Quinze Dias (2026)

“O mundo inteiro é nosso”

Posso dizer uma coisa? JÁ QUERO A ADAPTAÇÃO DE TODAS AS OBRAS DO VITOR MARTINS! Quer dizer, “Os 3 Desejos de Eugênio” já estão com os direitos comprados para uma adaptação cinematográfica, mas “Se a Casa 8 Falasse” seria uma ótima série, por exemplo! “Quinze Dias”, lançado em 2017, é o livro de estreia de Vitor Martins, que tem atualmente cinco romances publicados, e conta a história de Felipe e Caio, dois garotos de 16 anos “forçados” a passar 15 dias juntos quando a mãe superprotetora e preconceituosa de um deles o deixa na casa da vizinha durante uma viagem. Com leveza, bom-humor e toda a sensibilidade que a história exige e que o livro transmite, a adaptação é lindíssima!

Infelizmente, o filme teve um lançamento limitadíssimo no cinema… aqui em casa, o livro do Vitor Martins foi lido por mim, pelo meu namorado e pela minha mãe, e todos estávamos ansiosíssimos para ir ao cinema prestigiar essa história, mas, infelizmente, o filme nem chegou a ser exibido na minha cidade – assim como em tantas outras. Com a chegada do filme ao catálogo da Netflix no último dia 19 de agosto, no entanto, o filme tem ganhado destaque e conquistado o coração de todos aqueles que estão de coração aberto o suficiente para receber essa história que é doce, bela e tão importante. Gosto de ver a história ganhando destaque, também, no mercado internacional.

O livro já foi publicado em inglês, espanhol, alemão e polonês!

Com direção de Daniel Lieff e roteiro de Ray Tavares e Vitor Brandt, a adaptação de “Quinze Dias” traz Miguel Lallo interpretando um Felipe absolutamente encantador e Diego Lira interpretando Caio, o seu vizinho apaixonante, que também guarda seus próprios segredos e cicatrizes, até então desconhecidas para Felipe, já que eles se afastaram desde a infância… além deles, Débora Falabella dá vida à Rita, a mãe fantástica de Felipe – que amamos desde o livro –, com o elenco ainda contando com nomes como Mika Soeiro, Bel Moreira, Olívia Araújo, Mariana Santos, Silvio Guindane, Márcio Vito, Augusto Madeira, Fernando Caruso, João Pedro Chaseliov e João Gabriel Marinho.

Lembro-me de quando vi a primeira foto de Miguel e Diego, e tudo em que eu conseguia pensar era: “MEU DEUS, FELIPE E CAIO!”

O filme é uma comédia romântica adolescente com todos os clichês possíveis – o que não é, de modo algum, um problema. O que também não a impede, diferentemente do que algumas pessoas acreditam, de ser sério e tocar em assuntos importantes… Felipe sofre bullying por ser um garoto gordo e lida com inseguranças com o próprio corpo, mas vive com uma mãe incrível que criou um ambiente seguro em relação à sua sexualidade, então ele tarda a perceber em Caio as marcas deixadas por uma sociedade homofóbica escancarada na própria mãe que o tornaram silencioso, fechado em si e secretamente infeliz. Sua “heterossexualidade compulsória” é representação disso…

Por sinal, a “descoberta” de Felipe que “o Caio é gay” é uma das minhas partes favoritas do filme, e eu adoro que a ficha caia de uma vez por todas enquanto eles assistem “Hairspray”. Felipe acha o Caio lindo, é claro, ainda mais quando ele está usando seu pijama de marinheiro ou flexionando os braços para coçar a cabeça enquanto escova os dentes, mas ele não quer se permitir “ficar apaixonadinho” por um cara padrão e supostamente hétero – afinal de contas, ele gosta de futebol e tudo o mais. Quando Beka, a melhor amiga de Caio, conta a Felipe que ele é gay – e lhe dá uma lição sobre como gay pode até empinar moto –, ele percebe que tudo faz sentido… Lady Gaga, a queimada, o Zac Efron…

A cabeça literalmente explodindo é sensacional.

Até porque isso muda tudo… não muda? A relação de Felipe e Caio é uma delícia de se acompanhar. É natural que o Felipe esteja inseguro com o Caio na sua casa, e é triste que ele tenha sido pego de surpresa quando estava contando com esses dias de férias para ficar trancado dentro do quarto sem fazer nada nem falar com ninguém, mas o que começa com algumas farpas acaba se tornando mais fácil de lidar conforme os dias vão passando e pequenas coisas vão acontecendo… como uma defesa no mercado de uns garotos babacas ou aquela cena linda no trabalho da Rita. Quando Felipe está pronto para admitir que eles podem ser amigos e ele quer isso, ele descobre que o Caio é gay, e então meio que toda a sua insegurança volta com tudo!

