[Season Finale] Jovem Sherlock (Young Sherlock) 1x08 – O Caso de Beatrice Holmes
“I always
knew you loved me, my boy”
“O Caso de Beatrice Holmes” encerra a
primeira temporada da série “Jovem
Sherlock” com um episódio eletrizante e de deliciosas reviravoltas, tudo
regado a investigações, sentimentos e problemas familiares, com um potencial
imenso para o futuro, mas também uma conclusão satisfatória se não temos uma
renovação. Há pouco tempo, os Holmes descobriram que Beatrice não havia morrido
como sempre acreditaram: sua morte foi forjada por Silas Holmes para incentivar
a internação de Cordelia em um manicômio e assumir as propriedades e o dinheiro
da família para financiar seus negócios escusos… agora, Sherlock está tentando
deter os planos do pai, que colocam em risco a humanidade como um todo, ao
mesmo tempo em que tenta reencontrar Beatrice.
Beatrice
Holmes foi oficialmente introduzida no episódio anterior – alguém que já vimos
durante a série, sem saber sua identidade. No início desse episódio final,
exploramos um pouco os anos que separam o agora
de sua suposta morte. Beatrice foi levada para a casa da Sra. Tilcott com a
mentira de que houvera um incêndio na casa deles, e embora ela não se lembre do
incêndio e isso seja material para recorrentes pesadelos, ela teve que tomar
isso como verdade. A ânsia por respostas e a habilidade para a investigação, no
entanto, corre nas veias dos Holmes…
assim, depois de uma atitude explosiva em um de seus aniversários, ela resolve
descobrir quem está enviando aquelas borboletas para ela ano após ano, e isso a
leva até Silas.
Assim,
Beatrice passou os anos seguintes ao lado do pai, porque não queria mais ficar
com a Sra. Tilcott, e ele sempre mentiu para ela sobre a mãe – disse que ela
foi internada e que Beatrice foi tirada de lá porque “Cordelia era um perigo
para ela”. Os anos de admiração ao pai acabaram a tornando muito parecida com ele. Foi ela quem sugeriu tornar-se uma espiã em
Oxford, aproximando-se dos Professores Hodge e Malik em busca de informações, e
ela conseguiu não expressar nenhuma reação ao ver Sherlock e Mycroft, ainda que
soubesse que eram seus irmãos. As mentiras contadas por Silas são mantidas,
agora, por comentários sobre como “a mãe tem uma imaginação fértil”, e ele
preparou Beatrice para não acreditar
em nada do que lhe dissessem.
O “jantar em
família” dos Holmes, com a maioria deles como prisioneiros, é profundamente TENSO, e é um jogo de interesses
constante. Silas quer a localização da falsa Princesa Shou’an em troca da
liberdade deles, Beatrice se recusa a ouvir ou acreditar em qualquer coisa que
Cordelia ou Sherlock digam, e Mycroft faz uma jogada arriscada parecendo
interessado na arma biológica produzida pelo pai, deixando que Sherlock e os
demais acreditem em uma traição, porque disso depende o sucesso de seu plano…
com algumas peças colocadas sobre o tabuleiro, o jogo continua para além do
jantar, com destaque para o momento em que Silas se aproxima de Sherlock no
jardim da casa em uma tentativa de o recrutar – Sherlock diz que se ele contar
a verdade a Beatrice, ele pode considerar
a proposta.
Gosto da
riqueza e da agilidade do episódio, e de como muitas coisas estão acontecendo
em paralelo. Enquanto Sherlock é recrutado pelo pai, Moriarty e Beatrice
descobrem uma tensão que se converte em desejo, e Mycroft está agindo de acordo
com seu próprio plano individual, que o leva até Xiao Wei e juntos eles
retornam para “resgatar” os prisioneiros… é um alívio, para eles, perceber que
Mycroft não os traiu, no fim das contas, e eu sempre abro um sorriso com
Mycroft e Sherlock se chamando de “brother dear”, com um quê de deboche. Também
adoro o Sherlock agradecendo a Xiao Wei por vir e ela respondendo que “queria
vê-lo; isso e matar o pai dele”. Tiros, caos, o clássico de “Jovem Sherlock”… e, por fim, UMA
PASSAGEM SECRETA.
