[Series Finale] Good Omens 3x01 – The Finale

“A Universe without Heaven and without Hell”

OPERAÇÃO SEGUNDA VINDA. “Good Omens” fez um grande sucesso em 2019 com a história de um anjo chamado Aziraphale e um demônio chamado Crowley que estavam às voltas com o Apocalipse e tudo o mais. Em 2023, a série ganhou uma segunda temporada com um roteiro muito mais simples do que o da primeira, mas igualmente charmoso… era gostoso acompanhar aqueles personagens e aquela história de amor entre um anjo e um ex-demônio, e a temporada terminou em um gancho no qual os dois se separam quando Aziraphale decide assumir o Céu em meio ao caos. Por algum tempo, a terceira temporada tinha um destino incerto, até que um especial de aproximadamente 1h40 foi lançado em 13 de maio de 2026 para encerrar “Good Omens”.

“The Finale” é um episódio único – embora seja oficialmente chamado de “terceira temporada” – que traz Aziraphale tentando uma nova proposta para a Operação Segunda Vinda, mas ele se vê meio perdido quando algumas coisas desaparecem do Céu… dentre elas, Joshua/Jesus, que acabou de ganhar um novo corpo humano. Aziraphale e Crowley precisam se unir novamente para recuperar o Bentley perdido, encontrar Jesus e deter Michael no Centro do Universo – e, quem sabe, encontrar um lugar para eles, no qual possam estar juntos e felizes. O “episódio” pode ficar aquém do potencial original da Segunda Vinda, mas é feito com ternura que transcende a tela e acaba sendo uma experiência recompensadora que nos deixa felizes.

Eu sorri muitas vezes e me emocionei com o final. Estou contente com o que vi!

A Segunda Vinda normalmente significa “Fim dos Tempos”, mas Aziraphale tem uma ideia diferente para isso… ele não quer o Apocalipse tradicional: ele acha que pode mandar Jesus de volta à Terra para trazer paz e alegria a todos, ele quer algo “mais animado”. É assim que conhecemos o Jesus de “Good Omens”, o Joshua, e ele é a coisa mais fofa desse mundo! Ele está perdidinho, porque sua última lembrança é de ter sido crucificado, mas isso foi há mais de 2000 anos e todos os humanos que ele conhecera já estão mortos… Joshua pergunta sobre seus amigos, sobre a mãe e, eventualmente, “sobre aquele cara de cabelo vermelho e olhos amarelos”. E é justamente o Crowley que ele está procurando quando pega um elevador para a Terra sem supervisão.

Jesus não é o único a desaparecer do Céu. Algo aconteceu a Metatron também, e o Livro da Vida não está mais no lugar onde esteve desde o Princípio dos Tempos e tudo o mais. Aziraphale não sabe o que fazer, e segue um conselho de descer até a Terra e pedir a ajuda do seu amigo – pode até ser que as coisas não estejam perfeitas entre eles no momento, mas eles sempre trabalharam bem juntos. Há algo quebrado na relação deles, infelizmente, e tem coisas que são ditas e alguma resistência para aceitar o pedido de ajuda, mas não é como se Crowley não quisesse a companhia de Aziraphale. E eles de fato já encontraram o Anti-Cristo juntos, não custa encontrar, agora, Jesus. Antes, no entanto, Crowley quer a ajuda de Azira para conseguir seu carro de volta…

Crowley perdeu o Bentley para um homem chamado Brian Cameron em uma espécie de “Banco Imobiliário Celestial”, e agora Aziraphale faz um novo contrato e uma nova aposta com ele, e ele pode decidir o “jogo” – e ninguém ganha dele nas Palavras Cruzadas. É meio bob e extremamente rápido, mas é bom ver Crowley e Aziraphale dentro do carro novamente, e eles têm a oportunidade de conversar sobre a relação, expectativas e frustrações: Crowley fala sobre como Aziraphale “o deixou para ir governar o Céu e agora ele está pior do que antes”, mas Azira fala sobre como ele tinha ao menos que tentar… ele quer que todos tenham uma chance – inclusive eles dois. Crowley acha que, a essa altura, eles podiam estar em Alpha Centauri deixando que isso fosse problema de outra pessoa…

Mas o problema acaba sendo deles.

Com o assassinato de mais um anjo, Sandalfon, Crowley sobe ao Céu com Aziraphale para ver se ele pode ajudar, e eles percebem que também precisam de uma expedição ao Inferno, para saber se os demônios sabem onde está Jesus – como Crowley é conhecido por lá, quem desce é o próprio Aziraphale, disfarçado, o que rende uma boa cena. E eu amo os dois conversando mais tarde sobre o que descobriram: sobre o Céu, o Inferno, Deus, o plano de mudança do conceito de Segunda Vida e sobre Jesus… e é só nessa conversa, na qual Aziraphale conta a Crowley que Jesus o mencionou, que ele se dá conta que Jesus esteve ali e falou com ele… mas ele estava bêbado demais para reconhecê-lo. Ao menos eles sabem, agora, que Joshua está por perto.

Eles também entendem quem está por trás de todos esses “desaparecimentos” no Céu: Michael – “Michael is destroying the Book of Life”. Vemos o momento em que Michael “desfaz” Uriel quando ela descobre o que está acontecendo, e Aziraphale e Crowley rumam para onde Michael está e pode ser detido: NA CHAMA ETERNA NO CENTRO DO UNIVERSO. Gosto da viagem de Bentley voador ao som de “Don’t Stop Me Now”, do Queen, enquanto tudo está sendo assustadoramente destruído… coisas como o Canadá ou air fryers. Também acontece tudo depressa… enquanto Azira “perdoa” Michael tarde demais e tudo parece destruído, Joshua faz um discurso tocante para humanos e multiplica a pizza (!), até que ele mesmo desapareça.

