Minha Melhor Amiga (2026)
O que você quer fazer pelos próximos 40 anos?
Dirigido por
Susana Garcia e com um roteiro que surge de uma ideia original de Mônica
Martelli e Ingrid Guimarães, “Minha
Melhor Amiga” chegou aos cinemas brasileiros em 03 de setembro de 2026 com
a história de duas mulheres e melhores amigas na casa dos 50 anos que resolvem fazer uma viagem – as filhas de 16 anos
acabaram de sair para um intercâmbio que vai durar um ano e ambas estão secretamente
infelizes e precisando aprender algo para “recomeçar”: Júlia está se sentindo
mal por ter sido trocada por alguém mais jovem como repórter em seu trabalho e
vive com medo de se apaixonar; Clara, por sua vez, está presa a um casamento
que já terminou por medo de ficar
sozinha…
É um
clássico filme de comédia com boas mensagens e pitadas de emoção do qual se
pode tirar algumas reflexões bacanas… mas, particularmente, eu não gostei
muito. Enquanto comédia, o filme não me diverte tanto quanto outros que seguem
a mesma linha, como “Minha Vida em Marte”,
filme de 2018 da Mônica Martelli com Paulo Gustavo, ou “Minha Irmã e Eu”, filme de 2023 da Ingrid Guimarães com a Tatá
Werneck. Não soltei uma gargalhada sincera em nenhum momento – embora tenha me
divertido mais com a sequência na Espanha –, e as personagens ou as atrizes
riam copiosamente de momentos e piadas que me davam a sensação de que elas
estavam se divertindo… eu não.
Cansadas,
precisando espairecer, pensar e se divertir e sentindo a falta das filhas que
saíram para um intercâmbio, as duas planejam uma viagem internacional que não
pode ser para um lugar cujo idioma elas desconhecem – e, por isso, elas decidem
ir a Portugal… afinal de contas, Lisboa é a cidade para onde Manu e Isadora
foram também, então elas podem aproveitar e fazer uma visita às filhas. O filme
fala sobre a amizade de Clara e Júlia, fala sobre a relação da maternidade com
filhas adolescentes, fala sobre os desafios de uma mulher de mais de 50 anos,
fala sobre romance… tudo dentro de um espaço curto de uma viagem que dura
apenas 10 dias e muita coisa acontece.
Senti falta
de me conectar de verdade com o humor do filme, e não acho que ele se sustenta
como uma boa comédia. E, sinceramente, eu não sei se o romance era estritamente
necessário. Eu entendo como e por que ele foi utilizado e incorporado aos medos
das personagens principais, mas não é como se elas não pudessem se divertir ou
ser felizes sem encontrar um gostosão no meio do caminho… Júlia se apaixona por
um momento chamado Nuno, que é um guia turístico português cujo hobby é
resgatar pessoas; Clara, por sua vez, percebe o fim iminente de seu casamento e
se envolve com Ramón, o dono de uma pousada em Sevilha, na Espanha…
E posso
dizer? Ramón é um dos homens mais bonitos que eu já vi na vida.
Obrigado, “Minha Melhor Amiga”, por me apresentar
a Alejandro Albarracín. QUE HOMEM!
Na relação
com as filhas, Júlia precisa lidar com o fato de que Manu parece estar fumando vape e Clara com o fato de que Isadora
está transando e não lhe falou nada… a confusão aumenta quando descobrimos que
as situações são, na verdade, invertidas, e as duas tentam falar com a filha da
outra e a incentivar a conversar com a mãe, o que eventualmente rende boas
cenas entre mães e filhas… até porque Clara e Júlia percebem que as filhas são
quase cópias delas mesmas: Manu tem medo de se envolver de verdade e se
apaixonar; e Isadora ainda está confusa e não sabe bem o que ela gosta de fazer
ou o que ela quer fazer da vida. Mães e filhas se apoiam mutuamente.
Como comédia,
se eu acho que o filme não se sai assim tão bem em toda a parte de Portugal, eu
acho que ele ganha muito quando leva as personagens por acidente a uma cidade
na Espanha, mesmo que grande parte da comédia aqui tenha sido na tentativa
delas de entender e falar o espanhol – mas aqui eu ri mesmo com cada vez que a
personagem da Ingrid Guimarães tentava sem sucesso mandar um espanhol fluente.
E, é claro, é na sequência da Espanha que conhecemos o Ramón, então eu também
estava bastante distraído durante toda
essa sequência, suspirando por ele e torcendo para que a Clara se entregasse
porque eu precisava que ele tirasse a
roupa.
É ali que as
decisões são de fato tomadas: Clara enfrenta a falibilidade de seu casamento e
seu medo de ficar sozinha e Júlia percebe que gosta de Nuno e não assumiu
porque tem medo de se apaixonar. As duas também brigam, porque amizades são
assim mesmo, o que nos entrega uma corrida até o aeroporto e uma ida ao show da
Ludmilla errada como “grandes gestos” típicos de uma comédia romântica – afinal
de contas, amizades são relações! Acho que o retorno de Clara ao hotel quando a
Júlia estava no banheiro podia e devia
ter sido melhor explorado, porque era uma mina de ouro para a comédia que acaba
sendo desperdiçado muito antes de gerar comédia de fato.
A amizade é
uma das relações mais importantes que podemos ter na vida. Um amigo é alguém
com quem escolhemos compartilhar uma vida,
e é tão bom ter alguém com quem contar nos bons e nos maus momentos. Eu
acredito muito no conceito de amigos que são
almas gêmeas, embora nenhum dos meus amigos possa contar comigo para uma
viagem a Portugal do dia pra noite porque… bem,
eu sou uma pessoa assalariada que precisa trabalhar para viver e não pode
bancar uma viagem assim, “do nada”. Mas isso não importa! A amizade de uma
vida inteira de Clara e Júlia é o que as impulsiona em “Minha Melhor Amiga” e é bonito que elas se amem profundamente.
Acho que o
filme tem boas intenções, e pode gerar emoção e reflexão, e isso depende muito
do público e do quanto eles se reconhecem nas personagens e situações. O
discurso contra o medo do novo e a discussão do conformismo no qual por vezes
nos encontramos por temer “estarmos velhos demais para mudar” rebatido pela
pergunta “Você quer ficar desse jeito
pelos próximos, sei lá, 40 anos da sua vida?!” são válidos e o filme tem o
coração no lugar certo, mas por vezes parece íntimo demais sem que nos convide
a essa intimidade… às vezes parece sobre a Ingrid e sobre a Mônica e não sobre
a Clara, a Júlia e o público. E, enquanto comédia, eu realmente acho que falta
graça em sua maior parte.
Para reviews de outros FILMES, clique aqui.
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