Dark Matter (Matéria Escura) 2x04 – Stars, Hide Your Fires

“This is my life too, and I’m not gonna start over again”

Será que os Dessen poderão um dia recomeçar tranquilamente em algum mundo? Será que a ameaça é apenas externa, vinda de outros Jasons como o Jason2 ou as centenas de variantes que saíram da Caixa de volta ao mundo em que tudo começou, ou será que se rompeu algo mais íntimo que faz com que todos vivam constantemente apreensivos, com medo e com dificuldade de confiança? Exibido originalmente em 18 de setembro de 2026, “Stars, Hide Your Fires” é o quarto episódio da segunda temporada de “Dark Matter” e, quando vê uma versão de Leighton Vance no mundo da pouca tecnologia, Jason começa a cogitar fugir mais uma vez…

Dessa vez, talvez eles possam apenas ir para outro país e não para outro mundo – eles sabem que, naquela realidade, não será fácil rastreá-los. Depois de meses se acostumando àquele lugar e lutando para reconstruir uma vida, no entanto, nem Charlie nem Daniela querem voltar a fugir, eles não querem passar a vida toda fazendo isso, embora Charlie seja o único a falar algo a respeito nesse momento. Ele está em uma nova escola, tem um emprego, fez amigos, dentre eles Eduardo, o filho da Amanda daquele mundo (!), e ele não quer ter que abandonar tudo mais uma vez para recomeçar sem nem saber se vai dar certo… eles vão viver para sempre nessa angústia.

Em paralelo, acompanhamos os dois Ryans, Amanda e Jason2 de volta à Caixa e de volta a outro universo que não tenha sido tomado por centenas e centenas de Jasons e uma caça incessante da DARPA, e é em um mundo sem toda essa confusão extra que Amanda e Jason2 têm uma conversa interessante em uma lanchonete… é profundamente real e sentimental, e eu gosto de como Amanda pergunta se algo do que eles tiveram foi real, mas como ela não se limita a isso, como ela escancara um quê da hipocrisia daquele Jason que fala sobre “querer ser alguém diferente”, mas não faz nada para isso – ela é quem diz para ele que ser diferente é uma questão de escolha.

Curioso demais essa “virada” no personagem de Jason2, porque ele não é confiável… mas ele subitamente parece menos perigoso do que variantes do Jason1 que conseguiram retornar ao seu mundo de origem. Eventualmente, é dado ao Jason2 um voto de confiança, algumas doses de Asa Lilás e acesso à Caixa, e não sabemos ainda para onde ele foi… agora, quando se perguntam o que eles farão, Ryan fala sobre a possibilidade de retornar com Amanda para aquele mundo estranhamente “perfeito” do qual vieram, e eu gosto do clima deles enquanto eles brincam sobre “voltar para aquele mundo do sexo comportado”, e eu já disse antes: eu queria que eles ficassem juntos e ficassem ali…

Mas há mudanças no mundo.

Amanda deixara, do lado de fora da Caixa no mundo do qual vieram, uma pequena bandeira do Brasil que simbolizaria que ela estava de volta… e eu fiquei tão feliz em vê-los conseguir retornar, até perceber que algo estava diferente. Aquele clima leve que era quase risível e que é motivo de brincadeiras entre os dois ao saírem da Caixa cede lugar a uma tensão que eles não entendem quando eles são cercados por terem quebrado a quarentena e não respeitado o toque de recolher, e eles não fazem ideia do que está acontecendo… mas eles são levados, depois de terem a oportunidade de escolher “ir de bom-grado”, para algum outro lugar. E eu estou curioso!

Por fim, Daniela está tentando lidar com todas as mudanças em sua vida… diferente de Charlie, que fala abertamente sobre seu desagrado, Daniela parece viver muita coisa internamente, como aquela cena angustiante na qual ela vê ou acredita ter visto uma versão diferente de Jason, e então ela vive constantemente em angústia, atenta, com medo. A cena na qual ela está correndo e a sua mente não para de relembrar momentos é fortíssima, e eu gosto de como a série vai deixando tudo muito claro sem que ela precise estar abertamente falando sobre isso, então parece natural quando ela conversa com Jason para dizer que eles não são mais quem costumavam ser…

“We’re not the people we used to be”

É muito triste vê-la chorar e dizer que “tem algo errado com ela”, quando não há nada de errado com ela, mas ela fala abertamente sobre a sensação constante de estar sendo seguida, da angústia de pensar ver versões dele por aí e de não saber conseguir lidar ainda com o que fizera ao matar outro Jason. Então, percebemos aonde ela quer chegar, e ela diz para Jason que ela precisa ir embora. A despedida é triste, o que os afasta não é a falta de amor, mas viver diariamente no limite e olhar para o marido e se perguntar se pode confiar nele ou não é difícil demais… e Jason sabe disso. Então, Daniela vai embora. A carga emocional daquela cena final é GIGANTESCA.

Que série boa!

 

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