É uma pena, na verdade… em uma temporada maior, teríamos explorado mais de Joshua como personagem e eu sinto que seria uma delícia acompanhá-lo por mais tempo, mas o centro da narrativa de “Good Omens” é Aziraphale e Crowley, e é a história deles que precisa ser resolvida no pouco tempo que se tem… sobram os dois e a livraria deles no Fim do Mundo, e talvez aquele seja enfim o lugar para eles. Eles percebem, no entanto, que é transitório e que algo tem que acontecer. Os livros estão em branco, e eles recebem a visita do Diabo, aquele que ocupou o cargo de Satã por muito tempo; Aziraphale, então, transforma qualquer livro em branco no novo Livro da Vida e, ao escrever nele, invoca uma quarta presença naquela livraria: Deus.

Aquela livraria é o mundo inteiro, e talvez Deus responda a perguntas – ou não. Crowley fala sobre o que o atormenta: por que fazer humanos e depois puni-los por eles serem exatamente isso? Humanos. A fala de Crowley mostra o quanto ele se importa, e é bonito ver Deus sorrindo enquanto Crowley fala, porque Ela reconhece isso. Sem responder ao ex-demônio, no entanto, Deus se volta a Aziraphale e pergunta se ele tem uma pergunta que o atormenta, e Aziraphale mais desabafa do que pergunta, e a cena é lindíssima. Depois que Deus o descreve e ele concorda, Azira também fala sobre como ele sempre foi o seu segundo melhor anjo, porque o primeiro sempre foi Crowley: mais do que os demais, ele fazia arte, ele queria entender para moldar…

Os demais eram “personagens” da história de Deus…

Crowley se importava de verdade e acreditava em propósito.

No fim, Aziraphale tem uma pergunta que o atormenta: ele pergunta por que Deus lhe deu Crowley para torná-lo inteiro e depois tirou isso dele. Deus fala sobre o amor tolo e previsível deles, e de como isso A fazia sorrir… mas isso era “no Antigo Universo”, e agora tudo está chegando ao fim – o plano de encerrar o mundo segue. Antes, no entanto, Aziraphale e Crowley são convidados a pensar sobre o que eles querem… e ganham privacidade para conversar sobre isso. Crowley fala sobre querer um universo de verdade, querer que as pessoas tenham uma chance e que o livre-arbítrio seja real. É bonito e forte, e mostra como ele de fato se importa. Ele pensa em um mundo em anjos, sem demônios, mesmo que seja sem os dois…

Ali, Aziraphale o ama mais do que nunca. E eles tomam uma decisão.

A proposta que eles apresentam é:

 

“Nós queremos que você crie um outro Universo. Um sem anjos e sem demônios. Sem Deus, sem Satã. Um universo sem Céu e sem Inferno”

 

Crowley e Aziraphale apresentam a sua proposta inusitada – que Deus crie um universo sem Deus – de mãos dadas e confiança no rosto, e Deus atende ao pedido, orientando-os, então, a se despedirem. E, então, aquele Universo de 6.000 anos chega ao fim e tudo recomeça. O Big Bang, um novo começo… e, 13.8 bilhões de anos depois, OS DOIS SE REENCONTRAM. Eles não são mais o Anjo Aziraphale e o Ex-Demônio Crowley… eles são Asa Fell, funcionário de uma livraria, e Anthony Crowley, professor universitário e autor de um livro de astrofísica. Eles se encontram por acaso, quando Crowley encontra a livraria e pergunta sobre seu livro sem dizer que é o autor, e os dois entendem que, de alguma maneira, aquele “é o seu dia de sorte”. Eles estão absolutamente fofos de humanos!

Há até mais leveza na interação.

Anthony Crowley vai embora com um outro livro com o qual sempre sonhou, e Asa Fell segue um conselho e corre atrás dele na rua, dizendo que comprou seu livro e pedindo o seu autógrafo… e ele pede, também, que ele “escreva o seu número”, para que ele possa ligar “e o chamar para jantar”. Crowley responde que não vai colocar o seu número, mas diz que vai esperar por ele… “Onde vamos jantar?”. Então, eles jantam ao som de “Time After Time” em um lugar com rostos conhecidos, como o de Joshua, e eu achei que a série nos deixaria ali. Poderia ter sido encerrada ali e teria sido muito bonito, com um futuro juntos pela frente, mas a série escolheu nos mostrar um pouco disso e nos entregou um final ainda mais bonito e tocante…

20 anos depois, Asa Fell e Anthony Crowley estão juntos, e ficamos felizes de saber que eles ainda tiveram todo esse tempo para estar na companhia um do outro sem se preocupar com Céu, Inferno, Anti-Cristo, Jesus, Apocalipse… sentados lado a lado, segurando a mão um do outro, eles olham para a vastidão do céu e estrelas cadentes e percebem que eles têm o universo inteiro para eles e um ao outro, e isso é tudo o que eles sempre quiseram e sempre precisaram. É absolutamente lindo, e eu percebi que eu estava sorrindo do início ao fim. “Good Omens” chega ao fim proporcionando uma sensação de conclusão e de conforto ao coração, e eu só agradeço por ter podido ser parte disso, porque me fez feliz. No fim, eu continuaria aqui para mais dessa vida humana desses personagens…

Sentirei saudades.

 

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