Desventuras em Série, Livro Quinto – Inferno no Colégio Interno


Quando os Baudelaire conhecem AMIGOS.
Esse é um dos meus livros FAVORITOS em “Desventuras em Série”. Na verdade, eu ainda não acho que ele atinge a complexidade de “Serraria Baixo-Astral”, nem tampouco o carisma de “A Cidade Sinistra dos Corvos”, mas ele é um livro de “transição”, de certo modo, e eu adoro isso. Sempre tivemos a história dos Órfãos Baudelaire em destaque, e isso não muda, mas “Inferno no Colégio Interno” expande o horizonte apresentando-nos Duncan e Isadora, os Trigêmeos Quagmire. Mais dois irmãos que tem uma história de fugir do Conde Olaf, tão inteligentes quanto os Baudelaire (de modos diferentes, sendo ele um jornalista e ela uma poetisa), e que servem, de algum modo, de refúgio para os irmãos em todas as adversidades que terão que enfrentar na Escola Preparatória Prufrock, aquele terrível lugar que parece um cemitério e tem a Carmelita Spats em seus corredores.
Aqui está a quinta carta de Lemony Snicket aos seus leitores:

Caro Leitor,

Se você está em busca de uma história sobre jovens animados que se divertem a valer num internato, bateu na porta errada. Violet, Klaus e Sunny Baudelaire são inteligentes e engenhosos, e você talvez imagina que eles se sairiam muito bem no colégio. Mas não foi o caso. Para os Baudelaire, o colégio veio a ser mais um desastroso episódio em suas vidas infelizes. Para dizer a verdade, nos capítulos que constituem esta história pavorosa, eles enfrentam caranguejos que mordem, exames hiper-rigorosos, castigos duríssimos, fungos gotejantes, recitais de violinos, exercícios de D.O.R. e o sistema métrico.
É minha solene obrigação passar a noite inteira pesquisando e escrevendo a história dessas três crianças desgraçadas. Quanto a você, entretanto, nada impede que se entregue a uma bela noite de sono tranquilo. Para conseguir isso, eu sugeriria: escolha um outro livro.

Respeitosamente,
Lemony Snicket

Como eu comentei, esses são dois dos primeiros elementos apresentados nesse livro. Primeiro, Carmelita Spats, a desprezível garota irritante que adora fazer a vida de todo mundo no colégio interno um INFERNO. E a própria Escola Preparatória Prufrock, que é toda macabra, com seus prédios parecendo grandes e desoladoras lápides e tudo o mais… tudo ali, na verdade, é problemático. Os irmãos vão morar no “Barraco dos Órfãos”, que não é um lugar nem um pouco agradável, e as regras da escola incluem alguns castigos absolutamente terríveis e non-sense, como ser obrigado a comer sem talheres ou beber suco sem copo, por causa de coisas idiotas como “entrar no prédio da administração”. Bem, se Sunny terá que TRABALHAR no prédio da administração, ela simplesmente terá que ser castigada todos os dias, o que não é nem um pouco justo.
Mas comum em “Desventuras em Série”.
Sempre digo: a vida dos Baudelaire é desesperadora.
Ah, como se não bastasse isso tudo, como aquele lembrete no lema da escola (“Lembra-te de que morrerás”) e esses castigos terríveis, ainda temos o vice-diretor Nero, um cara insuportável com o seu chatíssimo violino que não sabe tocar, fazendo longuíssimos recitais que todos os alunos são obrigados a ouvir. É torturante, mesmo só de ler! Mas crueldade mesmo é o Barraco dos Órfãos, com o seu teto gotejante, seu mofo e aqueles caranguejos que estão loucos para morder os pés das crianças. Nem camas as crianças recebem, mas apenas três pilhas de feno… não que eles terão, realmente, muito tempo para dormir no decorrer da história. Mas, como eu disse, se há algo BOM na Escola Preparatória Prufrock, é que os Baudelaire encontram os Quagmire. Amigos de verdade para ajudá-los a passar por alguns momentos difíceis.
Como diz Snicket:

“Os órfãos Baudelaire haviam encontrado amigos, e, enquanto estavam na biblioteca com os trigêmeos Quagmire, o mundo pareceu-lhes mais familiar e mais seguro, sensação que não experimentavam fazia muito, muito tempo”

