas de Sophie e, consequentemente, madrinhas de seu casamento a quem Sophie conta toda a história dos seus três possíveis pais em “Honey, Honey”, e ambas estão excelentes; Vicenthe Delgado como o divertido Pimenta, um dos protagonistas de “Sua Mãe Não Pode Saber (Does Your Mother Know?)” e Murilo Armacollo como Eddie, os melhores amigos de Sky, também muito bem em seus papeis. O ensemble, conhecido como “Os Gregos”, conta com os nomes Fegab, Talita Silveira, Leo Wagner, Vinicius Cafer, Lorena Fraga, Bruno Kimura, Guilherme Lopes, Thiago Garça, Hugo Lopes, Isabela Yunes, Yas Fiorelo, Bruna Lemberg, Henrique Reinesch e Breno Lucena.

A história de “Mamma Mia!” é uma delícia! Sophie está prestes a se casar com o amor de sua vida, o Sky, e a vida de sua mãe, Donna, é virada de cabeça para baixo com a chegada de três “fantasmas” do passado: ela já não está lá tão contente com o casamento, mas ver Sam, Bill e Harry, os três homens que podem ser o pai de Sophie a deixa em um estado de nervos muito grande, prestes a dar um chilique… Sophie tem que descobrir o que quer e, quiçá, descobrir quem é o seu pai, enquanto Donna tem que fazer as pazes com o seu passado e, talvez, dar uma chance à vida em um recomeço com o qual não ousou sonhar por 20 anos. Tudo embalado por músicas do ABBA em um cenário de uma pousada em uma paradisíaca ilha grega na qual tudo pode acontecer…

Para mim, Sophie sempre foi a protagonista de “Mamma Mia!”, e sinto que isso se confunde com o peso do nome de Meryl Streep como Donna na adaptação cinematográfica, embora ela seja claramente a próxima protagonista. Sophie é uma personagem deliciosamente complexa: jovem, apaixonada, curiosa e determinada. Eu adoro a sua amizade com Ali e Lisa, e o seu relacionamento com Sky também é lindo, ainda que em algum momento ele se pergunte se ela quis toda a coisa de um “casamento tradicional” só para encontrar o pai… “Não Gaste o Sentimento (Lay All Your Love on Me)” é um dos pontos altos do musical para mim, envolvendo diversão e sensualidade conforme exploramos a conexão de Sophie e Sky antes de sua despedida de solteiro…

E o Sky do Eduardo Borelli estava lindíssimo em toda a sequência.

Os gregos só de sunga, máscara de mergulho e pé de pato são inusitadamente sexy.

Toda a relação de Sophie com os seus possíveis pais passa por músicas das quais gosto demais. A primeira delas é “Eu Agradeço (Thank You for the Music)”, uma das minhas favoritas no musical todo, quando ela os recebe e os conhece; temos, ainda, “Quero! Quero! Quero! (Gimme! Gimme! Gimme!” e “Voulez-Vous”, nas quais os três se reconhecem como pais de Sophie e se voluntariam para levá-la ao altar, em uma sequência frenética e deliciosa que encerra o primeiro ato de “Mamma Mia!”, e por algum motivo a produção atual cortou “The Name of the Game” entre elas, o que me causou estranheza; temos, ainda, “Pra Você e Pra Mim (Knowing Me, Knowing You)”, com o Sam questionando o casamento de Sophie em um lugar que não lhe pertence.

E o pesadelo de Sophie em “Eu Tô no Mar (Under Attack)” é um PONTO ALTÍSSIMO pra mim!

Já Donna nos entrega músicas como “Mamma Mia”, em desespero após ver os três pais de Sophie na ilha às vésperas de seu casamento, e bons momentos com as amigas, que tentam animá-la em “Chiquitita” e “Dancing Queen”, que são, talvez, os grandes momentos de Rosie e Tanya – embora Rosie tenha “Acredita em Mim (Take a Chance on Me)” e Tanya tenha “Sua Mãe Não Pode Saber (Does Your Mother Know?)” no segundo ato. Gosto demais da Rosie e da Tanya dessa produção! Com os pais, Donna tem “S.O.S.” com Sam e “Último Verão (Our Last Summer)” com o Harry, e é delicioso ver o André Dias em cena… gosto demais dele desde “Avenida Q”. Sozinha, Donna nos entrega músicas como “Um de Nós (One of Us)” e “Existe um Vencedor (The Winner Takes It All)”.

Sempre achei que a temática mais marcante de “Mamma Mia!” envolve a relação de Sophie e Donna. A busca de Sophie por seu pai achando que isso lhe dirá “quem ela é” a faz perceber que ela sempre soube – eu gosto das conclusões a que Sophie chega: 1) ela quer que a sua mãe a leve ao altar; 2) ela está satisfeita em ter três pais, sem precisar descobrir qual deles é o seu pai biológico; e 3) ela não precisava mesmo de toda essa coisa de “casamento tradicional”, mas ela ama o Sky profundamente e ela quer sair pelo mundo com ele. “Slipping Through My Fingers” é uma das músicas mais fortes do musical para mim, que tende a me levar às lágrimas sempre, e Sophie me emociona na versão final de “Um Sonho Meu (I Have a Dream)”, que encerra o musical.

Cheio de vida, de cor e de boa música, “Mamma Mia!” é um musical que FAZ BEM. Você sente toda essa energia e sai do teatro se sentindo leve e dançante – é uma experiência envolvente. Após a conclusão da história e dos agradecimentos, o musical ainda nos presenteia com algumas canções: primeiro, “Mamma Mia” em uma versão interpretada em coro, com uma coreografia deliciosa com Sophie e Sky ao centro; depois, “Dancing Queen”, com o retorno de Donna e as Dínamos em roupas que nos remetem aos anos 1970 e ABBA; e, por fim, os pais se unem a elas também nesse estilo de figurino em “Waterloo”, que é a única das três que não faz parte do decorrer do musical. Assistir a “Mamma Mia!”, no cinema, no teatro ou em casa, sempre será uma experiência DELICIOSA!

 

Para a minha review da montagem de 2010 de “Mamma Mia!”, clique aqui.
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