Rosalinda – A “morte” de Rosalinda

“Esta sí es mi bebé”

QUANDO A LOUCURA DE ROSALINDA CHEGA A EXTREMOS. Como eu comentei no fim do último texto, eu estou amando como “Rosalinda” aprofunda mais a trama da “loucura” da protagonista. Eu amava essas cenas em “Maria do Bairro”, quando a Maria perdia a razão e acaba dando o seu filho para a Agripina na praça, mas parece que, lá, a acompanhamos se recuperar mais depressa… embora ela passe um tempo internada e surte um pouco quando vê que Luis Fernando trouxe para casa outra bebê que não é o seu Nandinho. Nos anos que se seguem, Maria passa buscando Nandinho incessantemente. A trama de “Rosalinda” pega outro viés: a ausência da filha foi uma das coisas que desencadeou a loucura, ao contrário de ser uma consequência de seu estado, mas isso não significa que tê-la de volta (ou a Fernando José) vai “consertar tudo”.

Não é tão simples assim.

Rosalinda não parece escutar quando Fernando José fala com ela e proclama seu amor, pede perdão, e tampouco reconhece sua filha quando Soledad lhe mostra a criança, dizendo que “aquele não é seu bebê”, e então o médico os aconselha a tirar o bebê de lá. Mesmo que esteja muito mal, Rosalinda acaba recebendo a liberação para voltar para casa, acompanhada de Fernando José e Soledad, e eu gosto muito dessa parte da novela, porque Soledad sabe que Fernando José a odeia e tudo o mais, mas, nesse momento, ele não se importa com isso: nesse momento, a única coisa que importa é Rosalinda. Por isso, ele pede a Soledad que ela fique ali no apartamento com eles, e “o ajude a salvar Rosalinda”. Mas Rosalinda parece muito distante de poder ser salva, com essa história de não reconhecer sua própria filha… quando Erica chora, ela a esconde embaixo da cama…

…e vai para o cantinho, abraçar os joelhos e se balançar.

Típico de seu estado!

Por isso (Rosalinda não está apresentando nenhum sinal de melhora, e ainda pode ser um perigo para a sua própria filha), o médico sugere que eles internem Rosalinda… e eles o fazem. Amo, novamente, as cenas da Rosalinda do Bairro internada, Thalía novamente arrasando. Às vezes, ela está apenas catatônica, estática, de olhos abertos, mas sem ver o que está à sua frente… essas cenas me angustiam menos, são menos reais. Me angustiam mesmo os momentos que podem parecer mais exagerados, mas que, paradoxalmente, evidenciam toda a realidade da cena, da dor e do sofrimento da personagem… momentos em que a Rosalinda original é quase irreconhecível em seu comportamento. Em que não diz coisa com coisa, se comunica por frases curtas e cheias de repetição, não reconhece as pessoas ao seu redor, e a perfeita entrega física de Thalía… cabeça meio virada, tiques insistentes, tremedeira. Ou ainda mais intenso, quando ela abraça os joelhos e se balança no chão, por exemplo…

Uma das melhores cenas da sequência acontecem quando Fernando José vai visitar Rosalinda, e leva presentes, dentre eles uma boneca, e essa boneca Rosalinda aceita como sua verdadeira filha: “Esta sí es mi bebé”. Eu adoro as cenas, a maneira como Rosalinda abraça protetoramente sua boneca, seu bebê, e é triste a maneira como parece que ela não tem salvação. Sentimos, ao lado de Fernando José, toda sua angústia e sua preocupação – doeu-me quando, ao lado dela, ele lhe disse que a amava, que não era nada sem ela e que sentia sua falta. A cena é emocionante, e fica ainda mais perfeita quando, tímida e receosamente, Rosalinda estende a boneca para ele, em um sinal de que confia nele, deixando que ele segure “a filha deles” um pouquinho. Ela só pede que ele não a leve embora… ele sorri, um sorriso triste, mas agradecido.

Essa boneca é fruto de uma briga intensa no hospital psiquiátrico, bem como motivo de uma confusão que causará muita dor a Fernando José e toda a família de Rosalinda… Rosalinda anda com a sua filha por todo lado no hospital psiquiátrico, e uma das outras pacientes a quer para ela de qualquer maneira. Rosalinda tenta fugir com a boneca, mas acaba perdendo uma luta com a outra paciente, fica caída e desmaiada em um lugar isolado do hospital, enquanto a sua companheira leva a boneca de volta para o quarto, dizendo que “vai esquentar um leitinho para ela”. Completamente descontrolada, essa outra mulher coloca fogo nos lençóis, no quarto e, consequentemente, no hospital inteiro… e ela é uma das primeiras a morrer, queimada, a ponto de ficar irreconhecível. Rosalinda, por sua vez, quase morre asfixiada pela fumaça, mas sobrevive.

Mais confusa e desnorteada que nunca.

E é meio que uma repetição dos eventos de “Maria do Bairro”, até certo ponto… se temos toda a parte da loucura da Maria/Rosalinda, aqui também temos aquela cena em que Maria se salva de um incêndio, todos pensam que ela morreu, e ela se torna Marta Laura, sem memória. A família de Rosalinda também está prestes a pensar que ela morreu, e ela está prestes a se tornar outra pessoa. Paloma Dorantes, no seu caso. É bastante crível o motivo de acharem que a paciente morta no incêndio era Rosalinda, graças à boneca que ela sempre carregara consigo. Então, o hospital liga a Fernando José e anuncia A MORTE DE ROSALINDA, e ele sofre, chora, entre em desespero real… nessas cenas, novamente podemos sentir o quanto Fernando José a ama, e como sofre de verdade. Rosalinda ganha até um melancólico enterro e tudo, e é muito triste…

Fedra planeja aproveitar a morte da irmã para ficar com Fernando José.

Como diria Mário Jorge: “É muito mau-caráter!”

Talvez não chegue a dar certo, no entanto… a lembrança constante de Rosalinda naquela cidade atormenta Fernando José, e ele começa a pensar em ir embora… enquanto isso, ainda fora de si, aparentemente sem memória e reagindo pouco ao mundo, Rosalinda vaga pelas ruas, sozinha, com suas roupas do hospital psiquiátrico, toda suja por causa do incêndio e da fumaça, pedindo dinheiro… por fim, ela invade uma casa para roubar algo e acaba sendo descoberta – e, coincidências da vida: é justamente a casa de um caçador de talentos que já tinha se encantado por ela outro dia, na floricultura. E, através de toda a sujeira e da falta de reconhecimento no olhar, o cara consegue lembrar-se dela, e agora é a hora de lançá-la: ele é sua mina de ouro, sua nova aposta, a PRÓXIMA ESTRELA que ele garante que vai ser um tremendo sucesso.

Vem, Paloma Dorantes!

 

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