Sherlock e
os demais descobrem um lugar com bonecas que ocultam ópio e entendem como Silas
tem toda uma rota que utiliza para contrabando, e que agora ele pretende usar
para enviar o agente químico desenvolvido com a ajuda de Malik e que eles
pretendem vender, mas é mais do que isso:
os arquivos dos professores e suas pesquisas indicam o estudo de como o som e
outros elementos se espalham, bem como planos para a construção de um foguete…
não é apenas venda e entrega: eles vão fazer chover morte. Assim, a única
chance de deter Silas de verdade é
estudando as equações e encontrando um paralelo negativo, uma maneira de neutralizar a substância. O problema, é claro, é que
a equação que eles encontram ali não está
completa.
O grupo
parte, então, para Afshin, o local onde a fábrica de Silas está funcionando, e
eu gosto muito do cenário e dos figurinos dessa viagem – inclusive, James
Moriarty está mais lindo do que nunca.
Ele joga com Sherlock, fala sobre a possibilidade de não destruir e/ou
neutralizar tudo, mas pegar para eles e vender eles mesmos a fórmula para o
governo, porque isso os deixaria ricos e livres… Sherlock fica em choque
silencioso ao ouvir isso, então Moriarty fala sobre como “ele estava
brincando”, mas ele não estava e, no fundo, Sherlock sabe disso. De todo modo,
essa é uma preocupação para outro momento: ao chegar na fábrica, eles precisam
encontrar uma maneira de entrar, e
felizmente temos a memória fotográfica de Sherlock que se lembra de um “mapa”.
Dentro da
fábrica, o grupo recém-chegado tem uma cena interessante
com Beatrice, que enfim está começando a balançar.
Toda a história do passarinho contada por Cordelia não me parece o suficiente
para que Beatrice vá às lágrimas e a abrace a chamando de mãe, e felizmente as
coisas são mais complexas do que isso, e de fato há fingimento ali… Beatrice é
alguém que cresceu pensando mais nela mesma do que em qualquer outra pessoa,
ela serve aos seus próprios interesses. Então, ela leva Cordelia e os demais
até Silas, mas é para Silas que ela aponta a arma, porque ouvira a sua conversa
com Sherlock no jardim, dizendo para ele as mesmas coisas que dissera para ela.
Agora, ela está finalmente começando a desconfiar do pai.
O tiro de
Beatrice em Silas é apenas o início de todo o clímax explosivo desse episódio
final. O plano é explodir e soterrar a fábrica e acabar com a pesquisa e
produção de uma vez por todas, mas Moriarty fica para trás um tempo a mais para
conseguir o resto da equação que não encontraram no escritório de Silas… ainda
que baleada, Silas consegue correr para fora da explosão e é encurralado entre
um precipício, Beatrice e Xiao Wei. Ambas estão dispostas a matá-lo, e ele sabe
disso, e é por isso que ele apela para Sherlock, perguntando se ele deixará que
atirem em alguém desarmado… ele não é uma boa pessoa, mas ele conhece o filho
muito bem, e Sherlock de fato apela a seu favor e fala de não matar a sangue
frio e de ser melhor levá-lo para que a justiça lide com ele.
Então, Silas
Holmes o segura em um momento tenso no qual tememos pela segurança de Sherlock,
e ele mesmo se joga precipício abaixo – tenho 99% de certeza que, com a série renovada para a 2ª temporada, ele ainda pode aparecer vivo… tal qual quando Sherlock caiu de uma cachoeira. É um final
razoavelmente aberto em relação ao seu destino, embora a maioria dos
personagens pareça assumir que ele está morto. E, de qualquer maneira, vários
elementos ficaram “inacabados”: Moriarty está em posse da fórmula, e Sherlock sabe disso, embora ele não saiba sobre o
relacionamento do “amigo” com Beatrice, o que é uma dupla perigosa e intensa. A
conversa final entre Sherlock e Moriarty é menos sincera e mais encenada do que outras que tivemos.
E eu adoro
essa tensão. Quero muito poder explorar mais dessa relação!
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