Além do Tempo – O beijo de Lívia Beraldini e Felipe Santarém

“Eu não falei que você tá em todo lugar?”

A conexão de Lívia e Felipe vem de outras vidas… o encontro dessas almas gêmeas que foram impedidas de viver a plenitude de seu amor na vida passada está virando de cabeça para baixo a vida de Lívia Beraldini, a filha de Emília Beraldini e sommelier de vinho talentosíssima, e Felipe Santarém, o humilde dono da Vinícola Campobello, na pequena cidade de Belarrosa. Eles são marcados, desde o primeiro encontro por casualidade no metrô do Rio de Janeiro, por uma sensação devastadora de que eles já se conhecem, sensação essa que os compele a ficarem juntos – o destino proporciona todas as possibilidades para que eles se encontrem uma e outra vez. Os dois, no entanto, são comprometidos e agora estão tendo que tentar entender o que se passa entre eles.

Lívia jamais pensou que encontraria Felipe, “o cara do metrô”, em Belarrosa, tampouco sabe que o vinho pelo qual se apaixonou foi produzido em sua vinícola, mas ela o encontra na Festa do Centro Histórico e depois novamente, quando ela e Anita estão fazendo um tour para conhecer os parreirais, e ele está trabalhando de regata, com um sorriso no rosto e suor no peito. Aquela visão a deixa sem fôlego. Naquele mesmo dia, quando chega do trabalho braçal ao qual ainda gosta de se dedicar, Felipe beija Melissa com calor e se declara para ela, sobre como a ama e como é feliz com a vida deles, de uma maneira suspeita – é como se ele estivesse dizendo aquilo em voz alta porque ele mesmo precisa ser convencido disso. E é exatamente isso mesmo.

Felipe e Lívia se reencontram no pequeno museu da cidade, e a tensão e o desejo estão vívidos e evidentes em cada palavra e olhar compartilhado, e ambos sabem o que está acontecendo, embora ambos saibam, igualmente, que “não devessem”. Ele confessa que esse encontro não foi inteiramente por acaso, por exemplo, porque ele a viu entrar ali, e ela não se importa… ela se deixa levar quando fala sobre nunca ter pisado em uvas para a produção de vinho e como isso “deve ser legal”, e ele diz que não vai deixar que uma turista venha até Belarrosa e vá embora sem ter essa experiência… por isso, ele a coloca para pisar em uvas ali mesmo, naquele momento, e É UMA CENA MARAVILHOSA, que conta com flashes da outra vida – como se a cena estivesse se repetindo.

De alguma maneira, está.

Gosto de como as cenas se intercalam e se completam, de como a tensão e o sentimento são os mesmos, e de como as vozes, da vida anterior e essa, conferem ainda mais significado a tudo. Eles não pensam… eles agem. É um reflexo natural, como se as almas ignorassem limites, e então eles se beijam intensamente –uma cena que envolve sentimento e reconhecimento. É só depois desse beijo que Felipe pergunta o nome de Lívia pela primeira vez, e ele pede perdão pelo beijo, dizendo que “não resistiu”, mas não foi uma atitude dele… foi uma atitude de ambos. Lívia reconhece isso, diz que “ela também não resistiu”, porque ela não é hipócrita a ponto de fingir que não pensou e não desejou isso… ela não precisa de explicações, nenhum deles fez isso sozinho.

E, agora, ambos estão MEXIDOS.

O beijo passa diversas vezes pela cabeça de ambos… Felipe está pensativo, sozinho; Lívia compartilha o que aconteceu com Anita e fala sobre estar se sentindo culpada e com a consciência pesada, por causa de Pedro, e a amiga diz que esse pequeno tempo afastada de Pedro é bom, porque ela tem que entender o que sente. Determinada, Lívia diz que vai procurar saber quem é esse cara, porque não vai fugir desse sentimento: é bom, é forte, é mágico. O Pedro, no entanto, consumido por um ciúme possessivo e abusivo, aparece de surpresa em Belarrosa quando deveria estar indo para a Itália, como se o seu ato fosse “a coisa mais romântica do mundo”, e tudo em sua atitude, seus comentários, suas perguntas e suas cobranças indicam relacionamento abusivo.

A situação é mais complicada para Felipe, no fim das contas… o relacionamento de Lívia com Pedro, ainda que tenha alguns anos de história, é “apenas” um noivado – sem casamento e sem filhos. A atitude abusiva de Pedro, que já chama a atenção de Lívia e a faz desgostar de como ele a trata, vai fazer com que ela se canse dele, independentemente de Felipe. Felipe, por sua vez, tem um casamento de muitos anos com Melissa e um filho. Ainda tem mais que isso: Pedro veio com as mesmas características da fase passada, ainda um vilão pleno; Melissa, por sua vez, parece ter mais camadas que antes. Até o momento, eu não consigo vê-la como vilã e não consigo deixar de lado seus ANOS de história com Felipe e Alex, bem como o fato de ela ter aberto mão de tanta coisa para que esse relacionamento funcionasse…

Até o momento, essa Melissa não me deu motivos para desgostar dela.

E vai ser legal ver “Além do Tempo” explorar isso agora. Eu sei que vamos torcer para Felipe e Lívia, até porque essa é uma história que atravessa épocas e sabemos de como essas almas foram feitas uma para a outra… também sei que Melissa retomará características de vilã, porque essa é a trama da novela. Ainda assim, é inevitável pensar que houve alguma evolução no espírito de Melissa de uma vida para outra, e não se engane: NÃO É a mesma situação da fase anterior. Na fase anterior, havia mais posse e interesse, e uma história nunca concretizada de fato; nessa, Melissa fizera concessões em prol desse romance, e ela é a esposa de Felipe há muitos anos e mãe do seu filho. Não será tão simples quanto “desmanchar um noivado arranjado”.

Vamos aguardar.

 

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