Mas ele convida Caio pra dormir no seu quarto e deixar o sofá duro…

E É LINDO!

Eu sou romântico… e adoro uma boa história de amor! Felipe e Caio me deixam felizinho com o que eles vão construindo. Conversas no terraço com referências a “O Senhor dos Anéis” nas quais Caio fala sobre “descobrir o que está do outro lado da montanha” e “deixar o Condado”, ou momentos como o quase beijo na piscina de bolinhas da Festa do Caqui, onde eles se escondem para que uma prima da mãe de Caio não o veja, e de onde eles retornam bêbados e dividem uma mesma cama. O primeiro beijo, doce e com um quê delicado de urgência, as descobertas no quarto de Caio que fazem Felipe flutuar conforme ele vai sentindo que ele é lindo…

Mas o filme vai além do romance. Fala sobre amor em muitas formas. O centro é o romance de Felipe e Caio e eu acho que ele é lindamente explorado, mas “Quinze Dias” também fala sobre relações familiares e sobre amizades, por exemplo. A relação de Felipe e Rita é lindíssima e um dos fios condutores da narrativa, e por isso é tão sofrido assistir ao momento em que ele diz algo que no fundo não queria dizer porque está com raiva. E, através de Caio, Felipe faz novas amizades que lhe fazem perceber que ele gosta, sim, de sair do quarto, de ir ao cinema, de conversar com as pessoas, e pode até ir a festas! E ele pode enfrentar bullies e fugir na Carreta Furacão, por exemplo.

O que, por sinal, eu achei FANTÁSTICO e PROFUNDAMENTE BRASILEIRO!

Também amo como o filme explora referências e projeções da imaginação de Felipe, em momentos que não falharam em me arrancar risadas. Ele se vê dentro de histórias que assiste, como quando se vê em uma comédia romântica na qual não é o protagonista no início do filme ou em um filme de detetive no qual acaba de ganhar um novo parceiro, ou ele projeta o que gostaria de fazer quando sofre bullying no supermercado, por exemplo, mas não tem coragem de fazer de verdade. E como não amar o momento depois dos primeiros beijos quentes com Caio no qual ele está tão leve que ele sai pela rua como se estivesse em um musical, como se estivesse em “Hairspray”.

Amo “Good Morning Baltimore” e AMO que a tenham usado aqui!!!

Com a essência da história e dos personagens perfeitamente conservada e transposta para a tela, o filme faz alterações para torná-lo mais… cinematográfico. A trama da festa na casa vazia de Caio, por exemplo, rende um coração partido, um alarme de incêndio disparado sem nenhuma ameaça de incêndio e um problemão de Caio com a família, o que culmina em uma tentativa de fuga “para fora do Condado” – e a oportunidade perfeita de um “grande gesto”, que é aquele momento aguardadíssimo de toda comédia romântica. Adoro a cena de Felipe e Caio na rodoviária, adoro ele dizendo que o quer ali, seja como namorado ou como amigo, e adoro o Caio o beijando, sem se importar com o que os outros vão pensar…

Porque ele só quer estar com ele!

São quinze dias importantíssimos na vida de ambos. Se Felipe aprendeu a fazer amizades, a sair de casa e a se sentir forte, Caio aprendeu que ele não precisa e não quer mais se esconder, e é com essa força que ele retorna para casa com decisões tomadas. Vibramos por ele quando ele segura a mão de Felipe na frente dos pais e diz que eles estão namorando (“Estamos?”), e que “ele não vai mais pensar em fugir, mas para isso eles precisam o querer de volta e como ele é”. Também gosto de como ele responde à mãe que diz que “não o reconhece mais” dizendo que ele não mudou… ele só não está mais se escondendo. Percebo o quanto eu simplesmente amo esses dois!

Assim como o livro, Felipe e Caio terminam na piscina… é linda a nova cena no terraço, as quinze coisas que Felipe aprendeu nesses dias, o pedido que ele confie nele, e a transição da piscina à noite, só para os dois, para a piscina durante o dia e cheia de gente, na qual Felipe finalmente se sente seguro o suficiente para estar, com o namorado e os amigos. “Quinze Dias” é uma história lindíssima. Eu me apaixonei pela história e pelos personagens quando li o livro há alguns anos, e eu voltei a me apaixonar por tudo agora, assistindo à adaptação. Belo, divertido, emocionante e necessário, é o tipo de filme que nos faz chorar e nos faz sorrir, é um afago, terminamos com o coração quentinho.

Muito feliz por esse lançamento!

Sempre os guardarei no coração com muito carinho!

 

Para a review do livro de “Quinze Dias”, clique aqui.
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