Além do Tempo – A compra da Vinícola Ventura
Começa a vingança de Emília Beraldini.
A venda da
Vinícola Ventura por Vitória, depois de eles terem sido levados à falência por
seu enteado, Bento, é exatamente o que Emília Beraldini precisava para se
vingar da mãe que a abandonou quando ela tinha 7 anos de idade… ela mesma quer
ir a Belarrosa para poder ver a cara da mulher que ela foi ensinada a detestar
durante toda a sua vida, e ambas terão a oportunidade de perdoar mágoas que não se referem apenas a essa vida –
embora Ariel não acredite que elas se perdoarão… supostamente, ele perdeu a esperança
na humanidade, o que tem nos rendido alguns dos melhores momentos da segunda
fase de “Além do Tempo”, mas uma
coisa não mudou nem um pouco: a sua
vontade de interferir na vida dos humanos. Por um motivo ou outro.
Quem está
designada a buscar Emília e as demais da Casa Beraldini no aeroporto é Gema,
mas ela não consegue o carro de que precisa para buscá-las porque o nojento do
seu marido diz que “vai precisar dele para algo pessoal” ou qualquer coisa
assim, então ela vai de jipão mesmo… e embora Lívia e Anita não vejam problemas
em usar o jipe, Emília, em toda a sua arrogância e indelicadeza, diz que não
vai entrar naquilo… então, ela vai em busca de um carro – e quem está ali para
dirigir para ela é o Ariel, que 150 anos fez o papel de cocheiro de emergência
de toda Campobello. Ariel atende ao pedido de Emília Beraldini e a leva até o
seu destino: a casa na qual Vitória
Ventura vive… a casa que, com a compra da Vinícola, passa a ser propriedade
da Casa Beraldini.
“Eu liguei para a senhora há pouco, meu nome
é Emília Beraldini. Eu posso entrar?”
Como já
disse várias e várias vezes, e possivelmente direi até o fim da novela, a
grande sacada de “Além do Tempo” é
essa reinvenção no meio da trama, quando reencontramos as mesmas almas 150 anos
depois, em sua próxima vida… eles são marcados por suas experiências
anteriores, de alguma maneira, mas não são a mesma pessoa. A interação de Vitória e Emília tem um quê de inversão de papeis, e o avanço de
Vitória que parece muito mais suave e muito mais alheia a tudo… ela não
compartilha o ódio que Emília parece sentir dela, nem mesmo como reflexo de
outra vida. Emília, por sua vez, está a cena toda do encontro com Vitória se controlando, porque o ódio parece
sair de seus poros, e o seu texto é inteiramente trabalhado na ironia.
Vitória está
em uma posição na qual ela escolhe implorar.
Ela deseja, mais do que tudo, não precisar sair daquela casa que tanto ama, e
Emília dá corda porque quer ouvir o que aquela mulher tem a dizer, e ela tem
reações quase cômicas quando diz, por exemplo, que acha muito bonito que ela
não queira abandonar a casa – “Que sensibilidade, Vitória!”. Vitória
diz que, deixando aquela casa, ela não tem para onde ir e moraria de favor na
casa de sua cunhada, em um quartinho, e Emília apenas escuta, sem dar nenhum
golpe fatal… ela parece age como se cogitasse a sugestão de vender a casa para
o prefeito da cidade, que deixaria Vitória continuar morando ali. Em casa, ela
deixa que toda sua raiva e seu desprezo transpareça em uma conversa com o pai…
Tudo, no
entanto, é bastante misterioso.
Emília conta ao pai que “viu aquela criatura” e que “ela não é mais aquela
menininha que Vitória deixou para trás e que perdeu a voz achando que a mãe
tinha ido embora porque ela disse algo feio”, mas Emília tinha APENAS 7 ANOS, e
me parece que muito do que ela acredita foi moldado
pelo pai… o pai que, inclusive, parece querer exageradamente que Emília se afaste de Vitória, como se houvesse
algo a ser descoberto, um segredo que ele precisa manter. Em sua desculpa, ele
diz à Emília que ela não pode deixar a Vitória saber quem ela é, para não dar a
ela a satisfação de saber que sua filha virou uma mulher bonita e bem-sucedida
mesmo com o que ela fizera. Ele diz que Emília já está vingada, a Vinícola
Ventura já é sua…
Mas Emília
não está satisfeita… ela é teimosa e determinada, e não pensa em ouvir o pai em
seus pedidos de que deixe Belarrosa o mais rápido possível – ela quer continuar
ali, ela sente que tem muito o que fazer. E talvez seja importante, porque ela
começa a conhecer o povo da cidade… quando sua pressão sobe e ela precisa de um
médico, por exemplo, eles chamam o Roberto; ela também faz uma visita à casa de
Zilda, onde Vitória moraria se toda a história da venda para o Prefeito Luís
não desse certo; e o Ariel faz com que ela encontre Gema novamente, porque
acredita que, por terem sido muito amigas na vida anterior, elas precisam de
uma oportunidade para redescobrir esse sentimento… ele forja um problema no
carro para que Emília precise aceitar a carona de Gema…
No jipão.
“Ariel, pelo amor do Santíssimo, me explica.
Eu preciso entender suas atitudes”
Por algum
motivo, Vitória decidiu gostar de Emília
– ela solta um “Que pessoa agradável é a
sua mãe!” quando conhece Lívia, quando ela e Bento aparecem na vinícola que
fora deles para “ajudar na transição” e tudo o mais. O primeiro encontro de
Vitória e Lívia nessa vida impacta a ambas e somos relembrados da Condessa
Vitória dizendo que “gostava de Lívia como se fosse uma neta”. Era lá, e é agora novamente. A chegada
de Vitória Ventura à agora Vinícola Beraldini entrega uma boa cena: Emília a
convida para uma “surpresa”, e Vitória está presente quando eles derrubam a
placa que dizia “VINÍCOLA VENTURA” de maneira dramática e ela se quebra no
chão, e Emília assiste com visível satisfação e prazer à maneira como isso
parece despedaçar Vitória…
É uma cena
fortíssima, mas ICÔNICA.
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