A história dos Trigêmeos Quagmire também inclui um misterioso incêndio que não só levou a vida de seus pais, como também de seu terceiro irmão, e sua fortuna tem a ver com pedras preciosas que as crianças herdarão. Eles, no entanto, passaram muito mais tempo na Escola Preparatória Prufrock, e não pulando de tutor em tutor como os Baudelaire, e eles puderam fazer algumas investigações e chegar a uma sigla misteriosa que eles nunca terão tempo de explicar para Violet, Klaus e Sunny: C.S.C. O fabuloso mistério de “Desventuras em Série”, que tem tudo a ver com o olho tatuado no tornozelo do Conde Olaf. Ah, e por falar em Conde Olaf, ele aparece disfarçado de professor de Educação Física, e ele nem é o pior dos professores na Prufrock! Tem um professor mala que só sabe comer banana, e uma que adora medir as coisas. Tudo. Absolutamente TUDO. E mais nada.
Mas vamos ao INSTRUTOR GENGHIS.
Naturalmente, e já estamos acostumados a isso quando lemos “Desventuras em Série”, nenhum adulto acredita nas crianças quando eles falam que “o Instrutor Genghis é o Conde Olaf disfarçado”. Crianças até sim, como os Quagmire, que dividem seus talheres e copos com os irmãos, por conta dos contínuos castigos, mas nenhum adulto, e muito menos o vice-diretor Nero, muito mais interessado em tocar o seu violino de forma pavorosa. Assim, foi fácil para o Conde Olaf pegar as crianças. Ele as fez estarem no pátio da escola, à noite, e naquela noite eles pintaram uma “pista” no chão, em forma de 8 (ou do infinito), e correram por ela DURANTE HORAS. Horas e horas e horas, até que o dia amanhecesse e eles estivessem completamente exaustos. Foi crueldade, porque eu penso em mim mesmo, incapaz de correr por uma única hora inteira!
O plano do Conde Olaf é bem incerto, no entanto.
As crianças custam a entender o que ele quer, afinal.
E essas sessões de D.O.R. se repetiram, noite após noite, dolorosamente, com as crianças exaustas durante o dia, mas felizmente tendo a ajuda dos Quagmire, que estavam com os seus cadernos repletos de informações, fazendo pesquisas na biblioteca, ajudando no que fosse necessário, como na construção de grampos (amo as invenções loucas da Violet, quase uma MacGyver!), e pensando, os cinco juntos, em um plano para se livrar do Conde Olaf. Os Trigêmeos Quagmire se arriscaram DE VERDADE pelos Baudelaire, e isso foi LINDO DEMAIS. Em uma noite, enquanto eles produziam grampos para a Sunny e estudavam para provas dificílimas, os Quagmire se voluntariaram para tomar os lugares dos Baudelaire na pista de corrida da D.O.R., usando suas roupas e puxando um saco de farinha que seria a Sunny. E foi um risco tremendo que só se corre por amigos de verdade.
Porque Violet, Klaus e Sunny estavam duramente ameaçados agora. O plano do “Instrutor Genghis” finalmente ficou claro. As crianças estavam EXAUSTAS, terríveis nos estudos e no trabalho, e o “Genghis” tinha o plano de “acolhê-las” como seus filhos quando fossem expulsos da Escola Preparatória Prufrock… ah, e eles seriam expulsos, nesse ritmo. Não fossem as anotações claras de Duncan e Isadora, não fosse a união para o estudo e fabricação de grampos, não fosse a atitude dos Quagmire de se passarem pelos Baudelaire. Mas nem tudo sai como o previsto. Nos exames até sim, mas não mais que isso. É angustiante ver o Instrutor Genghis caminhando ao Barraco dos Órfãos com vitória no olhar, a fita de cabelo de Violet em uma mão, os óculos de Klaus em outra, e a farinha que fora Sunny levantando do chão sob seu pé…
Ele vencera.
Novamente.
Talvez esse livro tenha um dos finais mais desesperadores até aqui. Já tivemos as crianças tristes, mas pelo menos sabendo que têm umas às outras, mas dessa vez, eles fizeram e perderam dois amigos. O Conde Olaf é, eventualmente, desmascarado, para a surpresa revoltante dos adultos que não ouvem as crianças, mas isso é o de menos. Violet, Klaus e Sunny estão bravamente correndo atrás dele para salvar os amigos, mas tudo o que conseguem é revelar sua identidade. Olaf escapa, no entanto, e levando consigo Duncan e Isadora, jogando-os dentro de um carro, vangloriando-se de uma vitória e de uma fortuna que conseguirá para si… antes de serem levados, no entanto, Duncan e Isadora Quagmire conseguem gritar algo sobre os cadernos e sobre “C.S.C.”, e os Baudelaire ganham um mistério a investigar!


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