Dark Matter (Matéria Escura) 2x02 – A Perfect World

Em busca do mundo perfeito.

Exibido originalmente em 04 de setembro de 2026, “A Perfect World” é o segundo episódio da segunda temporada de “Dark Matter”, e é simplesmente FANTÁSTICO como a narrativa se divide entre tantos personagens, explica novamente a superposição possível apenas quando a droga criada por Ryan Holder suprime parte dos impulsos naturais do cérebro dentro da Caixa e brinca com proximidades que acabam não gerando reencontros pelos quais talvez ansiássemos – e que nos mostram que, talvez, a nova droga criada pelo Ryan Holder que foi levado pelo Jason2 a outro mundo contra sua vontade e largado lá pode permitir um controle muito maior sobre a Caixa e sobre os mundos atrás das portas… embora o próprio Ryan ainda não tenha entendido isso.

A primeira cena do episódio nos leva para três anos antes, para o mundo no qual Jason e Leighton trabalharam juntos na construção da Caixa, e quando perceberam o que tinham acabado de fazer… aquele mundo em que Jason estava com Amanda e no qual Blizzy insistiu para ser a primeira pessoa a testar a Caixa… aquele é um mundo de um Leighton Vance que “quer brincar de ser Deus”. Ele fala sobre todas as possibilidades da Caixa, sobre a infinidade de realidades que podem ser acessadas através dela: realidades que acabaram com a fome, com o aquecimento global, com a fome, que avançaram tecnologicamente… seu plano é visitar esse mundo, aprender com eles e trazer coisas para esse mundo que o tornem o melhor universo no qual se viver.

É inusitado ver duas versões de Leighton Vance trabalhando juntos – e ver como o roteiro escolhe diferenciá-los em termos de nome para facilitar as coisas… um deles é Leighton Vance, o empresário ambicioso capaz de qualquer coisa; o outro atende por “Oluko”, sendo aquele Leighton que trilhou um caminho diferente que o tornou capaz de controlar emoções e pensamentos… e é através deles que o roteiro revisita o conceito de superposição para um Ryan Holder que ainda está sendo recrutado para fabricar mais da droga necessária para a travessia entre realidades, e eles explicam que são a mesma pessoa, mas com escolhas diferentes que resultaram em vidas diferentes. É um conceito simples e apresentado de maneira fenomenal em “Dark Matter”.

Funciona muito bem!

Passamos, também, bastante tempo com o Ryan Holder do mundo do Jason1 e com a Amanda do mundo do Jason2, naquele mundo em que tudo parece colorido e otimista demais e no qual a Caixa acabou de ressurgir… e isso coloca de lado toda a chance que talvez eles tivessem de esquecer tudo e recomeçar juntos ali naquela realidade. Aquele Ryan tem a ajuda do Leighton Vance daquele mundo, e ele chegou a uma versão da droga que se assemelha em mais de 99% à original, mas não ainda 100% – as diferenças, no entanto, podem vir a ser benéficas, e então eles colocam ela em teste… Ryan estava pronto para partir sozinho, mas Amanda lhe diz que foi o seu trabalho que tornou isso tudo possível, então ela também se sente, em parte, responsável, e vai junto.

E eles começam a procurar uma nova realidade…

Os Dessen, por sua vez, estão em busca de um universo que não precisa ser “perfeito” – apenas perfeito o suficiente para os acolher nessa busca que parece incessante. As escolhas deles os levam a universos inabitáveis, até que caiba a Charlie escolher uma porta, e ele fala em voz alta tudo aquilo que deseja… coisas como um mundo no qual eles possam recomeçar, onde eles não sejam famosos nem criminosos, e onde não haja toda aquela coisa de reconhecimento facial que dificulta tudo. E a Caixa lhe responde à sua maneira… eles chegam a um mundo com tecnologia muito diferente da tecnologia do nosso mundo, muito mais “antiga”. Quando eles perguntam sobre computadores em uma biblioteca pública, por exemplo, eles simplesmente não estão ali…

Porque não estão em todo lugar.

A pesquisa é mais manual e mais demorada do que seria na internet, e Jason Dessen descobre algumas informações que explicam o atraso tecnológico daquela realidade em comparação com outras: naquele universo, a humanidade não chegou à Lua. Ele explica que, ali, Nixon ganhou de JFK nas eleições e cortou o financiamento da NASA e, sem a corrida espacial, que foi a responsável por colaborações e aceleramentos que proporcionaram um rápido avanço tecnológico, eles foram mais lentos… estão décadas atrás ainda. Charlie, adolescente, nem sabe como viver naquele universo: como assistir a filmes, como ouvir músicas, como comprar coisas… mas a verdade é que, sem computadores e sem internet, talvez eles tenham chegado ao mundo ideal para eles.

Naturalmente, nem tudo é tão simples… como Charlie quer poder retornar para a escola uma vez que eles estejam instalados em um mundo, Daniela vai até a escola para se informar, com uma história sobre como seus documentos queimaram em um incêndio, mas ela acaba sendo reconhecida pela secretária, que a acha “muito parecida com Daniela Dessen”. Os Dessen daquele mundo se mudaram para a Califórnia três anos antes, mas o Charlie de lá estudou naquela mesma escola, então eles não poderão matriculá-lo ali… e, de todo modo, em qualquer escola em que ele estudar, eles precisarão entregar todos os documentos em um prazo de 30 dias e, portanto, eles precisam de um plano… então, Jason vai atrás de alguém que ele acha que pode ajudar.

Seria mais fácil se eles não estivessem em Chicago, e o próprio Jason sabe disso – mas ele pretende destruir a Caixa quando escolherem um mundo no qual ficar definitivamente, e ele ainda precisa descobrir como destruir a Caixa. Eu gosto da “brincadeira” do episódio de colocar Ryan e Amanda chegando justamente àquele universo depois de uma primeira porta que os levou a um zoológico, e é ali que eles escolhem passar a noite para descansar antes de retornar para a Caixa e seguir tentando… com o Ryan hospedado no quarto da frente de onde os Dessen estão morando por uns dias. O fato de o Ryan ter escolhido a porta que os levou até ali é muito importante, porque ele estava pensando nesse Jason1 quando ele partiu do mundo em que estava…

A sua nova droga funciona bem… muito bem.

Mas ele não viu o Jason1 para poder ficar sabendo disso.

 

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