Fogo Ardente (Donde Hubo Fuego) – Presa pela morte de Leonora

Confissão?

Sério: tem alguém assistindo “Fogo Ardente” e que não está com uma raiva absurda de Olivia a uma altura dessas?! Acho que parte de mim sofre ainda mais por antecipação, só de imaginar que Olivia pode ter um “arco de redenção” e acabar bem, mas parte de mim ainda espera que isso não aconteça… de todo modo, quando Poncho vai preso acusado de ter matado Leonora (o assassino foi, claro, o Carniceiro de Reynosa, mas ele só conseguiu incriminar Poncho o fazendo despertar ao lado do corpo de Leonora com a ajuda consciente de Olivia), Olivia o visita dizendo que “se sente culpada”, que “fez coisas ruins” e que “vai ser melhor”, e é justamente isso que me irrita: o fato de ela não assumir as coisas que faz, o fato de ela fazer esse teatrinho de quem está arrependida.

E continuamente ajudar o pai.

Com Poncho na cadeia e a cobrança de uma fiança muito cara para tirá-lo de lá, os bombeiros da estação resolvem aceitar um trabalho que lhes é oferecido: com o sucesso que o Calendário dos Bombonberos fez, o dono de um clube de strip-tease os convida para fazer uma apresentação, e embora inicialmente eles não pensem em aceitar a proposta, eles eventualmente percebem que podem usar o dinheiro para ajudar o Poncho, então aceitam – e, assim, ganhamos mais uma cena de strip-tease cheia de homens muito bonitos dançando sensualmente. É uma estratégia de “Fogo Ardente” para tirar a roupa deles, é claro, mas a cena aqui não parece vergonhosa, provavelmente porque está em seu ambiente esperado… diferente de quando foi no Baile dos Bombeiros.

No fim, no entanto, Poncho nem precisará da ajuda dos seus companheiros de estação para sair da cadeia, porque ele acaba sendo liberado quando Olivia faz alguma coisa… e eu sinto que pode ser bem aqui que esteja começando a forçação de barra para “redimir” Olivia depois de tudo, mas não sejamos inocentes: Olivia sabe quem foi que matou Leonora, ela poderia ter dito a verdade à polícia, mas ela segue protegendo o pai como sempre fez e, então, ela acaba se entregando no lugar dele, dizendo que foi ela quem matou a Leonora, mesmo que ela não saiba direito o que dizer em seu depoimento. Enquanto isso, Poncho fica preocupado ao vê-la presa, questiona Ricardo sobre “ele estar apaixonado por Olivia” (!), e um monte de coisas que estão tornando essa parte patética.

Em paralelo, Gerardo é uma nova pessoa – E EU ESTOU MUITO FELIZ POR ELE. Ele está se sentindo bem por não fingir e mentir mais, por ser quem é e viver o amor que realmente sente, e acho que ele está melhor do que nunca, mesmo que tenha que lidar com momentos difíceis que são frutos de cobranças e preconceitos. Gerardo é profundamente sincero com Maite e é muito bonito o que ele diz a ela, enquanto ela se volta contra ele perguntando “por que ele não lhe disse a verdade”, como se ela não tivesse fugido e o interrompido em todas as vezes nas quais ele tentou! Maite vai embora prometendo para Gerardo que “isso não vai ficar assim” (?), dizendo que ele está muito enganado se acha que vai acabar com a vida dela e correr para os braços do seu namorado.

Maite e Olivia brigando para ver quem é mais detestável.

Gerardo também tem uma cena fortíssima com o pai… já esperávamos o ataque de homofobia do pai dele, mas eu fico muito contente com a força que Gerardo descobriu dentro de si para enfrentar o preconceito de pessoas que supostamente deveriam amá-lo. O pai diz absurdos como a mãe dissera, faz ameaças, o chama de “pervertido”, o manda sair do apartamento porque não vai mais sustentá-lo e sai da porta dizendo para Gerardo “esquecer que tem um pai” e, por mais que tudo lhe doa, Gerardo responde, antes de o pai sair: “Não se preocupe. Eu já esqueci”. A cena é dolorosa e, infelizmente, real em muitas vidas, mas Gerardo tem o Fábio e ele terá uma família formada por pessoas que ele pode escolher e que também o escolherão. E é essa a família que importa.

 

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