Além do Tempo – Os reencontros e recomeços da próxima vida!
“O quanto você julga é o quanto você vai ser julgado”
Eu vou bater
na tecla de que “Além do Tempo” é uma
das melhores novelas com temática espírita de todos os tempos – se não a
melhor. Embora eu AME novelas como “Alma
Gêmea” ou “A Viagem”, eu adoro a
extensão do cuidado e do trabalho de “Além
do Tempo”. Não é a história de UMA alma que retorna, tampouco escolhe o
caminho “simples” e “óbvio” de fazer uma primeira fase de uma ou duas semanas
ambientada no Século XIX, por exemplo, para depois ambientar o restante da
novela nos tempos atuais… “Além do Tempo”
fez o impensável ao dividir a novela ao
meio e, basicamente, entregar duas novelas com histórias completas – mas
que se complementam –, com as duas vidas das almas de uma cidade inteira,
separadas por 150 anos de diferença.
É grandioso,
é amplo, e é isso o que faz com que, para mim, “Além do Tempo” seja mais do que excelente: ela é perfeita. São histórias completas e complexas, e é uma
experiência fascinante ter que redescobrir
personagens e características depois de os acompanhar por 4 meses em outra
vida… os diálogos de Ariel e do Mestre nesses primeiros capítulos da nova fase
são bastante importantes para conduzir
o espectador e, inclusive, dar voz a alguns questionamentos. O Mestre fala
sobre “as almas de Campobello estarem finalmente reunidas em Belarrosa”, onde
eles terão a chance de se amar e se perdoar, por exemplo, mas Ariel está
inconformado… ele voltou hilariantemente cético, sem acreditar no bem e no
amor, e pretende “provar que a humanidade não tem mais jeito”.
Algumas
perguntas de Ariel são bastante pertinentes… por que a Lívia está noiva de Pedro,
que lhe fez tanto mal na outra vida? Por que a Gema, que foi tão boa, agora tem
que sofrer? E a Emília, que falou tanto sobre Vitória na vida anterior e agora
voltou rica e poderosa e arrogante,
exatamente como ela julgava a Condessa Castellini – “O quanto você julga é o quanto você vai ser julgado. O que você odeia
será o quanto você será odiado. Mas em compensação, o quanto você ama os outros
será o quanto você será amado”. E nós conhecemos o Ariel… ainda que esteja
sem poderes e brade seu ceticismo aos quatro ventos, ele não consegue ficar de fora – ele diz ao Mestre que pretendia
assistir a tudo de camarote, mas ele se afeiçoou a essas almas e vai ter que
interferir “para que não sofram tanto”.
Emília não
era uma personagem simples na primeira fase de “Além do Tempo”… de algum modo, ela parece mais complexa agora. Ela
não é definida por seu amor por Bernardo – embora eu goste demais da cena em
que ela pega o livro novo de Bernardo Boldrin e comenta “Simpático ele. Nossa… bonitão!”, porque embora já tivesse lido
todos os livros dele, nunca tinha visto seu rosto –, mas é definida pelo ódio
que sente de Vitória… antes a sogra que arruinou sua vida; agora, a mãe que a
abandonou. Em toda a arrogância do alto do pedestal em que se coloca nessa vida
(!) e alimentada pelo desejo cego de vingança, é ela quem quer ir para
Belarrosa assinar os documentos da compra da Vinícola Ventura… ela mesma quer
assumir a casa e despejar dela a mãe.
Inclusive,
essa natureza de Emília resultou numa
relação ruim com a filha.
Gostei muito
da virada interessante do personagem de Bento… embora no primeiro capítulo ele
apareça bêbado à porta de Dorotéia, vamos o desvendando nos capítulos
seguintes, e tudo começa com uma fala de Vitória Ventura: “Afonso, você sabe dizer se o Bento esteve na sua casa? Porque eu não
vejo o meu enteado há dois dias”. Enteado de Vitória, Bento tem problemas
com bebida e, segundo o que ouvimos dizer, ele já era um adolescente atormentado quando Vitória conheceu o seu pai.
Quando o pai morreu, Vitória o deixou responsável por gerir as empresas, e foi
aí que ele acabou com a herança deles
– “Bento… você me roubou”. A relação
quebrada entre eles é bastante evidente em uma cena de café-da-manhã que deixa
claro o fato de que Bento terá muito mais
história nessa fase.
E eu estou
ANSIOSO por isso!
Depois de
passada a crise, Bento promete à madrasta que vai conseguir um emprego e a vai
ajudar, por isso ela vai precisar passar pouco tempo na casa de Zilda… até
porque passar algum tempo de favor na
casa da cunhada é a pior coisa na qual Vitória consegue pensar, e eu ADORO a
cena da macarronada na casa de Zilda com a casa cheia… é um típico almoço em
família: cheio de pessoas, de vozes, de verdades e de climões. É maravilhoso
como a cena vai escalando a cada segundo e, em algum momento, eu estava rindo
deliciosamente com todo aquele caos! Vitória aparece para almoçar embora todos
tivessem presumido que ela não aceitaria o convite, e entra pela porta justo no
momento em que Severa está celebrando o fato de ela não ter vindo porque “não
queria ver aquela cara de rainha destronada dela”.
Vitória
acaba indo embora sem almoçar, não sem antes Zilda mandar a filha pedir
desculpas e o Alex inocentemente pergunta por
que ela foi embora, e Melissa aproveita a oportunidade para atacar a
cunhada e dizer que “é porque a Tia Severa fez algo muito feio e magoou a
Vitória”, ao que Severa responde com um maravilhoso “Você também não gosta dela, deixa de ser cínica”, e o uso da
palavra “cínica” deixa a Melissa toda doída, precisando fingir uma dor de
cabeça que não convence ninguém, apenas para ter uma desculpa para ir embora do
almoço ao qual ela nem queria ir, para começo de conversa… é um caos
gigantesco, repleto de verdades pensadas, mas que ninguém tinha coragem de
dizer, e o clima à mesa é daqueles que nos fazem gritar: NOVELA.
Sério, como
não amar cada segundo disso?
Também
reencontramos Rosa, que agora é dona de um restaurante famoso em Belarrosa e
tem uma filha chamada Alice, com seu ex-marido: o Bento. O “príncipe encantado”
de Rosa, no entanto, talvez seja o Mássimo, um homem com quem namorou no
passado, mas que foge desesperadamente de compromisso… ele não acredita em
casamento, e é curiosíssimo ver a maneira como a própria Salomé (!), que
trabalha para ele, diz que ele precisava de uma esposa – mas ele não quer nem
ouvir falar sobre isso. São novas dinâmicas divertidas e, quiçá, mais complexas
do que vimos na fase anterior… esse “recomeço” de novela mostra o quanto temos
coisas a explorar, e tem tudo para ser uma fase tão ou mais rica que os
primeiros 87 capítulos de “Além do Tempo”.
Estou
ADORANDO redescobrir todas essas relações!
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